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Engenheiro afirma que irregularidades na infraestrutura do município podem causar acidentes

ter, 23 de setembro de 2014 03:01
Os postes de seção H são mais econômicos, porém, precisam ser instalados corretamente. Foto: Gazeta do Triângulo

Os postes de seção H são mais econômicos, porém, precisam ser instalados corretamente. Foto: Gazeta do Triângulo

DA REDAÇÃO – O engenheiro civil, José Radi Neto, ex-secretário de Obras da Prefeitura, apontou diversas irregularidades na infraestrutura do município, envolvendo a instalação incorreta de postes de iluminação de seção H e a falta de estabilidade na estrutura das residências construídas pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”.

De acordo com o profissional, existem dois tipos de poste de iluminação no município: os de seção circular (70%) e os de seção H (30%). Os postes de seção H são mais econômicos, porém, precisam ser instalados corretamente. “Observei que os cabos dos postes estão na direção do sentido de menor inércia da seção. Esse fato consequentemente produz uma deformação excessiva na ponta dos postes, de aproximadamente 80 cm, que deveria ser no máximo de 3 cm. Essa irregularidade pode levar a uma ruptura, causando curto circuito na rede”.

O engenheiro comenta que mais da metade dos postes de seção H do município foram instalados no sentido contrário ao que recomenda a Norma Brasileira de Projetos de Estrutura de Concreto (NBR6118), e acrescenta que, caso haja uma colisão com um veículo, existe uma grande possibilidade de queda do poste. “Eles são projetados para não caírem em casos de acidentes, mas foram instalados incorretamente. Alguns estão tortos, trincados e com grandes rompimentos”.

Residenciais “Minha Casa, Minha Vida”

Segundo o profissional, as construções dos residenciais do programa “Minha Casa, Minha Vida” também possuem diversas irregularidades. “Notei que as residências não receberam elementos importantíssimos para a estabilidade da estrutura e para evitar a infiltração de água. Faltam colunas, vergas, contravergas, vigamento de respaldo das paredes e impermeabilização das vigas baldrames”.

O engenheiro comenta que apesar de terem sido construídas fora da norma da Caixa Econômica Federal, as moradias foram aprovadas pelos fiscais. “O projeto foi aprovado, mas está faltando peças nas residências. Futuramente as casas vão trincar, a umidade vai entrar nas paredes, elas vão mofar e pode até ocorrer um desabamento. O meu intuito não é prejudicar ninguém, mas sim alertar as pessoas para que as próximas casas sejam construídas de acordo com as exigências”.

Posicionamento da Prefeitura

O secretário de Planejamento, Orçamento e Habitação, Nilton Eduardo Castilho, afirma que a declaração é improcedente, porém, em respeito à capacidade profissional do engenheiro, todos os órgãos responsáveis pelas obras foram notificados: Banco do Brasil, Caixa Econômica, Tenco, Pizzolato e CEMIG.

De acordo com o secretário, a fiscalização das obras é realizada mensalmente pelo Governo Federal, através dos departamentos de engenharia dos órgãos responsáveis, e não pela Prefeitura. O Portal dos Ipês é fiscalizado pelo Banco do Brasil e o Bela Suíça é fiscalizado pela Caixa Econômica. “A declaração causou estranheza, pois o ex-secretário atuou na Prefeitura durante um ano, conhece o funcionamento do sistema e jamais manifestou tais acusações”.

A Prefeitura obteve uma pré-resposta da Pizzolato e está aguardando as justificativas formais dos demais órgãos para refutar publicamente as acusações. “A fiscalização é rigorosa e todos os imóveis possuem garantia mínima de cinco anos. Alguns defeitos podem aparecer com o tempo, mas a construtora irá consertá-los. Nosso objetivo é garantir total segurança e qualidade do empreendimento. Eu me comprometo a apresentar nos próximos dias as justificativas formais das empresas responsáveis”.

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