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Meu velho invisível

qua, 12 de novembro de 2014 00:01

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A perseguição a Denílson e as lembranças por trás de Brasil e Turquia. Foto: Divulgação

A perseguição a Denílson e as lembranças por trás de Brasil e Turquia. Foto: Divulgação

O relógio apontava as 8h quando meu terceiro despertador entrou em cena. Sempre hesitei ao decidir o som ideal para acordar. Alguns parecem testes cardíacos, outros se tornam trilha sonora de um sonho. Da janela, duvidei da minha lucidez ao perceber uma tempestade lá fora. Nada como um café às pressas para iniciar as atividades. É dia de jogo do Brasil e mais um duelo mineiro no cenário nacional.

Assim como todas as manhãs, me despedi dos meus cachorros e dirigi rumo à redação, onde só se falava de Atlético e Cruzeiro. Estava pronto para ouvir novas histórias e contá-las para julgadores anônimos. Do pacato, mas não menos individualista e egocêntrico trânsito da cidade, lembrei que deixei a janela do meu quarto entreaberta.

A chuva seria apenas a primeira surpresa do dia. Na esteira de escrever algo para o amistoso entre Brasil e Turquia, deparei-me com um belo retrato ao retornar. Ele sempre permaneceu na cabeceira da cama, ao lado do despertador, mas escondia algo que por muito me fez reservatório de lágrimas.

Momentos marcantes como o “teatro” de Rivaldo ao simular uma contusão, ou a perseguição de quatro adversários a Denílson na Copa do Mundo de 2002. Dos confrontos entre Brasil e Turquia, surgiram as últimas cenas que testemunhei junto ao personagem daquela fotografia.

Após 11 anos de invisibilidade, perdi o medo de tentar enxergar na ponta do lápis alguns de seus ensinamentos. O que diria aquele fiel torcedor do Vasco se visse seu time na terceira colocação da segunda divisão? Pior ainda, se depois daquele célebre esquadrão do Brasil de 2002, tivesse que aguentar vexames consecutivos em 2006, 2010 e 2014? Se me lembro bem, levaria no bom humor, como levava a missão de avô e pai.

*Em memória de
Waldivino Alves de Oliveira (1942-2003)

2 Comentários

  1. Cristiane Freitas disse:

    Texto tão bem redigido quanto poético!
    Perfeito PJ!!!

  2. Emmanuel Duarte " disse:

    Acredito que o bom redator (escritor, jornalista, cronista, ou qualquer um que escreve), é aquele que faz os pensamentos fluirem, aquele que nos torna parte daquele contexto. Seu texto demonstrou sua capacidade de nos tornar parte de algo e não apenas ler algumas palavras conectadas. Parabéns.

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