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Artigo de Opinião – Antes da Gazeta, depois da Gazeta

ter, 7 de março de 2017 05:40

por Talita Gonçalves

Uma adolescente rebelde, que não levava muito jeito com matemática, mas que adorava ler, resolveu participar de um projeto de jornal estudantil que acontecia na escola. Escreveu um texto. A jornalista responsável pelo projeto desconfiou um pouco da autoria e pediu para que ela fizesse outro texto, desta vez, na frente dela. Explicou o que era o lead. Gostou do resultado. E no final do projeto, a jornalista convidou a adolescente rebelde para um teste, que acabou virando um estágio, que depois virou um emprego.

Na história da minha vida, a Gazeta do Triângulo é um marco. Existe a Talita antes da Gazeta e a Talita depois da Gazeta. Entrei para o time em outubro de 2008. Eu, com apenas 16 anos, passei a ter o privilégio de fazer parte da rotina de uma redação de jornal. O proprietário sempre gostou de apostar em pessoas mais novas, mesmo sem formação. E por isso serei eternamente grata ao Dr. Darli Amaral.

O começo não foi fácil, mas depois de muitos conselhos e principalmente broncas, consegui pegar o ritmo. A empolgação de descobrir aquele furo de reportagem, o frio na barriga antes de uma entrevista importante e a frustração de lidar com erro na matéria. Cresci aqui e vi o jornal crescer também. Do impresso preto e branco, passou para o colorido, depois veio a edição online.

A redação de um jornal sempre é marcada por idas e vindas, algumas mais dolorosas do que as outras. Quando cheguei, Luciano Beregeno era o editor-chefe. Extrovertido, ácido e controverso, de uma generosidade  tão grande quanto o rigor exigido nas matérias, me ensinou tudo o que foi possível aprender no pouco tempo que com ele convivi. O Beregeno era como o Jacquin do MasterChef, não só pelos quilinhos a mais. Se a matéria não estivesse boa, ele descascava sem dó. Mas quando fazia um elogio, e isso era raro, ficava a certeza de que aquilo foi merecido.

Depois de oito anos, fazer o título ainda é uma tarefa que me toma muito tempo. É aí que Luiz Muilla entra em campo. Desde sempre, não há nada que não possa ser resolvido com um toque do repórter policial/esportivo e um dos melhores radialistas que esta cidade já viu, um sopro de descontração nas tardes da redação.

A Gazeta do Triângulo não é só um jornal, é uma família. De quando comecei até hoje, a pessoa com quem convivi durante o maior período de tempo na redação é o nosso editor-chefe diagramador, Márcio Marques. Na época em que estudava História, mais precisamente Walter Benjamin, aprendemos que a história era contada do ponto de vista dos “vencedores”, dos grandes conquistadores. Que o conceito de progresso, dentre outros, deveria ser revisto. Algum tempo depois, aprendi com Ayn Rand algo um pouco diferente: é claro que nesse fluxo, muitos também dão sua parcela de contribuição, mas o mundo realmente é carregado por alguns poucos Atlas. Assim é o Márcio, a engrenagem principal que faz a Gazeta do Triângulo funcionar.

A jornalista responsável pelo projeto, lá no começo do texto, é a Sávia de Lima. Me emociona pensar que nada disso teria acontecido se não fosse ela. Jornalista competente, me ensinou muito mais do que os macetes do ofício. Com ela aprendi lições que carreguei para toda a vida e temos laços muito fortes, para além da esfera profissional. Queria não ser piegas e fazer jus ao que aprendi com estes gigantes, mas não consigo. A Gazeta do Triângulo não é só um jornal. É um marco.

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