CANTINHO DO MÁRIO – 7 DE MARÇO
sáb, 7 de março de 2026 08:00
PETER PAN
Para muitos, a velhice é vista como a demonstração de uma vida que teve tempo para amar, aprender, superar desafios e evoluir. Cada marca no corpo é considerada um troféu de experiências vividas, e não devemos olhar para trás com angústia. Como disse Chico Xavier: “Como ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”. Embora a velhice traga limitações físicas, devemos aceitá-las com resignação e gratidão, utilizando o tempo para a prece, a reflexão e o amor, em vez da amargura. Vejo idosos, não velhos, que afirmam que o tempo em que estão vivendo é a melhor idade, e cada um encara seu momento de acordo com suas crenças e sua capacidade de adaptação às circunstâncias. Já vi jovens rindo e criticando idosos que frequentam clubes, dançam, riem e se abraçam, como se o lugar de um idoso fosse em casa, convivendo com suas dores, gemendo e maldizendo a vida. A cada dia que vivemos, adquirimos experiência por meio das alegrias, dores, dificuldades e contratempos, e isso faz parte da nossa caminhada espiritual. Quem nunca sofreu, não tem condições de fazer empatia com quem sofre, pois desconhece o drama alheio. A prática da caridade é uma disposição da alma para o bem; não ter indulgência ou se apiedar é sinal de uma alma endurecida, que se compraz no egoísmo. Quando pensamos em uma pessoa sábia, logo nos vem à mente um idoso com longa barba branca; isso não é por acaso, pois vida sem experiência é vazia. Quem passou por um sofrimento físico ou moral normalmente tem mais tendência a dar prioridade àqueles que estão sofrendo, pois quem já vivenciou o sofrimento tem mais sensibilidade no trato com os semelhantes. A velhice é o momento de colher os frutos semeados, transformando experiências em sabedoria e ternura, e de “lapidar o caráter”, focando na caridade fraternal. Entretanto, somos indivíduos únicos, e cada um de nós passa por uma prova específica, com diferentes dores. A velhice, para muitos, não é um mar de rosas; quem não cuidou de si quando era mais jovem, fatalmente colherá os frutos de sua insipiência. Somos fiéis depositários de nossos corpos, e tudo está sujeito à lei de causa e efeito. É comum encontrar pessoas que fazem o impossível para agir como jovens, como diz um amigo meu: “Eu estou ótimo, o corpo é que não ajuda”. São os “Peter Pan” do dia a dia, ninguém quer ser Matusalém. Quem pode julgá-los? Todos temos o direito de ser felizes. Eu, com meus oitenta e poucos anos, prefiro ser o Peter Pan. Um abraço a todos, compatriotas da Terra do Nunca.
MÁRIO FERREIRA.:
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