Ficha Técnica – O anfitrião é travesso
qua, 17 de agosto de 2016 05:48
Chega a hora em que os segundos valem ouro. Disseram que o tempo é senhor da razão. Prefiro crer em boca seca, nó na garganta, frio na barriga. O relógio despenca. Para uns, aliado. Para outros, ameaça. Ávido, sereno, gélido. O atleta caminha para o almanaque do esporte quando um grito emerge do silêncio. Áspero, imaturo, repugnante como um crime hediondo, mas com o selo nacional de qualidade – “Vai Corinthians!”. Quem dera se a situação do país permitisse-me dizer que o melhor do Brasil é o brasileiro.

Emocionado, Novak Djokovic agradece apoio da torcida brasileira no tênis
Rio de Janeiro, Estádio Olímpico Nilton Santos. Um francês acostumado a ganhar demais e tomar banho de menos sorri. Multicampeão, soberano. Estufa o peito como o rei da selva no salto com vara. Sorriso aqui, piscada acolá. Faltava uma tentativa. Um oponente. Outro brasileiro renegado pelo Estado, mas abençoado por Deus. Se existe um castigo autenticado pelo espírito olímpico é o de quem conta vantagem antes da hora. Na disputa entre o caviar e o que vier, Thiago Braz é ouro para o Brasil!
Quebra-se o silêncio. A fúria emana de cada poro. A aflição que tomava conta do rival agora contagia seu corpo. Sob vaias dos brasileiros, o francês Renaud Lavillenie corre literalmente atrás do tempo perdido. Em vão. No caminho para o vestiário, ele aceita a derrota, mas não esconde a insatisfação com a atitude da torcida – “Falta de respeito. Não é digno de um estádio olímpico” – manifesta.
De fato, poucos atletas estavam acostumados ao calor brasileiro, nem mesmo nossos conterrâneos. No tênis, gritar “Uh, ta maneiro, Djokovic é brasileiro!”. Na esgrima, “Uh, fura ela!”. No boxe, enquanto alguns tremem aos cantos conhecidos do UFC de “Uh, vai morrer”, o equatoriano Carlos Mina é homenageado com “Pelados em Santos”, dos Mamonas Assassinas. Para a goleira norte-americana Hope Solo, que brincou com a situação do Zika Vírus no país, um sonoro “Ole, ole, ole, olá, zika, zika”.
Alguns atribuem à postura dos torcedores a “cultura” do futebol levada a ferro e fogo. Certamente é mais uma peculiaridade de um povo carente de esporte, muitos dos quais sequer vivenciarão migalhas disso de tão perto. Gente que sabe reverenciar seus ídolos, como Phelps, Bolt e Simone Biles, e abre os braços para novos heróis olímpicos, como Rafaela Silva e Thiago Braz. Caro gringo, perdão pela confusa cortesia, mas aqui torcida é mais que fantasia. Este ano, o anfitrião é travesso.
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