Número de casos de agressão contra a mulher é a segunda maior causa de violência na cidade
sex, 9 de março de 2018 05:15por Tatiana Oliveira
Índice perde apenas para o tráfico de drogas, afirma Patrulha de Prevenção da Violência Doméstica da Polícia Militar em palestra na E. E. Raul Soares
Aproveitando as atividades alusivas ao Dia Internacional das Mulheres, a Patrulha de Prevenção da Violência Doméstica da Polícia Militar deu palestra na Escola Estadual Raul Soares ontem, 8, sobre o assunto. Durante o evento, foram apresentados números alarmantes da violência doméstica na cidade, que hoje é o segundo maior índice de violência do município, perdendo apenas parao tráfico de drogas. “Nós atendemos quase 200 medidas protetivas. Serão feitas mudanças na forma de agir da patrulha, da promotoria e de todos os envolvidos no combate à violência contra a mulher para melhorar o cenário e proteger as vítimas”, coloca o sargento Mauro. “Tem muitos casos que não são levados às autoridades. Esses 200, são aqueles que chegaram até nós. Estamos implementando uma série de trabalhos para mudar essa realidade, completa.

Sargento ressalta importância de abordar a temática com a população
Aproximadamente 400 alunos entre 11 a 20 anos estiveram presentes na palestra. Após a palestra houve uma caminhada pela região central da cidade com a distribuição de panfletos de conscientização sobre a violência doméstica. O sargento da Polícia Militar vê grande importância em levar os fatos para esses jovens. “Muitos acham que violência contra a mulher é só física e ela vai muito além disso: é psicológica, sexual, moral, patrimonial, e a maioria das pessoas não sabe. Precisamos conscientizar homens e mulheres desde cedo para conseguirmos um bom resultado a médio e longo prazo”, disse à Gazeta do Triângulo. Para ele, o ideal seria fazer palestras principalmente para homens. “Nosso país é machista e vamos demorar a conseguir uma melhora significativa se não atingirmos principalmente o potencial agressor”, coloca.
O sargento assumiu a Patrulha de Prevenção da Violência Doméstica há cerca de um ano e vem procurando aprimoramento desde então. “Agora fomos capacitados, fizemos um curso nessa área de enfrentamento à violência doméstica.A intenção é mudar toda a dinâmica e trabalhar no mesmo esquema de Belo Horizonte. Para isso, vamos conversar com o Judiciário, com a Promotoria para articular mudanças no sentido de visitar essas mulheres que fazem as ocorrências. Com isso, vamos conseguir a médio e a longo prazo quebrar o ciclo da violência e, consequentemente, diminuir inclusive, as medidas protetivas”, relata.
A professora de sociologia da escola, Karem Marcelino, relatou à Gazeta sobre a relevância do tema. “A cada 11 segundos hoje uma mulher sofre violência sexual no Brasil. Então falar sobre isso não só hoje, mas todos os dias é de extrema importância. A mulher enfrentou e enfrenta desafios diários e a conscientização eu acho que é a chave para a gente atenuar, modificar em termos gerais essa visão que a sociedade ainda tem da mulher”, relata.
Para ela, discutir o assunto no Raul Soares tem importância ainda maior. “Aqui, de uma maneira muito particular, no ano passado vivemos um episódio muito trise em relação a isso, que foi a morte de uma aluna que suspeita-se ter sofrido violência sexual. Isso impactou os alunos de uma maneira muito forte por se tratar de uma adolescente e de uma mulher”, coloca.
O Conselho da Mulher esteve presente na palestra e apresentou um projeto realizado junto à Central de Alternativas Penais – CEAPA. “Temos um projeto que chamamos de grupos reflexivos. Sentamos com eles e propomos algumas temáticas para, juntos, refletirmos formas pacíficas de resolvermos os conflitos”, disse um membro durante a palestra.
Lei Maria da Penha
A violência doméstica contra a mulher constitui delito de ação penal pública incondicionada. Isso significa que a vítima não mais precisa declarar o seu desejo de processar o agressor. Agora qualquer pessoa, e não apenas a vítima, pode denunciar o crime.
O que poucos sabem é que a violência doméstica vai muito além da agressão física ou do estupro. A Lei Maria da Penha classifica os tipos de abuso contra a mulher nas seguintes categorias: violência patrimonial, violência sexual, violência física, violência moral e violência psicológica. Veja como reconhecer os demais tipos de violência, além da física:
1 – Sofrimento psicológico
Manter uma pessoa isolamento, por exemplo, é um crime. Ninguém pode trancar outra pessoa dentro de casa ou chantageá-la para que ela permaneça longe da família e amigos. Aquele papo de que suas amigas não prestam e que proibir você de sair com elas é cuidado, bem, não existe.
Assim como também não é normal constranger alguém. Insultos, palavras de baixo calão, falas que dizem que você não é capaz ou jamais conseguiria sobreviver sozinha não são normais, são tipos de violência.
2 – Violência sexual
Para que o sexo aconteça todos os envolvidos precisam ter vontade disso. Não é porque você casou com alguém que tem obrigação de transar sem ter desejo. Relação sexual não desejada por meio da força é crime.
A lei também fala sobre forçar o casamento. Pode parecer absurdo, mas isso acontece diariamente no Brasil e não é apenas longe dos centros urbanos. Em diversos locais meninas muito novas são vendidas para o casamento. Em outros lugares, mulheres são forçadas ao casamento seja por ameaça de violência ou sofrimento psicológico.
Impedir que a mulher use de métodos contraceptivos também é um crime previsto na Maria da Penha. A mulher tem autonomia sobre o próprio corpo e somente ela pode decidir se vai ou não usar métodos para não engravidar. O sexo sem o uso de preservativo masculino contra a vontade da mulher também é crime.
3 – Violência patrimonial
Tudo o que é seu não pode ser destruído por outra pessoa. Isto é, se no meio de uma briga, alguém destruir sua coleção de discos, rasgar suas roupas que estão no armário ou acabar com o seu sofá, você pode (e deve) ir à delegacia. Isso vale para bens, dinheiro e documentos.
4 – Violência moral
Se seu namorado, marido, cunhado, pai, irmão ou qualquer pessoa, homem ou mulher, que conviva com você no núcleo familiar inventar histórias sobre você, queimar seu filme – chamado formalmente de calúnia, difamação ou injúria -, você pode utilizar a Lei Maria da Penha para se proteger.
Conselho da Mulher falando que na CEAPA eles cuidam de homens que agrediram contra a mulher, com penas alternativas. É uma ação condicionada, então independente. O vizinho delatou, a mulher, várias razões.
Temos um projeto temático que chamamos de grupos reflexivos que a gente senta co eles e propõe algumas temáticas para jutos refletirmos formas pacíficas de resolvermos os conflitos.
Denuncie
Para denunciar casos de violência doméstica, basta ligar para o 190 e solicitar contato com a Patrulha de Prevenção de violência doméstica, procurar a Delegacia da Mulher, Ministério Público ou Fórum. O 180 é outro canal de denúncia anônima, voltado especificamente ao atendimento à mulher. A Casa dos Conselhos também se coloca à disposição pelo telefone 3690-3154. “Vamos orientar a mulher paraprocurar o órgão para conseguir a medida protetiva. A partir daí, conseguimos embasamento parair lá e tirar o agressor. Se ele tiver saído da residência,evitamos que ele passe perto, que entre em contato”, relata o sargento Mauro.
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