Ficha Técnica – Doido da corrida
qua, 16 de março de 2016 08:47
São quatro e meia da manhã. Hora de acordar para Ricardo. Levanta, toma um café às pressas e apruma. Ainda tem quase sete quilômetros até o trabalho. Vai de bike ou a pé, conforme o dia. Sob o uniforme de gari que enverga há 12 anos, guarda uma esperança para o esporte local. Mesmo assim, prefere manter a simplicidade numa era de frustração para quem somente cultua o material.

Ricardo após vencer circuito de 10 km no último fim de semana em Uberlândia (Créditos: Mauro Marques)
Desde 1987, Ricardo de Melo Rodrigues encontrou nas ruas de Araguari mais que um trajeto comum em sua rotina. Enxergou uma estrada cujos pés pavimentariam por mais 30 anos. Começou a competir em corridas da região e não parou mais. Frequentou o lugar mais alto do pódio em capitais e no interior e chegou ao sexto lugar brasileiro, competindo com atletas olímpicos como Franck Caldeira e Marilson Gomes dos Santos.
Apesar da coleção de quase mil troféus, Ricardo não abandona a profissão de gari – “Meu time é formado por quatro coletores e um motorista”, brinca. Desde que perdeu o pai há três anos, decidiu manter o sonho de infância. Orgulho da mãe dona Vicentina, casado há quase 22 com Marlene, com quem teve Talisson, de 20 anos e Taynara, de 18. Em casa, não gosta de televisão. Prefere ouvir “A Voz do Brasil”.
Sobre as manifestações do último domingo, diz respeitar quem saiu às ruas que ele conhece tão bem. Mesmo assim, confessa não compreender alguns – “Essa roubalheira é antiga. A maioria protesta sem saber o que passamos tempos atrás. Hoje, somente com o dinheiro das corridas, consegui comprar um carrinho para passear com a patroa e meus meninos. A verdade é que todos erram, mas muitos preferem olhar para a falha do outro do que enxergar o que fazem de errado diariamente”.
Negro de coragem, gari por dignidade, atleta campeão. Sem muitos rodeios, rebate com passos largos cada ato de preconceito, seja num circuito ou atrás de um caminhão. Por suas ‘aventuras’ no país, Ricardo é reconhecido como “Doido da Corrida” pelos colegas de trabalho. Nesse caso, a “loucura” não seria nada desvairada. Afinal, como parecer normal, sobrevivendo do esporte local?
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