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Falta de estrutura familiar dificulta aprendizagem efetiva dos alunos

sáb, 14 de outubro de 2017 05:29

por Mel Soares

Professor faz declarações sobre a nova geração de estudantes; desrespeito e não comprometimento com a escola estão entre os transtornos enfrentados no contexto escolar

Neste domingo, 15 de outubro, é comemorado o Dia do Professor. Como forma de homenagear a classe e também evidenciar os principais desafios vividos pelos mestres, a reportagem conversou com Adriano de Faria Alves, que é formado em Letras. Apesar de ter iniciado a carreira há poucos anos, em 2014, o araguarino demonstra amor ao ser engajado em superar as dificuldades e lutar politicamente por uma profissão mais valorizada. Confira a entrevista na íntegra.

Apesar de exigir respeito em sala de aula, o professor Adriano consegue manter uma relação amigável com os estudantes

Apesar de exigir respeito em sala de aula, o professor Adriano consegue manter uma relação amigável com os estudantes

 

 

O que você, como professor, tem a comemorar neste dia 15 de outubro?

O professor no Brasil não tem muito o que comemorar, pois a educação tem sofrido duros golpes do atual Governo Federal. A educação pública está em condições precárias, principalmente após a aprovação, em dezembro do ano passado, da PEC 55, congelando os gastos sociais e no caso da educação compromete duramente os investimentos nessa área, e nós sabemos que sem dinheiro a educação pública fica imensamente prejudicada. Portanto, neste sentido, não há o que comemorar.

Quais são os principais desafios no contexto de sala de aula?

A indisciplina, mesmo porquê ela compromete a aprendizagem. A atual geração é bastante inquieta, não sabe se concentrar, manter o foco.

A falta de valorização do professor quanto a remuneração é outro problema enfrentado?

Sim. Quando se fala em valorização do professor a primeira questão que vem à mente das pessoas é a salarial, e sim, ela é importante, pois é um trabalho extremamente difícil e exige uma dedicação que ultrapassa as paredes da sala de aula. Infelizmente a lei 11.738 de 2008, que estabelece a atualização anual do piso nacional do magistério, ainda não é realidade para muitos professores brasileiros. A questão salarial não é primordial, mas é o que nos sustenta, nos possibilita ter uma vida mais digna.

Na sua opinião, o que de fato é o mais importante quando se fala em valorização do professor?

O respeito. É preciso que se faça uma reflexão e conscientização urgente sobre o respeito tanto por parte dos alunos quanto dos pais. Tivemos vários casos de agressões tanto verbal quanto física e isso demonstra o total desrespeito ao professor.

Pela sua experiência, a falta de estrutura familiar interfere na aprendizagem do aluno?

Interfere, e muito. Uma criança ou um adolescente que não possui amparo emocional e material adequados apresenta muita dificuldade no ambiente escolar, sem dúvida. Por isso, a família deve ser parceira e aliada da escola, precisa ser participativa e se responsabilizar, se comprometer junto com a escola pela formação deste cidadão.

Questionado sobre algo que marcou a sua carreira, o professor destaca os momentos em que se sentiu valorizado pelos seus alunos. Ele relembra um depoimento escrito em rede social por Geovanna Araújo. Confira:

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