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Neuropsi – Síndrome de Münchausen

sáb, 5 de março de 2016 08:44

Abertura-neuropse

1- O que é  a Síndrome de Münchausen?

A síndrome de Munchausen, preferencialmente chamada de transtorno fictício, trata-se de uma grave desordem psiquiátrica na qual os indivíduos acometidos simulam estar enfermos ou com algum trauma psicológico para conquistarem atenção e simpatia daqueles que os cercam.

2-Podemos então dizer que esse transtorno seria igual à hipocondria?

Não. A síndrome em questão não é igual a hipocondria. Na síndrome de Munchausen os indivíduos sabem que não sofrem com doença alguma, mas querem estar doentes. Na hipocondria o indivíduo acredita realmente estar doente.

3-Qual a característica do transtorno?

O transtorno fictício é caracterizado pela produção de sintomas físicos pelo sujeito, de forma intencional, para que receba tratamentos médicos. Entre as características da síndrome, pode-se citar a mentira patológica e a peregrinação entre hospitais para receber tratamento médico.
A síndrome pode variar de leve a grave. A pessoa pode alegar sintomas ou mesmo adulterar e fraudar exames médicos para convencer as demais pessoas de que necessita de tratamentos complexos e de alto risco, como uma cirurgia, por exemplo. Alguns pacientes se fazem submeter a um grande número de cirurgias, com base em tais queixas e têm o abdômen marcado por um grande número de cicatrizes sendo costume referir-se a ele como “abdômen em mapa”.

4- O que é a síndrome de Munchausen por procuração?

A síndrome de Munchausen “by proxi” (por procuração) ocorre quando um parente, quase sempre a mãe, de forma persistentemente ou intermitentemente produz (fabrica, simula, inventa), de forma intencional, sintomas em seu filho, fazendo que este seja considerado doente, ou provocando ativamente a doença, colocando-o em risco e numa situação que requeira investigação e tratamento.

5-Qual é o objetivo?
Habitualmente, o ato de simular uma doença não possui nenhum objetivo lógico. Às vezes existe por parte da mãe o objetivo de obter alguma vantagem para ela, por exemplo, conseguir atenção do marido para ela e a criança ou se afastar de uma casa conturbada pela violência. Nas formas clássicas, entretanto, a atitude de simular/produzir a doença não tem nenhum objetivo lógico, parecendo ser uma necessidade intrínseca ou compulsiva de assumir o papel de doente (no by self) ou da pessoa que cuida de um doente (by proxy). O comportamento é considerado como compulsivos, no sentido de que a pessoa é incapaz de abster-se desse comportamento mesmo quando conhecedora ou advertida de seus riscos. Apesar de compulsivos os atos são voluntários, conscientes, intencionais e premeditados. O comportamento que é voluntário seria utilizado para se conseguir um objetivo que é involuntário e compulsivo. A doença é considerada uma grave perturbação da personalidade, de tratamento difícil e prognóstico reservado.

6-Qual é o tratamento?

A síndrome de Munchausen é difícil de tratar porque as pessoas com essa síndrome querem estar no papel de doente e são relutantes em procurar tratamento. Não há terapias padrão e raramente o paciente concorda em ser tratado por um profissional de saúde mental. No entanto, a ajuda psicológica é fundamental. O tratamento inclui psicoterapia e aconselhamento comportamental. Alegar para um paciente que ele sofre da síndrome de Munchausen pode funcionar para ele como uma acusação e torná-lo afetado, irritado e colocá-lo na “defensiva”, fazendo com que termine abruptamente o relacionamento com o médico e procure tratamento em outros lugares. Assim, o médico pode, a princípio, “admitir” os sintomas fingidos, em benefício de manter a relação. Em casos graves, a hospitalização psiquiátrica temporária pode ser necessária. O principal objetivo de qualquer tratamento para a Síndrome de Münchhausen é evitar os danos decorrentes de procedimentos médicos que não são necessários ao paciente.

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