Ficha Técnica – De alma, tens um arsenal
qui, 9 de março de 2017 05:22
Três meses. Esse foi o tempo da primeira final internacional da Chape que não existiu até a estreia no principal torneio de clubes do continente. Se estivesse vivo, o técnico Caio Júnior completaria 52 anos nessa quarta-feira, dia 8. Certamente, transbordaria de orgulho diante daquilo que os novos detentores do manto alviverde se propuseram a fazer. Cabeça erguida, bola para frente, volta por cima, e uma arma que defesa alguma no mundo conseguirá neutralizar. O sonho continua.
Quando aqueles onze personagens entraram em campo no estádio Encarnación Romero, na Venezuela, deparei-me novamente com a pequeneza que me rodeia. Um universo onde quem detém, desdém, enquanto outros seguem em frente com o que de mais nobre podem oferecer. Mulher de fibra, aguerrida, sem tantos rodeios, a mãe professora ensinava os filhos a sempre valorizar cada detalhe que nos cerca. Talvez por essas e outras, tornei-me jornalista, e eximo-me a enxergar os novos heróis de Chapecó sem entoar o espírito do índio Condá. As quatro linhas do campo nunca foram tão infinitas.
Quando Reinaldo pediu a bola aos 32 do primeiro tempo, a maioria de seus companheiros seguiram para o ataque a espera de um desvio para enganar o adversário. A falta pelo flanco direito indicava mais um cruzamento de um time que desde o apito inicial não abdicou de jogar. Com a perna canhota, Reinaldo, de olhar sisudo e bigode moralizante, espantou qualquer prognóstico e bateu direto. Com o goleiro batido, o zagueiro rival tentou salvar o inevitável, sem sucesso. Estava assinalado o primeiro tento da Chapecoense na Libertadores da América.

A vitória histórica da Chapecoense na Libertadores
*Juan Barreto AFP
Na cabine de rádio, Rafael Henzel, sobrevivente da tragédia recente, era a tradução do sentimento mais puro da superação. “Meu coração transborda de alegria”, esbravejava aos ouvintes. Uma voz que certamente era uma alento para os corações alviverdes apenas por ressoar dali em 43 anos de história. Ainda assim, faltava completar mais 90 minutos.
Certa feita, o jornalista Luiz Muilla alertou que o pior resultado é aquele em que achas que tudo está ganho. “Nunca subestime um time que está perdendo por 2 a 0”, dizia, como se profetizasse uma sina daquela noite. No mesmo horário da Chape, Atlético Paranaense batia os chilenos e a seleção brasileira sub-17 arrebentava com os paraguaios pelo placar obscuro. Ambos cederam o empate. A Chapecoense, que vencia os venezuelanos por dois gols, até viu os rivais diminuíram a vantagem, mas não deixaria a vitória escapar. Entre um grito e outro, jogadores corriam, pulavam e se lançavam contra a bola como se fosse a última. O sonoro apito final foi o convite para o abraço mais apertado de suas carreiras.
De um time que há oito anos disputava a quarta divisão do campeonato brasileiro, o Furacão do Oeste catarinense sopra forte rumo a novos caminhos da América. Enquanto a estrada começa a ser novamente pavimentada, a cidade de 200 mil habitantes encontra outros nomes e motivos para sorrir. Agora a principal arma está na alma, e nela tens um arsenal. Seja bem-vinda de volta, Associação Chapecoense de Futebol.
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