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Quaresma 2026: Tempo de Conversão, Reflexão e Solidariedade

qui, 19 de fevereiro de 2026 08:00

Da Redação

Foto 1: Fiéis recebem as cinzas na Quarta-feira de Cinzas, rito que marca o início da Quaresma e simboliza o chamado à conversão.

A Quaresma marca um dos períodos mais significativos do calendário da Igreja Católica e conduz os fiéis ao centro da fé cristã: a celebração da Páscoa. Durante quarenta dias, a Igreja propõe um caminho de conversão sustentado por três práticas tradicionais — oração, jejum e esmola — como forma de preparação espiritual para a ressurreição de Cristo.

A duração desse tempo tem raízes bíblicas. O número quarenta remete aos quarenta anos do povo de Israel no deserto e aos quarenta dias de jejum de Jesus antes de iniciar sua missão pública. Como recorda o Catecismo da Igreja Católica, “todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto”. A proposta é clara: atravessar um período de reflexão e penitência para renovar a vida espiritual.

Mais do que uma tradição, a Quaresma é apresentada como um convite à mudança concreta de atitudes. O jejum é entendido como exercício de desapego; a oração, como aprofundamento da relação com Deus; e a esmola, como expressão prática da caridade. A vivência dessas dimensões busca levar os fiéis a rever prioridades, afastar-se do pecado e redirecionar a vida ao essencial da fé cristã.

Início da Quaresma nas paróquias

Em mensagem divulgada na Quarta-feira de Cinzas, a Paróquia Senhor Bom Jesus da Cana Verde destacou o início do “tempo favorável, tempo de conversão”. A celebração, marcada pela imposição das cinzas, recorda a fragilidade humana e reforça o chamado evangélico: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. A comunidade foi convidada à vigilância espiritual e à preparação para a Páscoa, com o desejo de que a ressurreição de Cristo encontre corações renovados.

Já a Paróquia São Judas Tadeu ressaltou o caráter de reflexão e recomeço da data. Em publicação nas redes sociais, lembrou a frase bíblica “Lembra-te que és pó e ao pó voltarás” (Gn 3,19) e incentivou os fiéis a viverem um tempo de graça, transformação e renovação da fé.

Campanha da Fraternidade 2026

Ainda dentro do contexto quaresmal, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou, nesta Quarta-feira de Cinzas (18), em Brasília, a Campanha da Fraternidade 2026. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós”, a iniciativa volta o olhar para a realidade de milhões de brasileiros que não têm acesso a uma habitação adequada.

Segundo a CNBB, a campanha foi inspirada por sugestão da Pastoral da Moradia e Favelas e pretende estimular a reflexão sobre a moradia como direito fundamental e porta de entrada para outros direitos, como saúde, segurança, educação e dignidade.

Na abertura, o secretário-geral da entidade, dom Ricardo Hoerpers, afirmou que não se pode naturalizar a falta de moradia no país. “A moradia não é privilégio, é condição básica para o exercício de outros direitos”, declarou, ao defender maior compromisso social com o tema.

O secretário-executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, da Diocese da Campanha (MG), leu a mensagem do Papa Leão XIV para a campanha. Ele recordou que a Sagrada Família enfrentou a falta de abrigo em Belém, e que Jesus nasceu em uma manjedoura, identificando-se com aqueles que vivem sem teto digno. O sacerdote também convocou a sociedade e o poder público a manterem o debate sobre habitação para além do período da campanha, reforçando que a garantia desse direito deve ser compromisso permanente.

Foto 2: Celebração marca abertura do tempo quaresmal nas paróquias, com convite à oração, jejum e caridade.

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