Árvores do Bosque John Kennedy estão sendo retiradas legalmente
qui, 18 de janeiro de 2018 05:11por Mel Soares
Assunto rendeu polêmica e pode gerar problemas aos autores de ações de impedimento das supressões realizadas pelo Corpo de Bombeiros
Ao passear pelo Bosque John Kennedy, que em novembro completa 119 anos, é possível flagrar diversos animais como mico-estrela, saracura-do-mato, quati, pássaros e mais de 100 espécies de plantas nativas. Mas um dos cenários que tem chamado a atenção da população e gerado polêmica em rede social são os cortes de árvores promovidos pela 3ª Companhia do Corpo de Bombeiros.
A reportagem apurou que a supressão está sendo viabilizada mediante autorização do Codema (Conselho Municipal de Defesa e Conservação do Meio Ambiente). Foi possível ter acesso ao documento contendo o diagnóstico das espécies sendo constatado que as intervenções foram consolidadas após a apresentação evidente de queda.
Conforme o secretário de Meio Ambiente, Hamilton Tadeu de Lima Junior, algumas pessoas têm causado transtorno durante o trabalho da direção do bosque e da instituição militar. “Os funcionários foram orientados quanto a medidas que podem ser tomadas contra estas pessoas que estão tumultuando o serviço, como o acionamento da Polícia Militar para registro de Boletim de Ocorrência. Os servidores também estão sendo desacatados e providências judiciais estão sendo tomadas”, afirmou o titular da pasta de Meio Ambiente.

Além da vegetação, espécies de animais como mico-estrela são comuns na reserva urbana natural
Além da rede social, o assunto Bosque John Kennedy foi ressaltado pelo vereador Dhiosney Andrade (PTC) durante a sessão da Câmara Municipal dessa terça-feira, 16.
O edil solicita ações do poder público em relação a revitalização do espaço de lazer. Para averiguar a situação, a reportagem esteve no local na tarde dessa quarta-feira, 17.
Um grupo de alunos vindos de diferentes estados brasileiros para participarem do curso de Luthieria, promovido semestralmente em Araguari, passeava pelo local. Uma das reivindicações foi em relação à falta de placas que identificam o bosque e as espécies das árvores. “A área do bosque é bem extensa. Na sua entrada poderia ser colocado um mapa”, sugeriu Mauri Costa, que é comerciante.
“Quando fui para o hotel passei de carro na porta do bosque, mas não tem nenhuma placa visível”, destacou Eustáquio Damaceno Pereira. O tecnólogo reside em Belo Horizonte e segundo ele, no Parque municipal é permitida a entrada de animais. “Tendo o cuidado em utilizar coleira não vejo problemas para impedir a circulação deles”, opinou.
A Sala Verde, que atende a grupos de estudantes, também está na lista dos locais que precisam de mudanças. Devido a rachaduras nas paredes a Sala Verde não está apta a receber alunos. A reportagem esteve no local e conferiu os transtornos que incluem mofo e coleções de livros destruídas devido a goteiras.
Os banheiros do bosque também estão com problemas, dentre eles: vazamento constante de água nas torneiras. Além disso, a iluminação do palco está comprometida após furto nas instalações elétricas.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente, levantamento topográfico foi realizado, mas ainda é necessário aguardar a contratação de especialista por meio de processo licitatório para dar início às intervenções.
Insegurança
Na tarde de ontem, 17, um casal de idosos caminhava pela passarela principal cumprindo a atividade física diária que é feita há mais de 30 anos. Apesar de afirmarem que a mata favorece o bem-estar durante o trajeto, eles não negaram o sentimento de insegurança. “Nunca sofremos nenhum tipo de violência, mas temos medo porque sempre nos deparamos com pessoas que aparentemente apresentam riscos”, destacou o senhor que preferiu não se identificar.
Uma estrutura para abrigar posto policial foi disponibilizada na parte central, mas com a falta de uso foi deteriorando e sendo alvo de atos de vandalismo.
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