Segunda-feira, 28 de Setembro de 2020
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Historias de Uberlândia – Sem queijo e rapadura não tem jeito de consertar

qui, 10 de dezembro de 2015 08:57
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Linotipo ou linótipo é uma máquina inventada por Ottmar Mergenthaler em 1886, na Alemanha. Utilizadas em tipografias e gráficas de jornais eram, basicamente, monstruosas máquinas de escrever, que produziam em chumbo as linhas que seriam impressas. Depois de montadas essas linhas eram postas uma ao lado da outra formando as colunas das notícias. Os títulos eram feitos à mão, com as letras pinçadas uma a uma de uma gaveta. As páginas nasciam com as linhas de chumbo, os títulos e os clichês, placas de metal com gravuras. Eram montadas dentro de um quadrado de ferro de, mais ou menos, três centímetros de altura e eram colocadas, de duas em duas, emparelhadas na mesa da impressora.

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A impressora era composta de diversos rolos. Por seis deles, a tinta se espalhava para tingir a superfície das páginas de chumbo. Um outro, enorme, bem pesado, conhecido por cilindro, prensava as folhas sobre as páginas umedecidas de tinta. O impressor, utilizando a mão esquerda, pegava folha por folha de uma resma depositada sobre a impressora e colocava-as em cima das páginas de chumbo. Fazia isso com rapidez, porque a máquina era apressada. E aquela mesa suja entrava e saia da impressora. Os rolos girando, o cilindro apertando a folha em branco nas páginas de chumbo.

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Na mão direita, o impressor tinha um pauzinho liso que passava com força sobre um dos cantos da folha de cima da resma. A folha levantava uma orelhinha e, a mão esquerda, com total sincronismo, pegava-a por essa orelhinha e colocava depressa em cima de umas varetas que a conduziam até a altura das páginas metálicas. Segundos depois, a mesa entrava na impressora. Era o balé homem-máquina, fazendo acontecer a mágica da palavra impressa.

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No princípio da década de 1950, na promissora cidade de Uberlândia, dois jornais competiam pela preferência dos cidadãos. O “Repórter”, pertencente a João de Oliveira, que era neutro, e  o “Correio de Uberlândia”, da família Garcia, que era ligado politicamente ao conservador União Democrática Nacional, UDN. Para apimentar o ambiente, em 1956, chegou um novo jornal, comprado de Uberaba. “O Triângulo”, pertencente a dois sócios, Renato de Freitas e Rafael Marino Neto. Renato era ligado ao Partido Social Democrático, opositor da UDN nas principais eleições nacionais. Rafael não era militante político, gostava de escrever e de andar em seu velho Jeep inglês que sobrou da Segunda Guerra Mundial, que ele chamava gringamente de “meu jaipe”. Nenhum dos dois entendia de jornal. Renato quase não aparecia na redação, que ficava por conta de Rafael.

Mas essa história não é sobre política. E sobre queijo e rapadura.

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O linotipo do “O Triângulo” era uma velha geringonça que, quando enguiçava, tinha que ficar parada, pois, na cidade, ninguém sabia consertar. Era preciso chamar um tal de Benone Pitta, de Ribeirão Preto. O famoso cilindro, então, era uma complicação só. Ele era envolto num tipo de borracha especial, firme e macia. Dificilmente ele estragava, mas a borracha, às vezes, endurecia ou rasgava e precisava ser substituída. A matéria-prima tinha que ser derretida em banho-maria. A massa mole era esparramada em cima do cilindro com muita técnica para que não ficassem desníveis.

Um dia, o cilindro da impressora lascou. O Alberto de Oliveira, experiente, que conhecia tudo de uma velha oficina de imprensa, chamou o Rafael, que não entendia muita coisa de jornal e muito menos ainda da intrincada mecânica da impressora.

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- Olha, seu Rafael, estamos perdidos. O cilindro quebrou, nós temos um pouco de borracha sintética aí, eu e o Parreira podemos prepará-la e aplicá-la. Amanhã, nós vamos fazer isso, mas sem queijo não tem jeito de fundir e chegar no ponto que é preciso. Outra coisa que não pode faltar é a rapadura. Sem ela, nem adianta fundir a borracha.

O Rafael, preocupadíssimo, saiu dizendo:
- Não se preocupe, eu pego o meu jaipe e vou buscar, já, esse queijo e essa rapadura.

Primeiro trouxe o queijo.
- Preocupa não que vou procurar a rapadura.

2 Comentários

  1. Paulo Machadinho disse:

    Show. Curiosidades do passado são ótimas. João de Oliveira avô de minha esposa.

  2. Raquel disse:

    Bom dia

    Foi uma surpresa ouvir relatos sobre o meu avô, Rafael Marino Neto, procurei tanto e não achava nada sobre ele, apenas seu que era gringo, rss
    Estou e buscá de informações da família para montar a nossa árvore genealógica, estou buscando nos cartórios da cidade, mas não tenho nenhuma data.
    Você teria mais informações sobre ele e a família?

    Aguardo seu contato
    Att. Raquel

    11 985842917

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