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DIREITO E JUSTIÇA – 19 DE MARÇO

qui, 19 de março de 2026 08:00

Ninguém Aprecia a Verdade Nua e Crua

A Mentira e a verdade já andaram juntas…                A Verdade nua e crua demora, mas chega…

 

Mitologia e alegoria:

Aletheia (Grécia), a deusa grega da verdade, desvelamento ou revelação; — Veritas (Roma), a deusa romana da verdade, muitas vezes retratada como uma virgem nua, ou com um espelho; — Maat (Egito), a deusa egípcia que representa a verdade, a harmonia cósmica e a justiça; — A espada da verdade, frequentemente usada em representações alegóricas para “cortar a ilusão”.

Símbolos da Verdade:

O espelho: simboliza a sinceridade e a pureza de refletir as coisas como as mesmas realmente são; — a tocha: representa a luz da verdade, iluminando o conhecimento; — o sol: frequentemente associado à Verdade (como no caso de Apolo); — a balança: frequentemente usada para representar a justiça e a verdade.

A Verdade nua, saindo do poço:

– “A Verdade saindo do poço, armada com seu chicote, para castigar a humanidade”, é um quadro de 1896, do pintor francês Jean Léon Gérome. A obra retrata uma mulher nua saindo de um poço, simbolizando a Verdade nua e crua, armada para castigar a humanidade, após ser escondida, ligando-se a uma parábola de que a Verdade e a Mentira encontraram-se e decidiram tomar banho juntas, mas essa “amizade” durou pouco, pois a Verdade foi traída pela Mentira.

A parábola

– Conta-se que a Verdade e a Mentira, certa vez, encontraram-se. A Mentira convence a Verdade a tomarem banho juntas em um poço. Quando a Verdade entra no poço e descuida-se por um instante, a Mentira furta suas roupas e foge. A Verdade, recusando-se a vestir as roupas da Mentira, sai do poço nua, armada com um chicote e furiosa. Desde então, busca encontrar a Mentira, mas ninguém a aceita nua e crua; todos preferem a Mentira disfarçada.

 

        A Parábola da Verdade Nua e Crua:

Um dia, a Verdade e a Mentira encontraram-se. A Mentira disse à Verdade:

– Hoje, é um dia lindo, maravilhoso!

A Verdade, desconfiada, olhou para o céu e concordou, pois o dia estava realmente maravilhoso, resplandecente de sol e calor. Elas continuaram juntas até chegarem à beira de um poço.

A Mentira, já querendo enganar, sugeriu:

– A água está ótima. Que tal tomarmos um banho?

A Verdade, ainda desconfiada, testou a água e descobriu que a água do poço era realmente agradável. Rendida, pois, nos seus escrúpulos, ambas se despiram e mergulharam nas águas daquele poço. De repente, sem nenhum aviso, a Mentira saiu da água, vestiu as roupas da Verdade e fugiu dali às pressas, perdendo-se de vista.

A Verdade viu, então, confirmada a sua desconfiança quanto à lisura da Mentira, mas estava agora sem as suas roupas. Havia as que a Mentira usava e que largara para trás. Porém, a Verdade recusou-se a usar as vestes da Mentira, Saiu do poço nua e nua continuou, armada com chicote, para punir a Mentira e todos que nela acreditassem.

A Verdade, a partir daí, passou a caminhar nua (e furiosa) pelo mundo, e o povo dizia que a Verdade estava nua e crua. Porém, ao tentar mostrar a todos que ela era, de fato, a Verdade, viu-se reiteradamente rejeitada, pois as pessoas preferiam a Mentira vestida, e aparentemente verdadeira, do que a Verdade despida, nua e crua.

E nem precisa dizer: enquanto isso, ao longo do tempo, a Mentira fazia estragos de toda sorte, enganando os incautos, os ingênuos e aqueles gananciosos e corruptos, que pretendiam levar vantagem a qualquer preço, na base da malandragem e da esperteza.

Por fim, é sempre bom lembrar a sabedoria popular.

– “A Verdade desmaia, mas não morre. Um dia, ela vem com toda força”.

– “A Verdade pode até demorar, mas ela nunca erra o endereço”.

 

Comentário Pessoal:

Ninguém aprecia a Verdade nua e crua, pois Verdade nua e crua significa revelar fatos reais de forma direta sem rodeios, amenizações, eufemismos, disfarces ou adornos, doa a quem doar, machuque o quanto machucar, podendo envolver, ou não, situações difíceis ou desagradáveis.

Assim sendo, a Verdade nua e crua exige de quem a diz uma sinceridade absoluta, firmeza e consciência das possíveis ou prováveis consequências ruins daquilo que se vai dizer, expondo a realidade tal e qual a mesma se apresenta e não permitindo retorno ou arrependimento eficaz.

A Mentira, muitas vezes, apresenta-se a nós como um caminho mais curto, fácil, largo, liso e plano de ser percorrido, é frequentemente utilizada para evitar consequências negativas ou cabulosas, proteger o ego ou obter vantagens, mas acabará, mais cedo ou mais tarde, por criar um ciclo vicioso, que terminará por afastar o indivíduo da própria realidade das coisas.

A Mentira, até então dissimulada ou encoberta sob as vestes furtadas da Verdade, uma vez reconhecida ou escancarada aos olhos de todos, desabará por inteiro, mostrando-se como verdadeiramente ela é. E, quando isto se der, ainda que demore, as pessoas irão perceber um mundo fútil e fugaz de fantasias, de enganos e de aparências insustentáveis, que foi erigido em torno do mentiroso, seja ele ocasional ou contumaz.

A longo prazo, a Mentira destrói por completo a confiança, que jamais retornará uma vez perdida, ao contrário de todos os demais bons sentimentos, passíveis de recuperação pelo arrependimento, pelo reparo e pelo esforço pessoal.  A Mentira, no final das contas, é destrutiva, rançosa, desestabilizadora da vida pessoal e do tecido social, podendo causar danos sérios, irreparáveis e permanentes

A Verdade, embora possa ser, em certas ocasiões, chocante ou difícil de aceitar e de assimilar, oferece suporte para o desenvolvimento ético-moral e da realidade na vida. Mas, e sobre a chamada “Mentira Branca”, ou branda, ou benfazeja, ou para evitar ou mitigar um mal desnecessário, imediato ou doloroso?  Como é que ficamos perante ela?

‘Mentira Branca’, ou pequenas inverdades, também não devem ser aceitas, ou pelo menos não se deve abusar dessas alternativas enganosas, porque podem sair do nosso controle e tornarem-se reiteradas, assumindo consequências imprevisíveis e iniciando um caminho sem volta, impossível ou difícil de reverter.

Ética e moralmente, ao longo dos séculos, a Mentira sempre foi considerada intrinsecamente desordenada e uma grave violação de valores pessoais e sociais, sendo constantemente associada à busca de poder (de todo tipo e nível) ou de interesses ocultos ou escusos. Ao contrário da Verdade, tida e havida como o lado bom da escolha, quase sempre permeada pelos obstáculos que a tornam difícil de praticar e manter.

A escolha entre a Verdade e a Mentira também depende do caráter de cada pessoa e da educação que ela recebeu em seu lar, onde os pais podem e devem ser os primeiros a incutir os bons valores na criança. Por isso, eu digo, repito e insisto: “o lar educa, e a escola ensina”. Muitas vezes, faltando o primeiro com a sua missão e obrigação, a criança e o adolescente, quando já na escola, não conseguirão desfazer-se das suas índoles deturpadas ou pervertidas. “É de pequeno que se torce o pepino”…!

Vejam a situação atual do nosso país, o Brasil. Faltam, na grande maioria dos nossos governantes e dos políticos em geral, aquele senso ético e moral mínimos e indispensáveis, para pensarem mais no bem comum da população do que em si mesmos; entregam-se à corrupção e aos ganhos fáceis, como se tudo pudesse ser levado para o outro lado da vida. Creem-se eternos, inatingíveis e agem como se fossem deuses.

Partindo para o encerramento, vou repetir o que já foi dito na Coluna DJ de 29.01.2026, “Mitômano, Ele Mente Que Nem Sente”:

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            “Os políticos devem ser trocados de tempos em tempos pelas mesmas razões pelas quais se trocam as fraldas”  — Eça de Queiroz.

            Seja político ou não, se puder, jamais acredite no que um mentiroso diz. Pois, se acreditar, o prejuízo é certo. Detendo ele o poder, o estrago será muito maior. Prometem mundos e fundos, se eleitos, sabendo que não irão cumprir as promessas feitas, seja por serem inverossímeis, seja por serem inexequíveis ou simplesmente porque a intenção, desde o início, era a de enganar os tolos que nele acreditaram e votaram”.

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Recomendo-lhes a releitura integral da Coluna DJ referenciada. Mas, por quê?

Porque 2026 é um ano eleitoral, talvez o mais importante dos últimos 50 anos e que irá (certamente) moldar o destino do nosso País pelas próximas décadas. Em outubro, na nossa “democracia relativa”, haverá eleições para os cargos mais importantes da República. Esta será a ordem das 6 (seis) votações a que seremos chamados:

1) – Deputado federal; 2) – Deputado estadual (ou distrital no caso do DF); 3) – Senador (primeira vaga); 4) – Senador (segunda vaga); 5) – Governador e vice-governador; 6) – Presidente e vice-presidente da República.

Costuma-se dizer que “o povo tem o governo que merece”. Mas, será mesmo? Ou o povo é manipulado? Ou aliena (vende ou troca) o seu voto?  Ou é ignorante, ou seja, não é suficientemente politizado, e muitos são completos analfabetos políticos? Ou o “nosso” povo é simplesmente enganado e traído eleição após eleição?

No atual estado das coisas, pouco ou tanto faz, porquanto o resultado é e será semprte o mesmo. O Brasil atrasando-se cada vez mais em relação a outros países que, pouco antes, estavam bem menos desenvolvidos. Haja vista, até a década de 1990, os chamados “tigres asiáticos” (Coreia do Sul, Taiwan, Tailândia, Singapura, etc.).  Investiram maciçamente em educação de alta qualidade, tecnologia de ponta e combate implacável à corrupção sistêmica. E o resultado, nem precisa dizer: estão agora muito à nossa frente.

Para terminar, cumpre-me indagar: o Brasil ainda tem jeito? Ou não? Bem, jeito tem, mas irá depender dos próprios brasileiros, pois de nada adiantará ficar esperando que a solução dos nossos problemas venha lá de fora. Amizade verdadeira entre países não existe (ou é muito rara), visto que cada um cuida de seus respectivos interesses.

Portanto, que o Brasil e os brasileiros também cuidem de si mesmos…!

 

Araguari – MG, 19 de março de 2026.

Rogério Fernal .`.

OAB MG 24.640

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