Quinta-feira, 26 de Março de 2026 Fazer o Login

Gasolina adulterada é alvo de reclamação de araguarinos

qua, 6 de junho de 2018 05:34

por Tatiana Oliveira

Oficinas recebem veículos com problemas devido à combustível com excesso de água

A crise de abastecimento gerada pela paralisação dos caminhoneiros provocou diversas consequências na cidade. Uma delas, reportada por alguns leitores, é que existiam poucas opções de postos de combustível e que alguns locais estavam com a gasolina ou álcool adulterado. “Foi só abastecer que meu carro começou a falhar e tive que trocar a sonda do carro e sensor de combustível”, afirma uma moradora em rede social.

A Gazeta do Triângulo entrou em contato com Paulo Scharf, mecânico; ele afirmou que os danos podem ser causados à bomba de combustível, bicos injetores, filtros e pré-filtros (chegam a derreter), e que parte do combustível pode entrar no motor e contaminar o óleo. “As partes mais afetadas do veículo são aquelas que tem contato com o combustível, mas pode até causar danos ao próprio motor ou, em casos mais graves, fundir o motor”, coloca.

Postos são obrigados a fazer teste do Inmetro, caso solicitado

Postos são obrigados a fazer teste do Inmetro, caso solicitado

 

Gabriel Lima, estudante, abasteceu o veículo durante a paralisação e relata ter se arrependido. “Eu não tinha opção, pois,como o tanque estava vazio, fui em um posto que eu não confiava. Ainda não tive problemas no carro, mas fui pegar um pouco da gasolina que havia colocado em um galão para emprestar a um amigo e ela estava quase transparente”, relata.

Thiago Noe aconselha em redes sociais que as pessoas peçam nota fiscal. “Atenção pessoal de Araguari: posto de combustível com gasolina adulterada. Peçam cupom fiscal logo após o abastecimento, pois fui em um determinado posto abastecer na sexta-feira e o meu carro apresentou problemas mecânicos. Tirei um pouco de gasolina para ver e estava com bastante água”, coloca. Juliano Morais Cardoso compartilha o mesmo tipo de relato. “Abasteci minha moto e também deu problema; tive que tirar a gasolina e estava com água também”.

De acordo com o diretor de fiscalização do Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor – Procon – Cláudio Rodrigues, nesses casos o consumidor deve pedir o teste do Inmetro e/ou levar o veículo a uma autorizada solicitando um laudo sobre a adulteração. “Ocorreu uma denúncia aqui essa semana e foi passado dessa forma para o consumidor. Se tiver comprovado que está adulterado, solicitaremos que o posto faça a análise do Inmetro”, explica.

Segundo ele, todo posto de combustível é obrigado a realizar o teste antes de descarregar o produto do caminhão-tanque nas bombas. “Essa adulteração pode ser realizada depois disso. Como não temos o curso de avaliação da qualidade do combustível, que só pode ser feito pela Petrobras, não podemos realizar o teste e isso deve ser feito no Posto”, coloca.

As recomendações da ANP na hora de abastecer são várias, dentre elas procurar o selo do Inmetro, que afere se o volume marcado é o mesmo abastecido no tanque do veículo. Outro conselho é exigir a nota fiscal, que prova onde foi comprado o produto e a identificação exata do produto.

O carro fala

Assim como o corpo dá sinal de doenças, existem sinais perceptíveis nos veículos que podem indicar problema com o combustível, seja por adulteração ou má conservação. São eles: falha da partida, consumo elevado e perda de potência.

Desconfiou, peça um teste

Caso você desconfiede diferença entre a quantidade de combustível que pagou e a que realmente foi colocada no tanque, peça ao posto para testar a bomba na sua frente. Ele não pode se negar a fazer esse teste de vazão. Deve ser usada a medida padrão de 20 litros aferida e lacrada pelo Inmetro, sendo que a diferença máxima permitida é de 100 ml para mais ou para menos. Se for maior, entre em contato com a ANP.

O posto também não pode se recusar a fazer o teste da proveta, que determina a qualidade da gasolina ao medir a porcentagem de etanol misturado. No caso do etanol, verifique se o combustível está límpido, isento de impurezas e sem coloração alaranjada.

Se você suspeitar de irregularidades, faça uma denúncia à ANP pela internet ou pelo telefone 0800 970 0267 (ligação gratuita). Quanto mais informações sobre o posto, melhor. Por isso é importante ter a nota fiscal, onde aparecem dados como CNPJ, razão social, endereço e distribuidora. Você pode consultar a relação completa de postos autuados ou interditados no site da ANP.

De acordo com a ANP, as principais fraudes e adulterações são:

– Etanol: uma adulteração muito comum é vender, no lugar do etanol hidratado (o combustível correto), uma mistura de etanol hidratado com etanol anidro (aquele que é misturado à gasolina, de cor alaranjada). Ou pior, uma mistura do etanol anidro com água, o chamado “álcool molhado”. Somente a gasolina pode receber essa adição de etanol anidro, o que é previsto por lei na proporção de 27%.

– Gasolina: a adulteração mais comum é o excesso de etanol anidro, adicionado em uma porcentagem acima da máxima permitida por lei, atualmente de 27%. Na gasolina premium, essa porcentagem é menor, de 25%. Além disso, podem ser adicionados solventes à gasolina.

– Óleo diesel: o problema mais frequente com o diesel é o seu aspecto, que deve estar límpido e isento de impurezas. E em função do tipo de diesel, varia a quantidade de enxofre. O S-500, por exemplo, tem 500 partes de enxofre por milhão, enquanto o S-10 tem 10 partes por milhão.

– Em todos os combustíveis: também é comum a modificação da bomba, chamada “bomba baixa”, para que a quantidade de combustível abastecida no tanque do carro seja menor do que a registrada na bomba. Ou seja, você paga mais e leva menos.

Nenhum comentário

Deixe seu comentário: