Sábado, 16 de Janeiro de 2021
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Coluna: Neuropsi (17/12)

qui, 17 de dezembro de 2020 13:31

 

Abertura-neuropse

1-O que é nomofobia?

A nomofobia é a doença da era digital. A síndrome afeta as pessoas com um medo irracional de estar impossibilitado de utilizar dispositivos tecnológicos, por falta de bateria ou acesso à internet.

Há um movimento em que as pessoas não podem perder nada, porque acham que isso as coloca fora dos acontecimentos.

Essa necessidade de estar sempre ‘por dentro’ de tudo e o medo de ficar sem celular também têm nome: nomofobia, junção de ‘no’ (não) + ‘mo’bile (celular) + fobia (medo), aumentou muito com a pandemia.

 

2- O Brasil é um pais que acessa muito a internet? Qual é a epidemiologia da nomofobia?

O Brasil é o segundo país do mundo que passa mais tempo conectado à internet, por aqui, ficamos conectados em média por 9 horas e vinte nove minutos todos os dias. Isso quer dizer que, dos 365 dias do ano, em 145 deles nós ficamos conectados à internet.

No Brasil, 58% dos brasileiros usam smartphones a cada 30 minutos e 35% a cada 10 minutos. Já o estudo efetuado pelo Instituto YouGov, que contou com a participação de 2.163 pessoas, constatou que cerca de 58% dos homens e 47% das mulheres sofrem com nomofobia. Das 2.163 pessoas entrevistadas, 20% disseram não desligar o telefone nunca, e cerca de 10% disseram que o próprio trabalho as obriga a estarem sempre acessíveis. Metade da geração brasileira, nascidos entre 1998 e 2002, afirma ter o smartphone como melhor amigo.

3-Quais são suas características?

Essa fobia vem à tona sempre que uma pessoa fica impossibilitada de se comunicar ou se conectar a um aparelho tecnológico utilizado para comunicação.

É como se a tecnologia roubasse uma série de prioridades da vida da pessoa. Ela acha que alguém pode estar falando dela, que está perdendo algo. A necessidade é tanta, que ela imagina que o celular está vibrando e não pode pensar que a bateria vai acabar. Se em um primeiro momento esse hábito é impulsivo, com o tempo se torna ainda mais inconsciente e vicioso.

A quantidade de ferramentas que um celular traz são um ‘atrativo’ para o cérebro. O cérebro, na medida em que percebe que o aparelho oferece várias possibilidades, elege o celular como item de suma importância de forma inconsciente. Estima-se que o cérebro começa a liberar dopamina, hormônio neurotransmissor ligado aos efeitos de satisfação e motivação.

Com o tempo, as pessoas perdem a capacidade de ver esse comportamento de forma sensata. É aí que ele começa a ser feito na frente de outras pessoas, andando na rua, nos restaurantes. Perdeu-se o ‘cuidado’ de que as coisas não estão bem. Para a pessoa do lado, passa a sensação de que o que está no celular é mais importante do que a pessoa.

4-Qual é um indício que a dependência digital está sendo prejudicial?

Um indício de que o comportamento está sendo prejudicial é quando, na hora de dormir, a pessoa leva o celular para a cama e continua usando. Outro ponto é quando a distração digital impede que a pessoa faça o que tem de fazer.

Como o vício pode ser imperceptível, é importante ter alguém do lado para dizer se o comportamento está atrapalhando. Ao invés de brigar, é bom dizer como se sente e estabelecer regras dentro daquela relação. Como o celular faz parte da nossa vida, precisa entrar nos combinados das relações.

Sabe-se que o quanto antes ocorre uma dependência, piores são suas consequências físicas e psicológicas em longo prazo. Em termos comportamentais mais amplos, tem sido observado nestes jovens uma falta de habilidade nos relacionamentos interpessoais, com dificuldades no estabelecimento de vínculos de amizade e/ou afetivos plenos e duradouros.

5-O que é Phubbing?

Phubbing é o ato de ignorar ou deixar de conversar com alguém por estar focado no celular. O termo vem da junção das palavras phone (celular) e snubbing (esnobar), e o comportamento frequente pode comprometer as relações pessoais.

O mais sério disso é que, hoje em dia, o celular entra como terceiro elemento. Você não consegue mais estar só com seu amigo ou parceiro. Em vez de entrar como um elemento que comunica, ele afasta.

As pessoas, “reclamam muito” sobre como o outro não presta atenção nelas, não interage ou não tem mais interesse nelas.

As queixas são as mesmas: desprezo, desvalorização, não é amado, não é escutado. É como se elas perdessem o espaço para o celular, que acaba representando esse universo de interesse que compete com a outra pessoa.

Fica claro que as distrações causadas por phubbing prejudicam a satisfação do relacionamento. O comportamento cria barreiras na relação que vão afastando um do outro, seja na condição de casal ou em qualquer relação interpessoal.

6-Quais são as recomendações?

Então, se a primeira coisa que você faz quando acorda é olhar o seu celular; se checa o seu telefone de cada 5 a 30 minutos; se dorme com o celular no seu quarto (pior ainda se for do lado da cama); se sempre arranja uma desculpa para levar o celular para o banheiro (para o chuveiro, é mais grave!) e, se anda com ele na mão a maior parte do tempo, você pode ter dependência do celular. Assim, aqui vão algumas sugestões que poderão te ajudar:

Não perca o seu sono.

Jamais leve o celular para a cama. Desligue-o e deixe ele fora do seu quarto. Se a sua desculpa é que você usa ele para despertar, compre um despertador.

Acordou? Use a regra dos primeiros 45 minutos

Ao acordar, você deve se preparar para o dia que terá pela frente, ir no banheiro, preparar o seu café da manhã, se alongar, se vestir e arrumar. Se for casado (a), beije seu parceiro (a). Os primeiros 45 minutos são seus. Não cheque o celular antes disso.

Carro ligado, celular desligado.

Você vai economizar em multas e reduzir drasticamente a chance de ter um acidente sério. Proteja você e os outros, motoristas e pedestres.

Desligue o celular no seu período mais produtivo.

Ao longo de algumas horas, desligue o seu celular e coloque longe do seu alcance (numa bolsa ou gaveta). Só ligue quando completar o seu trabalho.

Fique atento à criança com celular.

Fique atento ao padrão de uso e conteúdo que a criança acessa no celular e imponha limites com disciplina. Estabeleça os momentos e o tempo de uso que seu filho pode se dedicar a esta atividade.

Não deixe aquela máxima ser verdadeira para você: “O celular aproxima quem está longe, mas afasta quem está perto! ”. Em qualquer reunião; nas refeições; brincando com seus filhos; confraternizando com os amigos, tudo isso é mais importante que o seu celular. Viva no mundo real e dê atenção ao que há a sua volta e a quem te ama e se importa contigo.

Agora, se nada disso ajudar, talvez você precise de uma avaliação de um profissional de saúde mental. Mas neste caso, não se esqueça! Desligue o celular antes de entrar no consultório.

 

 

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