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Precisamos falar sobre Élora

qua, 4 de março de 2015 00:01

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A realidade de um esporte que não entra no horário nobre.Foto: Divulgação

A realidade de um esporte que não entra no horário nobre.
Foto: Divulgação

Eles não voam como o Super-Homem, ou sobem nas paredes feito o Homem-Aranha, mas detêm super poderes que ultrapassam os limites do ser humano. Imagine viver em um universo onde o sol amanhece a cada quatro anos, promessas são meros slogans publicitários e planejamentos se tornam mais obscuros que o vestido branco e dourado (digo, preto e azul). Com o perdão pelo clichê, seria cômico se não fosse trágico.

Esquecidos no horário nobre, atletas brasileiros vivem uma aventura à parte no intervalo de cada Olimpíada. Como se fossem culpados pelo dom que receberam, encontram no comando do esporte seus maiores vilões. Em meio a Medinas, Cielos e Neymares, um nome me veio à tona, Élora Ugo Pattaro.

Aos 29 anos, a paulista representou o país nas principais competições internacionais de esgrima. Foi a primeira brasileira a faturar uma medalha no campeonato mundial, entoou o hino nos Jogos Olímpicos de Atenas, na Grécia e Pan-Americanos de Guadalajara, no México. Após desistir do esporte, retornou em 2013, ano em que amigos arrecadaram R$ 8 mil para que conseguisse treinar nos Estados Unidos. A pouco mais de um ano de defender o Brasil no quintal de casa, a paulista anunciou a saída da seleção olímpica.

Sem apoio e patrocínio, Élora desabafou a revolta com a corrupção generalizada e a humilhação, manifestando a vergonha de competir pelo país. Curiosamente, a CBE (Confederação Brasileira de Esgrima) perdeu quase R$ 1 milhão em recursos liberados pelo governo federal para treinamentos. O objetivo era colocar o Brasil entre as dez maiores potências olímpicas. Apenas com a esgrima, seriam 30 medalhas em disputa.

Élora (nome grego que representa o desejo de viver) é apenas uma personagem entre os milhares de super-heróis golpeados por quem até então deveria protegê-los. Nem o futebol, com 12 mil jogadores profissionais desempregados, escapa dessa aventura. Precisamos falar do caminhão de problemas que estacionou no nosso esporte. Do contrário, seremos outra vez salão de festas de gringos que sabem dirigir aquilo que tem.
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