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A frente Guazu, por Inocêncio Nóbrega

sex, 24 de outubro de 2014 00:03

* Inocêncio Nóbrega

A Frente Guazu paraguaia, surgida em 2010, composta de movimentos sociais de esquerda, reclama por maior estrutura. Em razão disso não teve o necessário suporte para sustentação política ao presidente Fernando Lugo. Tal deficiência facilitou a aglutinação da oligarquia e dos monopólios, em vários seguimentos da economia, especialmente do agronegócio e da soja, em torno de uma oposição colorada, detentora de seis décadas de poder e, nesses instantes, parecendo-se em estado de depressão.

O então governo buscou um pacote de mudanças, procurando beneficiar a população secularmente oprimida. Impunha-se alinhar a saúde pública, e isso foi feito, onde não havia, sequer, planos de saúde e gratuidade desses serviços para as camadas mais carentes. Tais medidas irritaram as classes elitizadas. A questão agrária, centro nervoso dos problemas nacionais, não patrocinou, sozinha, o golpe relâmpago de junho/2012, destituindo o bispo Lugo, e sim um complexo de razões, inclusive de natureza geopolítica. As comemorações pelo 1º aniversário de Horácio Cartes, na presidência da República, foram marcadas por intensos protestos.

Na Bolívia, onde havia, em média, dois golpes de estado por ano, o presidente Evo Morales acaba de ser reeleito, com folga, pela 3ª vez, para novo mandato quinquenal. Ele criou seu próprio espaço político, conduzindo um governo nacionalista, superando a força da mídia oligárquica, fraterna aos interesses internacionais. Democratizou os canais de comunicação, ampliando redes de informação públicas, sabendo levá-las, com honestidade, às camadas populares.

Estão, aí, duas explícitas situações para um próximo Brasil: mais à direita ou centro-esquerda. No primeiro caso, as mobilizações sociais e institucionais devem ser redesenhadas, numa reciprocidade com a Frente Guazu. Não será fácil, a partir daí, derrubarmos a tragédia neoliberal, que sem dúvida virá. Um retrocesso doméstico que trará o desequilíbrio na correlação de forças entre os governos progressistas do Continente. O Brasil passará a atuar como retransmissor das idéias conservadoras e facistizantes nas Américas, visando retomada da hegemonia norte-americana.  Se, por outro lado, o cetro presidencial continuar com a presidente Dilma, a ela caberá, como uma das primeiras ações, seguir o exemplo da vizinha Bolívia, enfrentando a manipulação dos noticiários, tendenciosos, dos grandes jornais. Em acontecendo, apostemos nas novas conquistas democráticas, sócio-econômicas e na colaboração ao bloco independente latino-americano. É isso que nosso país espera.

* Jornalista
inocnf@gmail.com

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