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Farmácia Municipal envia mais de 5 toneladas de remédios vencidos para incineração esse ano

qua, 22 de fevereiro de 2017 05:22

por Stella Vieira

Quantidade de medicamentos recolhida entre os meses de junho e dezembro de 2016 chega a 4.000 kg

Os vereadores Cláudio Coelho (SD) e Wesley Lucas Mendonça (PPS) apresentaram, nessa terça-feira, 21, durante a sessão da Câmara Municipal, requerimentos solicitando informações sobre a Farmácia Municipal e a quantidade de medicamentos vencidos na gestão anterior. Segundo informações levantadas pelos edis, desde o segundo semestre do ano passado até o momento, mais de cinco toneladas de remédios foram incinerados.

De acordo com o vereador Wesley Lucas Mendonça, durante a gestão passada, vários usuários da Farmácia Municipal reclamavam da falta de medicamentos. “Estou solicitando cópia do contrato com a empresa que recolhe os remédios para o processo de incineração e por quais motivos foram incinerados. Também solicitei a relação dos medicamentos que porventura venceram ou estão perto do prazo de vencimento na gestão atual, porque vemos que estão faltando medicamento e mesmo assim muitos foram desperdiçados”.

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Os dados levantados pelo vereador mostram que no segundo semestre de 2016, mais de 4 toneladas de medicamentos vencidos foram incinerados. Em junho a empresa realizou três coletas sendo uma no dia 6 (121 kg), outra no dia 23 (616 kg) e outra no dia 27 (79 kg).  Em julho foi realizada uma coleta no dia 5 (260 kg) e em agosto três coletas nos dias 8 (78 kg), dia 22 (87 kg) e dia 29 (70 kg). Em setembro foram realizadas coletas nos dias 5 (287 kg), dia 19 (14 kg) e dia 26 (199 kg). No mês de outubro, a empresa recolheu 31 kg no dia 3 e 100 kg no dia 17. Além disso, apenas em novembro, foi recolhida mais de uma tonelada, sendo 266 kg (dia 21), 400 kg (dia 25) e 448 kg (dia 28). Em dezembro, foram incinerados 574 kg no dia 14 e 371 kg no dia 16.

O vereador Cláudio Coelho, presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, também apresentou um requerimento solicitando informações sobre a real situação em que a Farmácia Municipal foi deixada pela gestão anterior; relatório completo dos medicamentos; quais estavam vencidos; por que deixaram vencer os medicamentos; por qual motivo o município não distribuiu o que foi adquirido; qual o prejuízo para o município; quantas pessoas deixaram de ser atendidas pelo não fornecimento desses medicamentos; quem era o responsável pela compra dos remédios; quantas decisões judiciais não foram cumpridas e qual o prejuízo disso para o atual gestor Marcos Coelho (PMDB); como eram acondicionados os medicamentos; e como era feito o sistema de entrada e saída desses remédios.

Segundo o vereador, durante a semana foram levantados dados sobre os medicamentos que tiveram que ser incinerados esse ano, mas estavam vencidos desde a gestão anterior. (Confira ao lado). “Ficamos tristes de saber que por incompetência do gestor passado, mais de 5 toneladas de medicamento foram perdidas. É uma situação inadmissível, pois várias pessoas precisam de remédios e não encontram na Farmácia Municipal, enquanto outros, devido à negligência, foram incinerados porque não tinham mais como ser utilizados pela população”.

Cláudio Coelho ressalta que na farmácia foram encontradas ataduras mofadas, agulhas com embalagens abertas, fraldas vencidas, caixas de remédios molhadas e caixas rasgadas, além de muita sujeira no local. “É uma vergonha. Esses medicamentos deveriam estar na casa das pessoas e foram queimados por incompetência”. Durante a gestão passada, os vereadores solicitaram informações referentes aos medicamentos vencidos, porém, não receberam resposta. “Essa é uma situação pela qual passamos no governo anterior, em que nenhum de nossos requerimentos era respondido, então, não podíamos tomar as providências necessárias, mas a nova gestão é mais acessível”.

Além disso, o vereador afirmou que será realizado um levantamento de outros dados e valores para que possam ser tomadas providências quanto aos medicamentos vencidos. “Vamos analisar essa questão juntamente com as pessoas responsáveis e a secretaria de Saúde. Sabemos que as pessoas não receberam esses medicamentos e essa situação não tem volta, mas abriremos um processo, através do Ministério Público se for necessário, para obtermos um retorno”.

Dívidas

O vereador Wesley Lucas Mendonça acrescenta que entrou em contato com a secretaria de Saúde do Estado e foi informado de que há dificuldades no contrato entre o Estado e o município devido a algumas dívidas da gestão anterior. “Existem três dívidas de R$ 27 mil referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro que não foram pagas, mas não consigo entender o motivo pelo qual essas dívidas extremamente pequenas, mas que podem prejudicar o município, não foram quitadas”.

Confira a lista de alguns medicamentos e utensílios vencidos em 2016:

Medicamento/utensílio Quantidade
Agulhas e espéculos médios 8.320
Espéculos pequenos 3.600
Escova cervical (exame ginecológico) 1.396
Atadura ortopédica (mofadas) 2.816
Coletores de urina 430
Acetoflux 10 mg (anti-coagulante) 4.800
Carbonato de Lítio 300 mg (bipolaridade) 6.500
Clorpromazina 25 mg (depressão) 15.400
Furosemida Ampola (diurético) 3.500
Levotiroxina 100 mg (tireoide) 102.240
Osteoform 70 mg (osteoporose) 9.360
Verapamil 80 mg (tratamento para cardíacos) 8.000

 

2 Comentários

  1. Janis Peters Grants. disse:

    Prezada Stella Vieira,

    Que ABSURDO de matéria, hein ?!

    TOMARA que, assim como no caso do Hospital Municipal de Araguari, O QUE NÃO TEM REMÉDIO, REMEDIADO ESTARÁ …

    ( PRESCRICYONOL. A população deverá utilizar 365 unidades ao ano, durante quatro anos. Ou vinte, se preferirem. )

    – Ah !!! Sim, trata-se de SUPOSITÓRIOS.

    Atenciosamente,
    Janis Peters Grants.

  2. Thiago disse:

    Deveriam inspecionar o galpão ao lado da Golfinho de Ouro no Bairro Goiás. Dizem que lá também tem material estragando.

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