Ficha Técnica – SÓ PRA CONTRARIAR
qui, 14 de abril de 2016 08:46
Atende ao telefone na sala de estar. Mais uma barganha para lucrar. Elegância no trato, e o Instagram para denunciar. No clima temperado com ar condicionado, a mesa forrada com a toalha bordada, toma o café. Um beijo na esposa, outro no filho. O dia começa assim. Carro importado, ônibus lotado, ciclista derrubado. É o trânsito na Cidade Jardim. Parado sob o Sol, o menino se aventura no farol, e o rapaz se pergunta – será que prefere isso a jogar futebol?
Meritocracia. É o que defendem no país da hipocrisia. Desigualdade social é como uma droga proibida. Por vezes caminha ao lado, mas passa despercebida. Terra abençoada, devastada por uma guerra de egocentrismo. Racismo. Entre brancos, pretos, pobres e feridos, tem na cultura e no esporte sua principal fonte de humanismo. Vôlei, rugby, futebol, natação e atletismo.

Após campanha entre o céu e o inferno do Uberlândia Esporte, torcedores voltam à realidade
Foto Uberlândia Esporte Clube
Há um mês, uma corrente alviverde desfilava entre lojas, feiras e botequins. Consumo. No maior pólo atacadista da América Latina, as vendas de camisa disparavam a torto e a direito. Orgulho. O futebol do interior representado. Em resposta ao silêncio de anos no estádio, a euforia. Desabafo. O barulho que emanava das arquibancadas era como um grito engasgado. O caminho estava trilhado. Mas assim como a Companhia de Ferro nos tempos áureos do café, a locomotiva do Furacão Verde da Mogiana descarrilou.
Durante aqueles dias, todas as mazelas abrigadas na cidade eram jogadas para escanteio, ao menos durante 90 minutos. As resenhas tinham recheio, e a torcida alimentava anseio. Eram líderes até a sexta jornada, mas bastou o primeiro tropeço para partir em queda livre. Naquele momento, ninguém mais se encontrava. Estavam todos estacionados nos 12 pontos e sem armas para lutar. Entre o céu e o inferno, a realidade voltou.
Centro privilegiado entre as principais capitais do país. Privilégios distribuídos nas mãos de poucos. A segunda cidade mais populosa do interior do estado, mas carente de ser humano. Nos gestos, glamour. Nos pratos, gourmet. Entre o caviar e o que vier, continuarão a se perguntar – por que o menino do farol não prefere jogar futebol? De certo, é só pra contrariar.
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