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Bola perdida

qua, 5 de novembro de 2014 00:00

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No dia de clássicos memoráveis, o perigo volta a atacar. Foto: José Luís Medeiros

No dia de clássicos memoráveis, o perigo volta a atacar. Foto: José Luís Medeiros

Não há um alvo, efeito ou pedido de licença. Chega de surpresa, quase sem querer, provocando estilhaços de euforia e silêncio entre lados opostos. Quem dera tivesse um carro-forte para salvar corações corroídos por um instante. O tiro saiu pela culatra, a torcida vibrou e a capa do jornal ainda culpou os deuses do futebol.

Lembro do dia em que 11 jogadores incorporaram “milagreiros” em terras brasileiras. Mexicanos, argentinos e paraguaios deixavam os gramados perplexos com aquilo que mais parecia um cenário bíblico conhecido por “Horto”. Um ano depois, a oração “Eu Acredito” ainda circula entre dramas novelescos. Mas afinal, que deuses são esses que favorecem alguns em detrimento dos outros?

Ainda não estamos falando da CBF (Circo Brasileiro de Futebol), mas do torneio mais antigo do país. Em tempos de defesa da democracia, os mineiros que duelaram na corrida presidencial se aventuram rumo ao topo de um futebol que ainda junta os cacos dos 7 a 1.

Teimosa como uma cabra, a cartolagem prefere investir no espetáculo a ensaiar os artistas para sua apresentação. Enquanto isso, o zoológico de elefantes brancos permanece com as portas abertas. (Quem dera estivéssemos falando apenas de animais).

Órfãos de sua entidade, Cruzeiro, Santos, Atlético-MG e Flamengo disputam uma vaga na decisão da Copa do Brasil. Dessa vez, ninguém espera por uma intervenção divina para roteirizar um espetáculo. Milagre mesmo seria salvar a verdadeira bola perdida que, torturada, afundou nas águas turvas do nosso futebol.
vinheta pj

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