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Alunos organizam ocupação de escolas em protesto contra a PEC 241

qua, 26 de outubro de 2016 05:02

por Stella Vieira

Estudantes não informaram se irão desocupar os prédios para a realização do ENEM em Araguari

Alguns estudantes do município estão organizando movimentos para a ocupação de escolas estaduais, com o objetivo de se manifestar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, o ‘Escola sem Partido’ e a MP 746/2016, visando a reforma no Ensino Médio. Nessa terça-feira, 25, aconteceu também uma aula pública, ministrada por professores, para explicar a PEC 241.

Estudantes realizam momentos coletivos na quadra, oficinas e dinâmicas

Estudantes realizam momentos coletivos na quadra, oficinas e dinâmicas

 

A ocupação da Escola Estadual Raul Soares teve início nesse domingo, 23, por tempo indeterminado. A direção enviou uma carta aberta aos pais e responsáveis, informando que o Núcleo Estudantil realizará uma ocupação pacífica e conduzirá todas as atividades, que incluem momentos coletivos na quadra, oficinas e dinâmicas, com o objetivo de informar os alunos acerca dos assuntos relacionados.

De acordo com a carta, os pais devem se responsabilizar e avaliar a importância de permitir ou não que os filhos participem das atividades propostas. Além disso, a escola informou que, para evitar prejuízos aos alunos em relação ao ano letivo, a escola adotará medidas para garantir o cumprimento do Calendário Escolar. “Cremos que este momento novo, tanto para os alunos, quanto para os responsáveis, pode causar estranheza e insegurança, mas acreditamos que são eles que nos fazem refletir e tomar decisões mais assertivas. A direção, professores e funcionários estão disponíveis para quaisquer esclarecimentos”.

Uma das participantes do movimento, que preferiu não se identificar, comenta que o objetivo é lutar contra a PEC 241. “Fizemos estudos e não concordamos com a medida. Acreditamos que é necessária uma mudança na economia, mas não concordamos em congelar os gastos em saúde e educação, que são precários. Acreditamos que, se a PEC for aprovada, a educação e saúde serão sucateadas completamente”.

A estudante afirma que a manifestação também é contrária à MP 746/2016 e ao ‘Escola sem Partido’. “A MP 746 tira matérias primordiais, que despertam o pensamento crítico e fazem com que o aluno saia da caixinha. A Escola sem Partido é a lei da mordaça, que impedirá os professores de falarem de assuntos críticos, como política”.

Outro estudante da Escola Estadual Raul Soares, que também preferiu não se identificar, afirma ser contra as ocupações. “É uma questão burocrática, pois esse movimento está sendo feito pelos alunos, mas é idealizado pelos professores. Não houve uma votação para definir se haveria a ocupação, apenas aconteceu. Os alunos que estão estudando para o Enem e para o vestibular estão sendo prejudicados com isso. Sou contra a PEC, mas acredito que a manifestação deveria ocorrer de forma pacífica nas ruas e não tirando o direito dos outros estudantes. É um desrespeito para com os alunos que querem estudar”.

Outras ocupações

Os alunos da Escola Estadual Professor Antônio Marques iniciaram a ocupação nessa segunda-feira, 24. A reportagem do Gazeta do Triângulo esteve no local, porém, os estudantes se recusaram a dar entrevista. O aluno Vitor Andrade, do 1º ano do ensino médio, publicou uma nota de repúdio nas redes sociais, afirmando que nem todos são a favor da ocupação. O estudante solicitou respeito às opiniões contrárias e que o direito à educação não seja violado caso não haja um consenso entre os envolvidos.

“Ocorreu uma votação muito rápida para decidir se haveria a ocupação, mas não houve controle. Decidiram ocupar a escola, mas o número de pessoas contra é grande. Muitos desses alunos não têm conhecimento e nem leram a PEC 241. Eu li e acho que é uma medida importante para a situação do país. Existe também influência por parte dos professores”, conta o estudante.

Os alunos da Escola Estadual Madre Maria Blandina (Polivalente) pretendem realizar a ocupação a partir do início de novembro. Um dos alunos responsáveis pela organização afirmou que o grupo não daria entrevista à Reportagem. “Nós temos vários motivos para ser contra a PEC e no momento falar sobre isso não vai adiantar, pois temos várias pessoas que são a favor e nossa palavra vai ser a última. Assim que houver a ocupação, eu digo quais são os motivos para a ocupação e por nós sermos contra”, comentou outra das organizadoras do movimento.

Um estudante do Colégio Polivalente afirmou ser contra a ocupação, mas disse que preferia não se identificar por medo de sofrer represálias de colegas e professores. “Esse é um movimento partidário que tem o dedo do sindicato e dos professores. Na segunda-feira fizeram uma palestra explicando sobre a PEC, mas de uma forma bastante negativa. Muitos organizadores não sabem do que se trata a PEC e querem apenas ficar sem aula. Esses alunos estão sendo influenciados pelos professores. Eu li a PEC, procurei informações e acredito que é uma medida importante para a situação do país. Esse movimento só representa os baderneiros que não tem visão da realidade”.

Aula pública na praça

Um grupo de professores se reuniu nessa terça-feira, 25, na praça Manoel Bonito, onde foi ministrada uma aula pública sobre a PEC 241. De acordo com o professor Marcos Lander, o objetivo foi explicar a medida e os problemas que ela pode causar durantes os 20 anos de congelamento dos gastos. “A proposta é boa, mas a ideia é completamente descabida. Eles não falam em cortar na própria carne, nos cargos de confiança e auxílios. Se você corta essas despesas, economiza mais de R$ 300 milhões ao ano. Hoje, alguns deputados querem aumentar o salário dos servidores públicos federais, então, eles falam uma coisa e pregam outra”.

O professor afirma que a PEC irá prejudicar diretamente a educação pública, as universidades, os institutos federais e os repasses do FUNDEB para os estados e municípios. “Também não poderá ser aumentado o repasse do Sistema Único de Saúde, então, caso haja uma epidemia, terão que tirar de um lugar para colocar em outro. E esses cortes serão onde as pessoas mais precisam que são os programas sociais”.

Marcos Lander ressalta que a PEC não oferece margem para mais investimentos em Saúde e Educação. “Além disso, 40% do orçamento é gasto com a dívida pública. Por que não param de pagas as dívidas públicas para os bancos, que já estão ricos e negociam para sobrar dinheiro? Há uma inversão de valores. Não aceitamos isso. Queremos uma PEC igualitária e social”.

Dentre as sugestões apresentadas pelo grupo para solucionar a questão econômica do país estão: taxar as grandes heranças, criar impostos sobre os bancos, parar o pagamento dos juros da dívida pública e cortar as “mordomias”.

O professor Daniel Póvoa é a favor da medida. “A PEC não é o sonho de ninguém. As pessoas que são a favor, não são a favor porque pensam que ela é formidável, mas é um remédio necessário. É aquele remédio amargo que sua avó te dava quando você estava doente”.

Daniel ressalta que aproximadamente 43% do orçamento é utilizado para pagar a dívida do país. “Se você pegar o gráfico de orçamento do Brasil, verá que basicamente metade do gráfico é utilizada para pagar dívidas, enquanto 22% é gasto com a previdência social, 4% com saúde, dentre outros. É uma ignorância você achar que pode dar crédito para as pessoas de forma ilimitada. Precisa haver um limite, pois, quanto mais dívidas o país assume, mais dinheiro será necessário para pagar essas dívidas e a única forma que o país tem de arrecadar esse dinheiro é com impostos”.

Segundo o professor, a solução para o problema é colocar um limite nos gastos. “Essa é a proposta da PEC. As pessoas que leram a PEC percebem que em nenhum lugar o documento fala que irá diminuir os investimentos em Saúde e Educação. Pelo contrário, ela fala em investimentos maiores nessas áreas. As pessoas que falam que a PEC irá diminuir esses recursos estão sendo desonestas. Eu sou a favor pelo fato de que ela é necessária, mas não é algo que eu desejaria para o Brasil”.

O professor comenta que o único aspecto questionável é a margem de 20 anos estipulada. “Eu não estudei a fundo o porquê da margem de 20 anos, mas em relação aos outros aspectos, ela é totalmente necessária. Inclusive, ela está sendo proposta no governo Temer, mas nos governos Lula e Dilma houve propostas de contenção de gastos similares e ninguém se manifestou contra”.

Morte em escola ocupada

Na tarde dessa segunda-feira, 24, um adolescente de 16 anos foi encontrado morto na Escola Estadual Santa Felicidade, em Curitiba, que havia sido ocupada há alguns dias. Há suspeitas de que a vítima e outro aluno da escola, de 17 anos, dividiram uma droga sintética e depois se desentenderam. O autor do crime teria utilizado uma faca de cozinha para tirar a vida do jovem, que tinha cortes no abdômen e na altura da clavícula.

16 Comentários

  1. Ocupa Brasil disse:

    Achei a “reportagem” extremamente tendenciosa e acredito que ela só fortalece o discurso de ódio e intolerância contra as ocupações protagonizadas pelo movimento secundarista na cidade. A “reportagem” não abordou os pontos positivos, não ressaltou que ocupar e protestar são direitos constitucionais de livre expressão e reunião garantidos pela Carta Magna do país e não explicou as atividades que estão sendo organizadas pelos estudantes. Não foi dada relevância ao exemplo de cidadania que os estudantes estão dando para toda a comunidade araguarina e claramente foi dado mais espaço à quem se diz contra às ocupações. Sem contar que o que foi escrito acima se valeu de extremo sensacionalismo, ao começar a “reportagem” falando sobre a prova do ENEM e terminar falando sobre a morte do aluno em Paraná, o que não demonstrou nenhum tipo de respeito pelo aluno que faleceu, pela família e pelos demais estudantes que estão de luto.
    * A jornalista é formada na Universidade Federal de Uberlândia, formação esta que foi custeada com recursos públicos que daqui a 20 anos não existirão devido à implementação da PEC, que é alvo de protesto dos estudantes de quase 2000 escolas públicas, institutos federais e universidades públicas. Empatia está em falta nesse tipo de jornalismo e neste tipo de matéria.

  2. Mauro Sérgio Santos disse:

    O professor Marcos Lander, brilhante professor de matemática, com seus posicionamentos, por sua história de compromisso e dedicação à educação… ELE, SIM, ME REPRESENTA.

  3. Róger disse:

    Texto formidável, onde houve espaço para exposição dos dois pontos de vista. embora a posição contrária tenha tido um embasamento teórico melhor.

  4. Jonathan Ribeiro disse:

    Acho engraçado falar que deu mais espaço pra um ou outro professor, visto que os dois tiveram a mesma quantidade de parágrafos para exposição. Tendencioso é quem fez esse comentário.

  5. Daniel Scatena disse:

    Temos que pagar a dívida, porque fizemos ela. Pegar dinheiro emprestado e sair correndo não é muito “moral”

  6. Leo disse:

    É muita ignorância. Onde tá na PEC que serão feitos cortes na Educação? Marcos Lander tem que sair do senso comum e ler a proposta antes de sair por aí contaminando os alunos com mentiras.

  7. Nilton Batista disse:

    Vejo que estão forçando muito a barra ao tentar apoiar estas invasões. Pergunto ao “OCUPA BRASIL”?
    – Essas palestras sobre a PEC 241 foram ministradas antes das ocupações e, sendo assim, quem fosse a favor ocuparia? Ou isso é um confinamento para lavagem cerebral? Existem os dois lados apresentando cada macrovisão ou só quem é a favor se manifesta

    Ao professor Marcos Lander, que diz: “A proposta é boa, mas a ideia é completamente descabida.”, pergunto:
    -Como pode surgir uma proposta boa de uma ideia descabida?O que está sendo proposta aqui é a própria ideia. Se a idéia é descabida, logo somente pode existir uma proposta descabida. Cuidado com suas palavras.
    Ao mesmo professor, que pergunta: “Por que não param de pagar as dívidas públicas para os bancos, que já estão ricos e negociam para sobrar dinheiro?”, respondo:
    -Pelo mesmo motivo que o senhor não para de pagar suas faturas de cartão de crédito, a sua conta de água, energia elétrica e, presumo, de Internet(Todos estes sendo ricos, mas que podem cortar seus benefícios caso não honre as dívidas ). Primeiro, porque dívidas devem ser honradas, a não ser que sejamos meros golpistas (Não vai ter golpe -desculpem-me, não resisti) e posteriormente porque não quero viver em um país falido em que a dívida pública supere o PIB nacional, decretando falência e acarretando em um corte real na saúde e educação.
    Sobre o professor Daniel Póvoa, que comenta: “…o único aspecto questionável é a margem de 20 anos estipulada”, lembro que ela vem a ser de 10 anos, prorrogáveis a 20.

    Sendo assim, proponho a cada pessoa que venha dar sua opinião ou manifestar de alguma maneira, que, primeiramente leia a PEC, procure entender o que ela realmente propõe,e principalmente o que pode acontecer com nosso país. Não ouçam somente quem é contra ou quem é a favor. Pensem a longo prazo. Obtenham suas informações diretamente da PEC 241. Leiam, releiam, use dicionário, mas não se deixem ser induzidos por quem pensa individualmente e não consegue pensar no coletivo e não gosta de pagar contas…

  8. Rodney disse:

    Como que o professor contrário teve um embasamento melhor? Tudo que ele fez foi ir no senso comum!

  9. Mauro Sérgio Santos disse:

    Para pagar a dívida podemos taxar as grandes fortunas, aumentar a carga tributárias dos mais ricos, cobrar o que devem as grandes empresas à Receita Federal.

    É só ler o PL 257 que vcs vão descobrir onde vão cortar gastos e retirar direitos dos mais pobres.

  10. Mauro Sérgio Santos disse:

    A PEC 241 e o PL 257 se completam. Só não vê quem não quer.

  11. Mauro Sérgio Santos disse:

    “Remédio amargo” à elite desse país!

  12. Rodney disse:

    Isso mesmo! É genial deixar o país desinteressante para os novos investidores. Quando o índice de desemprego aumentar por falta de abertura de novas vagas porque o mercado não ta fomentando, aí não vale chorar que o governo foi ruim. Quer testar minha tese? Se você tivesse 50 mil reais, e fosse abrir uma empresa, vc ia preferir abrir uma empresa na venezuela ou no canadá? Agora compara impostos e taxações nos dois governos.

  13. João disse:

    A Pauta da Elite (com a vênia dos pobres que se denominam classe media):

    PEC 241
    PL 257
    Reforma da Previdência
    Reforma Trabalhista
    MP 746

  14. Zeca disse:

    Ainda bem q esse marcos lander e seu candidato não sairam vencedores nas eleiçoes, imagina isso dentro da prefeitura.

  15. Rodney disse:

    Esse Mauro tbm ia sair como presidente da fundação de educação e cultura. Imagina…

  16. João Gabriel Araújo disse:

    Fica Claro pela fala do aluno do colégio Polivalente, que é dirigido pela esposa do Sr Marcos Lander, e tem o Mauro Sérgio como professor, que eles querem ocupar mas não sabem por quê. Primeiro querem ocupar, pra depois falar porquê estão lá… Isso me cheira a dedo de professor…
    Outro fato é a contradição do Marcos Lander ao dizer que : Esta Proposta é boa, mas a ideia é completamente descabida. Se a proposta é um reflexo da ideia, ou é boa ou é descabida.
    Fica claro que os alunos estão sofrendo forte influência dos professores assumidamente de esquerda, e que eles estão sim encabeçando as ocupações.
    Acho absurdo que alguém apoie a ocupação de uma escola por uma minoria, privando assim o direito à educação garantido pelo art. 6º da constituição e art. 4º do estatuto da criança e do adolescente. Já que querem se manifestar, façam como foi feito nos movimento fora Dilma, e é Golpe, saiam às ruas, mas invadir (ocupação no dicionário faz referência à invasão) um espaço ou prédio público, atrapalhando e inibindo o uso dos mesmos por demais cidadãos pagadores de imposto é crime e é inconstitucional.
    Os alunos menos instruidos, os baderneiro e os que não querem nada com a dureza, estão sendo claramente induzidos e manipulados por alguns professores pertencentes a CUT, CNTE, e representantes da UNE, todos movimentos da esquerda, e que deixam claro que principal mensagem da ocupação é o fora Temer.
    E não adianta falar que esses professores não estão envolvidos nisso ate o pescoço, pois basta ir na porta do Estadual e ver o cartaz da CUT lá.
    Eles deveriam ser punidos, criminalmente, por uso de menores de idade para intuito próprio.
    Muito cinismo e falsidade empregados nessas ocupações.
    Teve até um comentário ai falando que a UFU não vai existir mais daqui 20 anos, o que mostra que são pessoas que falam sem o menor embasamento de conhecimento sopre a PEC.
    Meu sentimento neste momento é de vergonha alheia por esses professores que estão apoiando as ocupações, pois os mesmos não se mostram mentalmente capacitados para exercerem os seus cargos, quando fazem uso de incapaz (menores de idade).
    É revoltante, e os movimentos #DesocupaJá tem o meu total apoio.

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