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Distúrbios do sono podem colaborar para o declínio cognitivo de idosos

qua, 1 de agosto de 2018 05:08

Abertura-saude-alerta

Com o processo de envelhecimento humano observam-se alterações em características do sono e no desempenho cognitivo. Com relação à variável sono, mudanças na velhice podem ser observadas em diversos níveis da arquitetura  e qualidade do sono.

A eficiência do sono diminui; os despertares após início do sono aumenta e existe dificuldade para adormecer novamente; os idosos acordam e levantam mais cedo, necessitam de cochilos breves durante o dia, há diminuição da amplitude da ritmicidade circadiana  e ainda, um aumento do uso de medicações hipnóticas (dentre eles, zolpidem).

Em adição, transtornos do sono apresentam-se com alta prevalência entre a população idosa, principalmente insônia, síndrome da apneia.

Consequentemente, o impacto de alterações do sono sobre a cognição pode implicar em uma pior qualidade de vida para a população idosa, uma vez que pode resultar em perda da capacidade funcional e da autonomia, quedas, diminuição dos relacionamentos sociais e do bem-estar subjetivo.

Adicionalmente, perda cognitiva tem sido apontada como um fator de risco para mortalidade entre idosos.

Hoje, nesta coluna vamos falar da Apneia do Sono.

As pessoas idosas que têm apneia do sono, comumente marcada por ronco pesado, tendem a apresentar o início de um declínio cognitivo cerca de 10 anos antes do que aqueles sem o problema ou aqueles que usam uma máquina de respiração para tratá-lo, de acordo com um estudo americano.

Entre idosos que desenvolveram transtorno cognitivo leve ou doença de Alzheimer, aqueles com respiração obstruída durante o sono que não foi tratada começaram a passar perda mental com uma idade média de 77 anos.

Os indivíduos sem a apneia do sono que desenvolveram Alzheimer ou outro transtorno cognitivo experimentaram problemas de memória somente a partir dos 90 anos.

Não acha-se que o ronco seja o causador da demência,segundo estudo norte americano .Descobre-se que nas pessoas que relataram apneia do sono e não foram tratá-la, a idade da perda foi mais cedo.

Os distúrbios respiratórios do sono são muito comuns entre os idosos, afetando cerca de 53% dos homens e mais de 26% das mulheres.

Os pesquisadores revisaram o histórico médico de quase 2.500 pessoas com idades de 55 a 90 anos que foram inscritas em um estudo sobre a doença de Alzheimer e reavaliados a cada seis meses.

Participantes relataram diagnóstico de apneia do sono ou apneia obstrutiva do sono e se eles usaram uma máquina para respiração contínua durante a noite.

Na apneia do sono como a entendemos, a maioria das pessoas pensa que só afeta homens obesos e que roncam na meia idade, mas é muito mais comum na idade avançada.

Segundo a pesquisa, o problema é pouco reconhecido e muitas vezes subdiagnosticado e esses resultados podem ajudar a sensibilizar, mas não devem ser alarmantes para a maioria das pessoas.

O estudo não estabelece a causa e o efeito, e a Doença de Alzheimer por si só pode causar problemas de sono. Mas se problemas de sono levam ao declínio cognitivo, isso pode ser pela privação de oxigênio ou a fragmentação do sono.

Apneias fazem você acordar e assim você não consegue ter um sono restaurador agradável.

O estudo contribui para a crescente evidência de que a apneia obstrutiva do sono não é apenas “uma doença grave e séria associada com morbidade ou mortalidade cardiovascular, mas também com a saúde do cérebro e a cognitiva.

A manutenção do bom funcionamento das funções cognitivas é um determinante crucial para a qualidade de vida e envelhecimento bem-sucedido.

Vamos cuidar do nosso sono, pois dormir bem e com qualidade pode salvar muitos neurônios. “O seu cérebro agradece”.

 

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