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A guerrilha do governador, por Inocêncio Nóbrega

sex, 19 de dezembro de 2014 05:45

* Inocêncio Nóbrega

Goiás teria sido a quarta unidade federativa a liderar o movimento de 1930, não fora a frustrada invasão, por 120 voluntários, ao sudoeste goiano. Nessa oportunidade, Pedro Ludovico Teixeira foi preso pelos adversários caiadistas.  Solto, com o triunfo da Revolução, foi nomeado Interventor Federal, funções que exerceu por 17 vezes. Possuidor de semelhante temperamento seu filho, Mauro Borges Teixeira, preferiu, inicialmente, a carreira militar, alcançando o coronelato quando de sua passagem para a reserva.   Entrou na carreira política com sua eleição, para Dep. Federal, em 1958, e, dois anos mais tarde, para governar seu Estado.

Eclodira no Rio Grande do Sul, agosto/1961, a Campanha da Legalidade, a fim de resistir ao veto dos ministros militares à posse do vice-presidente Jango, ante a renúncia do titular, Jânio Quadros. A posição dos altos escalões das Forças Armadas não encontrou respaldo popular no restante do país, pela quebra à ordem constitucional e de nítidos traços golpistas. Do solo gaúcho, liderado pelo governador Leonel Brizola, seu povo em armas, nas ruas de Porto Alegre, e a patriótica adesão do general Machado Lopes, gerava-se a resistência. A divisão do Exército estava consumada, cuja sinistra solução encontrada era o enfrentamento direto a corporações do III Exército e a eliminação, física, de Brizola, mediante o bombardeio ao Palácio do Piratini, sede do QG da Resistência, ordem essa que foi rechaçada.

Mauro Borges entrou na briga, com seu decidido apoio aos legalistas, instalando um QG avançado em Goiânia. Usando a Rádio Brasil Central fazia proclamações aos brasileiros; alertou os ministros militares de que “não ultrapassassem as raias da legalidade”. Vitorioso o golpe de 64, a linha dura exigia sua cabeça. Pura vingança! Intervir nesse Estado era requerida. Esperava-se que fosse negada pelo Congresso Nacional, que acabou cedendo, o que para o governante goiano criaria um clima propício a uma insurgência da população local. Na capital, montou um dispositivo militar, dividido em vários grupos, algo próximo à guerrilha urbana. Certamente o Legislativo seria fechado e o ato de Castelo Branco, sem dúvida ensejaria num ambiente de insatisfação nacional. Nesse caso, a resposta guerrilheira seria acionada, bem como a resistência, à semelhança da Legalidade de 61. A intervenção, todavia, foi efetuada a 26.11.1964, faz 50 anos, exatamente no dia em que sua avó era sepultada, tendo o “General Goiano”, como também era conhecido, de se recolher na casa de um amigo,  para não sofrer prisão. Porém, não evitou sua cassação. Ainda assim, procurou JK para formar uma frente de combate à ditadura.

* Jornalista
inocnf@gmail.com

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