Pergunte ao Doutor – Doenças do Carnaval
sex, 24 de fevereiro de 2017 05:21
1-Quais são as peculiaridades do Carnaval?
“Beija, beija, tá calor, tá calor”. O refrão da música baiana anuncia o que todo mundo sabe: Carnaval é época de temperatura alta e muito beijo na boca. Mas para aproveitar a festa com saúde, os especialistas orientam a ter cautela na hora da curtição.
— É muito comum ver os jovens fazendo rankings de ”quem pegou mais”. Essa prática, porém, aumenta as chances de contrair doenças como a mononucleose.
A mononucleose — ou “febre do beijo” — é uma doença viral com sintomas parecidos com os da gripe: febre alta, dor ao engolir, tosse, cansaço, falta de apetite, dor de cabeça, entre outros.
— Trocamos em torno de 250 bactérias e alguns vírus quando beijamos alguém. No caso da mononucleose, a pessoa leva o vírus para o resto da vida.
Outra medida fundamental, não só no Carnaval, é o uso de preservativos.
Com o excesso de bebida, os foliões acabam deixando de se proteger. Isso é perigoso, pois o sexo sem camisinha expõe a pessoa a doenças graves e sem cura, como o HIV.
Entre as doenças sexualmente transmissíveis estão as hepatites B e C (que podem evoluir para câncer de fígado) e o HPV (relacionado a tumores de útero).
Se a “beijação” merece cuidados especiais, outras medidas também contribuem para um Carnaval mais seguro e saudável. Uma delas é o cuidado com os pés.
— Nos blocos, e nos clubes, nas piscinas, as pessoas costumam usar sandálias ou ficam descalças. Um corte no pé pode provocar uma contaminação pelo micro-organismo causador do tétano.
Em caso de ferimentos, o folião deve procurar um hospital para higienizar o machucado e avaliar o risco para o tétano. Manter a vacinação em dia é outra forma de se livrar desse problema. A imunização é feita em três doses e deve ser repetida a cada dez anos em adultos.
2-Como é o comportamento de risco que a população se coloca e que poderia ser evitado de alguma forma?
Carnaval, como o verão, reúne situações que são mais suscetíveis à transmissão de doenças. Primeiro a privação do sono, que as pessoas não dormem como deveriam e sabemos que o sono é fundamental para que você tenha o sistema imune preparado para invasões externas por vírus e bactérias; nós temos os esforços extra habituais, tem gente que vem malhando pesado desde o fim do ano para chegar com um corpo bacana no Carnaval, mas exagera, o que os torna mais suscetíveis à doenças; o uso de substâncias proibidas; pessoas que não fizeram nenhum exercício físico durante o ano mas querem aproveitar o bloco durante oito horas, ou camarote porque pagaram; pessoas que não se alimentam de maneira equilibrada, que encaram o Carnaval como a época do “tudo posso”, ingerindo alimentos diferentes… E aí entra o fenômeno dos “all inclusive”. Como a pessoa paga caro, ela quer comer de tudo para justificar o dinheiro dela naquilo ali, e isso é um perigo. A hidratação não é a mesma – alguns engraçadinhos acham que álcool hidrata, mas isso não é verdade. O que hidrata é água, suco ou bebidas isotônicas. Outra coisa: são pessoas do mundo todo reunidas, da Europa, América, e essas pessoas trazem doenças de lá. E, principalmente, a questão da higiene durante o Carnaval. Os banheiros químicos não têm locais para lavar as mãos. Então você entra no banheiro, não lava a mão, e vai comer podendo contaminar o alimento. Outra coisa que vale a pena lembrar é a questão da vacinação, que deve ser feita antes, para tétano, hepatite A ou B. O que é mais comum nessa época? Doenças respiratórias, a conjuntivite – que pode ser viral ou até alérgica, devido à fumaça, espuma de Carnaval – e os quadros de diarreia, principalmente por alimentos que não foram condicionados da melhor forma. Às vezes a comida foi levada no período da tarde (o que acontece muito nos camarotes) e teve todo o cuidado na hora do preparo, mas não no acondicionamento.
3-Esse problema ocorre nas festas espalhadas em todo o Brasil?
Não podemos afirmar com certeza, porque como disse, esses casos não são notificados, mas temos casos, sim, em emergências particulares e públicas, de pessoas que falam “eu não tive nada de diferente a não ser a comida do camarote”. Então como eu disse, muitas vezes não é problema no preparo – a maioria das empresas é terceirizada, muitas vezes restaurantes de nível bom – mas o problema é o acondicionamento. Imagine que espaços assim tem duas, três mil pessoas. Como acondicionar alimento durante todo esse período? Outra coisa: quem está despachando esses alimentos? Camarote nem tanto, mas na rua a pessoa pega o dinheiro, depois pega a comida… Ela não tem onde lavar a mão.
4- E os banheiros químicos?
Sabe-se que pessoas que estão na rua não têm como ir a banheiros do camarote, ou em um apartamento que alguém alugou, então elas vão usar o banheiro químico, ou até mesmo a própria rua. Então se a pessoa estiver com uma doença infectocontagiosa, uma parasitose intestinal ou até hepatite A, vai transmitir. A doença demora de 15 a 42 dias para manifestar seus sintomas, que vão de icterícia (aparência amarelada na pele e nos olhos) à prostração.
— Uma dica para reduzir esse risco é levar um vidro pequeno de álcool em gel no bolso ou na bolsa para higienização das mãos sempre que for ao banheiro. Não vou falar que é somente por conta do Carnaval. Ainda tem a questão da intolerância alimentar – muitas pessoas não estão acostumadas com o tempero nordestino, digamos assim, e acabam experimentando uma moqueca, um acarajé, ou uma comida mineira e acabam tendo intolerância alimentar. Isso não é uma infecção, é quando a mucosa dela não está adaptada para absorver aquele tipo de alimento.
5-O fato de dormir oito horas, mas pela tarde ao invés do período noturno, também interfere?
Interfere. Mesmo que você durma oito horas, não compensa, porque você não está acostumado a isso. Pessoas que trabalham à noite têm até desenvolvido mecanismos de adaptação, mas nunca é normal o sono que você não tem no período noturno. Não é, porque existe uma coisa chamada “ritmo circadiano”, em que você produz mais hormônios e outras substâncias naquele determinado horário. Por isso que às vezes uma pessoa dorme oito horas ou até mais e não se sente tão descansada.
6-Qual é a relação álcool, drogas e DST´s?
No Carnaval muitos abusam de bebidas alcoólicas e drogas para ficarem ‘ligados’. Aí começa o perigo: calor, corpo exposto, a sensualidade da dança, tudo isso fomenta a atração.
Álcool e drogas podem gerar uma estimulação dos sentidos e até dos desejos, mas geram também um rebaixamento de consciência, uma redução na preocupação consigo aumentando os riscos; é importante que todos tenham consciência de que o Carnaval é uma brincadeira e deve ser prazerosa, mas DST não é uma brincadeira; respeite seu corpo e sua vida, brinque com responsabilidade. Não tenha medo de ser careta, não abuse do álcool e evite as drogas. Careta é aquele que não se protege, a moda é ser saudável.
Usar camisinha sempre só mostra que você sabe que quer o melhor da vida e tem tudo para se dar sempre bem!
7-E o que você sugere para essas pessoas que vão curtir o Carnaval e querem terminar a folia bem?
Não adianta se preparar um ou dois meses antes da festa para o que você não fez o ano todo. Você não vai adquirir massa muscular ou ficar com o corpo perfeito em tão pouco tempo. Fazer uso de substâncias proibidas, como anabolizantes, é uma bobagem maior ainda. Então a primeira coisa que se orienta é que, antes do Carnaval, mantenha seu ritmo de vida. Pode até aumentar um pouco a atividade física, mas com cuidado, com a orientação de um profissional de educação física e nutricionista. Além disso, procurar dormir bem, tentar descansar durante o dia, para que seu sistema imune volte a ter força. A alimentação nesse período tem que ser leve, rica em carboidratos, que dão energia rapidamente. Evite alimentos gordurosos e frituras, que possuem uma digestão mais difícil. A hidratação é de fundamental importância. A cerveja é líquido, mas a cevada é diurética, e o álcool volátil, então ela não hidrata. O ideal é água, isotônicos, água de coco. Tenha cuidado ao ingerir medicamentos com bebidas alcoólicas, que podem gerar reações. O paracetamol, por exemplo, quando ingerido com álcool, pode gerar uma hepatite medicamentosa. Cuidado com a higiene, lave sempre as mãos. Quem puder, leve seu recipiente com álcool em gel. Limpe a borda das latas com um guardanapo. Evite compartilhar talheres, copos… Cuidado com as maquiagens de graça que alguns camarotes oferecem, porque uma pessoa infectada pode ter usado a mesma esponja. Jamais compartilhe batom, que pode transmitir doenças. Evite compartilhar também toalhas, alicates e outros objetos perfuro-cortantes, que podem passar hepatite B – como há registro de vários casos. Lembre-se de se vacinar contra hepatite B, tétano… E, em caso de qualquer acidente, procure o posto de saúde mais próximo para receber as orientações dos médicos. Por fim, muito cuidado com os alimentos de rua, observando principalmente como eles foram preparados e armazenados.
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