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Paciência não se pede

qua, 29 de outubro de 2014 00:01

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No dia das semifinais da Copa do Brasil, algumas lembranças que podem servir de lição. Foto: Divulgação

No dia das semifinais da Copa do Brasil, algumas lembranças que podem servir de lição. Foto: Divulgação

Quando criança, tinha para mim que o presente que chegaria em breve não seria mera lembrança. Fiz promessas, até apostei. Diziam para esperar, pois a vida era longa, mas meu time jogava por 90 minutos e meu macarrão instantâneo não podia passar dos três. Cheguei a rezar como um hebreu, para São Judas Tadeu, que o sujeito da causa seria eu.

Certo dia, recorreram ao futebol para convencer-me que a pressa poderia ser inimiga da perfeição. Tragédias vieram à tona, como a sofrida pelo Santos de Pelé e companhia na final da Taça Brasil no Mineirão, em 1966, quando a equipe assistiu aos seis gols do Cruzeiro sem qualquer consideração pela visita.

Outros lembravam a Libertadores de 1981, ano em que o árbitro José Roberto Wright sequer esperou os 90 minutos para encerrar o duelo entre Flamengo e Atlético-MG. A partir de um confronto regado a polêmicas, surgiram aqueles que seriam os campeões mundiais.

Acostumei-me a sempre buscar alternativas quando um sonho fugia da realidade. Talvez por isso optasse por falar de futebol a alimentar a ilusão de ser um futuro jogador. Os ponteiros do relógio se perdiam, e o tempo até o gol ou a decisão no momento certo permaneceria reticente. Percebi que paciência não é esperar por aquilo que alguém deixou de lhe trazer. E não falo do pedaço de “escondidinho de frango” que sobrou do seu almoço.

Meu presente veio de longe, mais precisamente do nordeste, de vários remetentes. O “Auto da Compadecida” era de Ariano Suassuna, Chico Science da Nação Zumbi. Jorge Amado apresentou-me “Dona Flor e seus Dois Maridos” e Rivaldo trouxe uma Copa do Mundo. Em trajetórias de diferentes tons e acordes, Dominguinhos, Tom Zé, Luiz Gonzaga e Caetano ensinaram-me que paciência não se pede, mas pode dar uma boa história.

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