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Saúde Alerta – Uma luz no fim do túnel

qua, 6 de fevereiro de 2019 05:24

Abertura-saude-alerta

A Doença de Alzheimer  é a demência mais comum que  afeta hoje cerca de 35 milhões de pessoas no mundo, das quais mais de 1 milhão está no Brasil, atingindo 6% da população a partir dos 65 anos e 15% da população com mais de 80 anos. A doença tem início insidioso e curso variável.

Sabe-se que a neuropatologia da Doença de Alzheimer caracteriza-se por dois mecanismos que determinam a morte neuronal. Um é a formação de placas amilóides externas aos neurônios. A outra é a hiperfosforilação da proteína tau. Este processo altera o equilíbrio eletro-químico dos neurônios, levando à formação de emaranhados neurofibrilares dentro destas células. Estes mecanismos determinam o processo de atrofia cerebral, na medida em que matam neurônios.

Esta atrofia cerebral, por sua vez, é responsável pelos sintomas que conhecemos da demência, cujo  primeiros sintomas são perda de memória ou apatia, que progridem até interferir com a realização das tarefas diárias. Há fortes indícios de que falhas na comunicação entre os neurônios, as chamadas sinapses, estão por trás da perda de memórias em pacientes com a essa enfermidade.

Com o tempo, a falta de memória se agrava e surgem déficits cognitivos: distúrbios de linguagem, alterações visuais, dificuldades motoras progressivas, declínio intelectual, sintomas psicóticos e alheamento, alterações comportamentais, levando a um importante impacto socioeconômico para os indivíduos, famílias e governos.

Os professores brasileiros lideraram uma pesquisa que revelou que um hormônio recentemente descoberto e chamado de irisina pode ser a chave para entender os benefícios do exercício físico na Doença de Alzheimer. Os pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostraram que a irisina, sabidamente produzida pelo músculo, também pode ser produzida pelo cérebro em resposta ao exercício físico.

Havia-se descrito anteriormente que a função da irisina seria regular o metabolismo do tecido adiposo, onde ficam armazenadas as reservas de gordura do corpo, em resposta ao exercício físico. No entanto, o novo estudo mostra que a irisina também tem efeitos benéficos no cérebro, ao promover mecanismos que protegem as sinapses e favorecem a manutenção das memórias. O grupo de cientistas da UFRJ inicialmente mostrou que a irisina se encontra em níveis bastante diminuídos nos cérebros de pacientes afetados pela Demência de Alzheimer, assim como no cérebro de camundongos que são utilizados como modelos experimentais da doença.

Eles descobriram que a reposição dos níveis de irisina no cérebro de diferentes formas, inclusive através do exercício físico, foi capaz de reverter a perda de memória dos camundongos afetados pela doença.

Mais ainda, os pesquisadores descobriram que a irisina atua como responsável pelos efeitos benéficos do exercício físico no cérebro e na memória dos camundongos.

As descobertas do grupo brasileiro reforçam a importância da atividade física para prevenir a perda de memória e doenças do cérebro, inclusive a doença de Alzheimer. Este novo estudo demonstra, ainda, que a administração de irisina consegue mimetizar, ao menos em modelos animais, os efeitos do exercício físico no cérebro, o que pode ser terapeuticamente importante para pacientes idosos que não conseguem mais se exercitar adequadamente.  Finalmente, por se tratar de um hormônio produzido pelo próprio organismo humano, imagina-se que a irisina poderia trazer menos efeitos colaterais adversos em futuros testes clínicos com seres humanos e, especialmente, em pacientes afetados pela Doença de Alzheimer.

Em suma, o trabalho demonstra de maneira criteriosa, que a irisina produzida pelos músculos é um importante fator na prevenção e na melhora da performance cognitiva em indivíduos suscetíveis à Doença de Alzheimer e que pode promover efeitos benéficos mesmo naqueles que estejam doentes. Portanto, há uma enorme probabilidade de haver benefício em suplementar este hormônio, medicamentos à base de irisina em pacientes com Demência de Alzheimer, principalmente naqueles que não são capazes mais de se exercitar, e reitera-se a necessidade e a relevância dos exercícios físicos na prevenção e tratamento de pacientes com Doença de Alzheimer.

As estratégias de prevenção e cuidados com a doença envolvem vários pilares, e esta descoberta vem enfatizar a atividade física como benefício não só para mente, mas para saúde global comprovada.

 

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