Casa em processo de tombamento é incendiada no centro da cidade
qui, 19 de julho de 2018 05:31por Tatiana Oliveira
Proprietários do local não aceitaram que ela fosse considerada patrimônio histórico, mas residência foi inventariada
Na terça-feira, 17, no final da tarde, por volta das 17h30, a 3ª Companhia do Corpo de Bombeiros Militar de Araguari foi acionada para debelar incêndio a uma residência abandonada no centro da cidade. Trata-se de uma das casas históricas localizadas na rua Aurélio de Oliveira, a qual foi tomada por chamas. De acordo com os militares, a operação levou 40 minutos e mais 2h para os trabalhos de rescaldo; os trabalhos foram encerrados às 20h.

15 mil litros d’água foram utilizados no combate às chamas
Foram registrados diversos danos estruturais. “O teto e três paredes internas desabaram e tivemos que derrubar uma parede no lado esquerdo porque ela tombou e teve uma trinca pontual, oferecendo perigo”, relata o 2º tenente Ésio Oliveira Ribeiro, comandante do 1º Pelotão da 3ª CIA BMMG do 5º BBMMG. Segundo ele, os riscos foram contidos. “O único perigo agora é para quem passa na calçada, pois ficaram objetos que podem causar acidentes.”
Os militares suspeitam que o incêndio tenha sido criminoso. “A Polícia Civil interditou o local e trabalhamos com a hipótese de que foi criminoso, porque a casa não tinha energia elétrica nem morador fixo, portanto, não havia risco de esquecimento de uma panela no fogo, por exemplo. Levantamos dados que comprovam o fato de haver uma disputa judicial entre herdeiros que preferem desmanchar a casa, mas como ela é histórica não pode ser derrubada”.

Há suspeitas de que incêndio tenha sido criminoso
A Polícia Civil esteve no local na noite de terça e na quarta-feira, 18, mas até o fechamento da edição não conseguimos contato para confirmar a suspeita. “De acordo com testemunhas, o local era frequentado por usuários de drogas e talvez, alguém tenha ateado fogo para afugentar os frequentadores e provocar o dano estrutural. Dessa forma a casa poderia ser derrubada”, comenta.
O tenente conta que a priori os bombeiros receberam uma ligação sobre o incêndio, mas a cidadã não sabia dizer a dimensão dele, ou se atingia apenas o quintal da casa. “Estávamos realizando combate a incêndio em uma vegetação. Logo na sequência, vários telefonemas chegaram relatando que as chamas estavam na casa. Nossa equipe foi até o local e começamos os trabalhos utilizando, ao todo, 15 mil litros de água, sendo necessário o apoio do caminhão-pipa da Superintendência de Água e Esgoto – SAE – para reabastecer nosso caminhão.” Ao todo, seis bombeiros militares debelaram o sinistro.
Os agravantes das chamas, segundo o tenente, foram vários. “A casa é feita de pau a pique, de madeira e encontramos vestígios de que moradores de rua e usuários de droga estariam vivendo lá. Dentro da casa havia restos de colchão e muito lixo acumulado, fazendo com que o fogo se propagasse rapidamente tomando grande proporção.
Tombamento
Segundo a Fundação Araguarina de Educação e Cultura – Faec, a casa estava no último processo de inventário para ser tombada como patrimônio histórico. A família proprietária da residência, de acordo com o presidente da fundação, Jean Carlos Laverdi, não autorizou o tombamento. “Houve apenas a pré-inscrição. Ali na Aurélio de Oliveira todas as casas são inventariadas, nenhuma é tombada.” Os cuidados com segurança e manutenção são de responsabilidade do proprietário.
Mesmo assim, Laverdi comenta que alterações estruturais não podem ser feitas de qualquer forma. “O proprietário precisa pegar autorização da Faec, que encaminha as alterações ao Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural. “Nós falamos com o proprietário sobre o valor histórico, nos reunimos com o arquiteto e aprovamos, ou não, as alterações.”
Outra residência que apresenta danos estruturais é a localizada na praça Padre Nilo Tabuquini, ao lado de uma casa noturna. “Ela é um bem tombado por meio de um acordo entre proprietários e órgãos públicos. Existe uma ação do Ministério Público e Executivo para que a reforma seja feita, inclusive tivemos uma audiência do dia 16 a 18 de junho sobre isso. Os proprietários falaram que não tem condições de arcar e querem que o município pague os consertos, mas é uma corresponsabilidade.”
Segundo Laverdi, existe uma verba do Estado própria para a realização de reparos como este, com manutenções autorizadas pelo Conselho, mas o serviço deve ser feito junto aos proprietários, em coparticipação.
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