Ficha Técnica – Lembranças de São Paulo
qua, 21 de setembro de 2016 05:57
Uma névoa gélida e úmida povoa as ruas. Ao mesmo tempo, um calor de verão invade a primavera. Por trás da cortina de fumaça, um senhor cede à tragédia anunciada. Com os olhos atônitos, a voz embargada. Parece viver sob um roteiro confuso de romance, feito “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago. Entre tantas sensações fora de época, uma estava com os dias contados. É quarta-feira de cinzas nas Alamedas do Canindé.

Estádio Doutor Oswaldo Teixeira Duarte – Canindé
A primeira vez que pisei na cidade de São Paulo foi com uma excursão da escola. Um dos destinos era o Museu do Futebol, no estádio do Pacaembu. Nem a selva de pedras, estonteante para um caboclo do interior, tampouco a vasta curiosidade que me saltava aos olhos, sobrepunham meu flagrante. Às margens do Tietê, tingido de verde e vermelho, avistei o estádio do Canindé. Era a casa da Associação Portuguesa de Desportos, e as primeiras boas-vindas da capital paulista desde então.
Imbatível nos anos 50, soberana em 70, vice-campeã brasileira em 96, e “Barcelusa” em 2011. Vitrine da seleção. Berço de Djalma Santos a Dener, Julinho Botelho a Ivair “O Príncipe”. Zé Roberto a Enéas “O Homem Gol”. De pranchetas de Aimoré Moreira a Zagallo. Nem mesmo ídolos de outras cores, como Rivellino e Dinamite, hesitaram ao ter a chance de vestir o manto rubro-verde. O problema é que a bola pune e, após 12 tropeços, derrubou a última luz que restava acesa no fim do túnel.
Rebaixada para a quarta divisão após perder para o Tombense, no interior de Minas, a Portuguesa passa a escrever os piores capítulos de sua história. O time de 96 anos, que sofreu seu primeiro descenso apenas em 2002, agora lida com três rebaixamentos consecutivos. Desde o “Caso Héverton”, em 2013, foram quatro presidentes, mais de 150 jogadores e até 15 treinadores. Seu principal patrimônio, o Canindé, agora terá parte leiloada para quitar dívidas.
O fundo do poço abre as portas para a Portuguesa de Desportos. A gloriosa bandeira verde encarnada agora enxuga as lágrimas da laboriosa colônia paulista. Derrotada no campo, nos tribunais e transformada em balcão de negócios. Que assim como em toda a sua história, a lusa possa aprender a se reerguer. Para que a cruz de seus brasões volte a brilhar, a torcida a cantar, e eu receber minhas eternas boas-vindas em São Paulo.
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