Sábado, 14 de Março de 2026 Fazer o Login

Ministério da Saúde determina obrigatoriedade do Teste da linguinha em recém-nascidos

qua, 24 de dezembro de 2014 00:34
Exame detecta se o bebê terá dificuldades para amamentar, mastigar e falar

DA REDAÇÃO – O Ministério da Saúde determinou, através da Lei 13.002/2014, que o Teste da Linguinha em recém-nascidos passa a ser obrigatório, a partir desta semana, em hospitais e maternidades das redes pública e particular. O objetivo do exame é detectar alterações no frênulo, que podem causar dificuldades para o bebê na hora de amamentar, mastigar e falar (língua presa).

A integrante da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Roberta Martinelli, criou a metodologia para fazer a avaliação de bebês e diagnosticar o problema. “No primeiro momento, o teste veio para detectar a língua presa, que é quando esse fio está fixado mais para a ponta da língua. Somente se considera língua presa quando limita o movimento”. Além da dificuldade de fala, os recém-nascidos podem ter problemas na alimentação. “Tem sido uma das maiores causas de desmame precoce. O bebê pode ter bloqueio de passar para a papinha porque tem dificuldade de deglutição. Por volta de um ano e meio, pode ter problemas no processo mastigatório também”.

O exame observa os aspectos físicos da língua, mas outras características também precisam ser avaliadas, por exemplo, a maneira como a criança mama e até mesmo o choro. “Observamos características do choro, porque o bebê que tem essa língua presa sobe mais as laterais do que a ponta da língua”, explica a fonoaudióloga.

A pediatra Patrícia Salmona, do Departamento de Genética Clínica da Sociedade Brasileira de Pediatria, acredita que é preciso considerar alguns pontos com relação ao tratamento, pois existem graus diferentes de língua presa e o tratamento pode variar. “Nem todas têm a indicação do tratamento do pique na língua. Aquelas que não têm indicação cirúrgica poderiam ser mandadas sem necessidade para a cirurgia”. Patrícia ressalta que, muitas vezes, não há consenso entre os profissionais que fazem o teste com relação ao procedimento cirúrgico. “A prevalência da língua presa gira em tono dos 15%, mas nem 10% têm indicação de fazer o procedimento. Metade seria necessária e na outra metade fica a dúvida”.

A fonoaudióloga Roberta Martinelli afirma que os profissionais precisam ser treinados e é necessário adotar um protocolo para ajudar na padronização do teste. “Enquanto não se tiver uma padronização, vão fazer no ‘achômetro’ e isso não pode. Estamos lidando com bebês. O protocolo só indica para a cirurgia quando o caso é extremamente nítido. E esses casos não podem sair da maternidade sem diagnóstico”.

Segundo a assessoria do Ministério da Saúde, as diretrizes que trarão o detalhamento para o diagnóstico estão sendo elaboradas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias e um grupo de trabalho formado pela Coordenação-Geral de Saúde da Criança, porém, mesmo sem a regulamentação, a lei deve ser aplicada. A avaliação e a cirurgia são oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), assim como outros testes importantes como o do pezinho, da orelhinha e do olhinho.

Em Araguari, o Teste da Linguinha ainda não é aplicado. De acordo com a secretária de Saúde, Lucélia Aparecida Vieira Rodrigues, a rede pública disponibiliza os Testes do Pezinho, Orelhinha e Olhinho. “Nós fazemos esses exames, mas não temos previsão ainda para o Teste da Linguinha. Estamos esperando as orientações do estado. Precisamos saber para onde mandar o material, como vai ser feito e quais os laboratórios que serão credenciados”.

1 Comentário

  1. Poliana Plutarcho disse:

    Bom dia,

    Sou enfermeira neonatologista, especialista em amamentação e fiz o curso “TESTE DA LINGUINHA”, em outubro de 2013.
    Gostaria de saber se posso, como enfermeira, indicar a frenotomia, no caso de detectar um frênulo lingual curto que impeça o bebê de mamar.
    Como eu atendo bebês nos primeiros dias de vida, percebo que alguns necessitam, o mais precoce possível, realizar o procedimento.
    Gostaria de receber a regulamentação do Ministério da Saúde.
    Agradeço a atenção e aguardo!

Deixe seu comentário: