Operação Domiciano: novas informações mostram algumas das denúncias feitas contra os PRF investigados
qui, 29 de junho de 2017 05:25Da Redação
Muitas informações foram obtidas através de interceptações telefônicas e gravações feitas com equipamentos instalados dentro de viaturas
Na última quinta-feira, 22, 15 policiais rodoviários federais e quatro empresários da região foram presos na operação Domiciano. De acordo com as acusações eles são suspeitos de corrupção e agiam das mais variadas formas cobrando propina. Os policiais são de unidades operacionais de Uberlândia, Araguari e Monte Alegre de Minas. Dos 17 policiais investigados, 15 estão presos e dois afastados das atividades profissionais.
O grupo pode responder por corrupção ativa e passiva; tráfico de influência; concussão (que é quando alguém exige vantagens pelo cargo da função que assume); prevaricação (quando um funcionário público deixa de assumir os deveres que a função o obriga); receptação qualificada; estelionato; lavagem de dinheiro entre outros.

Operação foi deflagrada na semana passada
O MGTV divulgou nesta terça-feira, 27, parte dos documentos que descrevem os crimes pelos quais policiais rodoviários federais presos no Triângulo Mineiro são investigados. O acesso foi liberado na sexta-feira passada, 23, quando o delegado Carlos D’Ângelo pediu o fim do sigilo do processo, permanecendo impedido o contato com as imagens e áudios gravados.
De acordo com o portal de notícias G1, o delegado chefe da Polícia Federal, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo afirmou envolvimento de um único policial em mais de 30 crimes. A Controladoria Geral da União (CGU) participou da análise da movimentação financeira e evolução patrimonial dos envolvidos.
As provas colhidas para instaurar a investigação são inúmeras. Dentre elas, informações foram obtidas através de interceptações telefônicas e gravações feitas com equipamentos instalados dentro de viaturas. A cobrança de propina está presente em diversas transcrições.
Em um dos casos, os policiais rodoviários federais Alexandre Mesquita Ciuffa e Gidelson Mário de Oliveira exigiram o pagamento de R$ 1 mil para liberar um caminhoneiro sem autuação. Segundo transcrição, eles o teriam abordado na BR-365 alegando que o veículo estaria com o peso acima do descrito na nota fiscal. Os policiais ainda teriam informado que desejavam uma negociação futura com o patrão do caminhoneiro para isenção de fiscalizações em novas ocorrências.
Outro caminhoneiro denunciou cobrança de propina. O PRF Tairone de Paula Sales teria pedido um “cafezinho” durante a abordagem. Esse mesmo caminhoneiro disse que em outra data, o investigado Silvio Cesar Vasconcelos Brígido o teria abordado de madrugada, no pátio de um posto, enquanto ele dormia, para dizer que ele estava com excesso de peso, numeração de chassi adulterada e disse também que a habilitação estaria suspensa. Devido a isso, teria cobrado R$ 5 mil. O motorista deu a ele R$ 210.
Jean Carlos de Morais e Marco Antônio Domingues são investigados em uma situação em que teriam perguntado a um dono de veículo que foi roubado se eles ganhariam alguma recompensa caso encontrasse o mesmo. O Boletim de Ocorrência (BO) chegou a ser confeccionado pelos policiais, mas esse BO não foi encontrado na Polícia Civil. Diligências feitas posteriormente por agentes de campo encontraram sacos de milho que possivelmente estariam no caminhão roubado em um barracão de Evaldo Macedo, que não é policial, mas também foi preso. Ligações telefônicas interceptadas a partir do terminal utilizado pelo empresário constam no processo e indicam que ele participou do furto da carga de milho, com possível colaboração do motorista e dos PRFs citados anteriormente.
Antenor de Souza Leal Filho e Tairone de Paula Sales são investigados em outros processos. Conforme publicado no G1, uma empresária narrou para a unidade da PRF que motoristas de uma empresa estavam constantemente sendo intimidados. Em um dos casos ditos por ela, um caminhoneiro teria sido extorquido e por ter apenas R$ 90 ficou sob o poder dos policiais por várias horas, vindo a perder o enterro da própria irmã.
De acordo com o documento, Gidelson Mário de Oliveira teria recebido repasses de propina de um guincheiro. Entre os citados está o presidente da Associação dos Policiais Rodoviários José Roque da Silva Filho. Nos documentos consta que o patrimônio dele é incompatível com a renda como policial rodoviário federal.
Entenda o caso
O Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Federal (PF) deflagram, na quinta-feira, 22, a Operação Domiciano. A ação visa cumprir 19 mandados de prisão preventiva e 33 mandados de busca e apreensão, contra 15 policiais rodoviários federais de Unidades Operacionais de Uberlândia, Araguari e Monte Alegre. A ação também envolve prisão de quatro empresários e comerciantes da região.
Levantamentos iniciados pela Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal em 2016 levaram à instauração de inquérito na Polícia Federal culminando na expedição dos mandados. A CGU participou de análise da movimentação financeira e evolução patrimonial dos acusados, relação destes com outras pessoas físicas e jurídicas, além de fornecer levantamento de indícios de ilícitos administrativos.
A força-tarefa é composta por aproximadamente 200 policiais (140 Policiais Rodoviários Federais e 60 Policiais Federais) e sete auditores da CGU, cumprindo mandados nas cidades mineiras de Uberlândia, Canápolis, Monte Alegre, Itumbiara, Araguari, Centralina e Delfinópolis. Os presos serão encaminhados à Polícia Federal em Uberlândia e indiciados pelos crimes de corrupção passiva e associação criminosa.
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