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Servidores da Superintendência de Água e Esgoto são ouvidos em audiência da CLI do Pão e Leite

ter, 28 de novembro de 2017 05:44

por Tatiana Oliveira

Cinco funcionários de cargo efetivo prestaram depoimentos nas oitivas de ontem na Câmara de Vereadores

A Comissão Legislativa de Inquérito, a CLI do Pão e Leite, reuniu-se ontem 27, pela manhã em audiência para ouvir depoimento de cinco servidores concursados da Superintendência de Água e Esgoto – SAE. No momento foram feitos diversos questionamentos às testemunhas, para averiguar fatos levantados em documentação juntada pela comissão. “Com o depoimento das testemunhas, a CLI tomou outra proporção. Foram levantados nomes de diversos servidores que iremos convocar, para ouvi-los também”, afirma o presidente da CLI Dhiosney de Andrade (PTC).

Servidores informam que não houve alteração na qualidade do café da manhã e da tarde na autarquia entre 2016 e 2017

Servidores informam que não houve alteração na qualidade do café da manhã e da tarde na autarquia entre 2016 e 2017

 

Da mesma forma, diversos documentos foram solicitados, inclusive sobre a existência de uma ação cível. “Existe um boato sobre investigação a respeito de um possível extravio de documentos da SAE. Além de um ofício enviado à Polícia Civil, também queremos chamar em uma data futura o atual superintendente da SAE, para saber como estava a autarquia quando ele assumiu a gestão”, coloca o vereador do PTC.

O advogado de Edson Dias Vieira Júnior, superintendente da
SAE que estava em exercício na época do período sob investigação, pediu que a oitiva fosse adiada por dois dias, mas o prazo não foi concedido. “Não demos esse prazo tendo em vista que o advogado estava presente para acompanhar tudo”, coloca Andrade. O relator da CLI, Levi de Almeida Siqueira (PMDB) também foi favorável com a continuidade da oitiva. “Tenho o mesmo entendimento de não concedermos e ouvirmos os servidores convidados, pois isso não irá atrapalhar no direito de defesa do investigado”, comenta o relator. O membro da CLI, Sebastiao Joaquim Vieira (PRP) divergiu. “Tenho entendimento diferente, não vejo motivo para recusar esse prazo, mas sou voto vencido”, expõe durante a audiência.

Durante a oitiva e o depoimento das testemunhas convocadas foram levantadas diversas informações. Dois servidores que trabalham em campo afirmaram que, além do café da manhã, levam a campo para consumir durante a tarde quatro pães e um litro de leite. Conforme relato, a quantidade é para cada equipe de dois funcionários. Um levantamento feito pela Gazeta do Triângulo a partir das notas fiscais fornecidas pela panificadora à autarquia em junho do ano passado, para justificar o gasto de R$ 33.811,65, cada servidor teria que consumir diariamente a média de 7,8 pães e quatro litros de leite.

A falta de transparência também foi apontada por dois servidores que ocupam cargos de coordenação. “Em outras gestões nós participamos mais. Eu gostaria de ter mais informações para dar, mas não tenho”, afirma a secretária do setor de Obras da SAE, Ana Cristina Cruz, em depoimento.

O motorista questionado, Rodrigo Pereira Bastos, contou em seu depoimento que em alguns momentos os servidores iam até a padaria buscar os itens do lanche. “Isso acontecia raramente, mas, inclusive eu, fui buscar o pão”. Questionado a respeito do uso dos veículos da superintendência para buscar os itens do café, o coordenador de frotas não soube responder. “Na administração passada não pediam autorização do nosso setor para usar o carro e buscar o pão, então não sei dizer se de fato isso ocorreu”, explana Reinaldo Gomes de Lima.

Todas as testemunhas afirmaram não ter alteração na qualidade do lanche fornecido entre 2016 e 2017, bem como não haver um aumento considerável de funcionários na autarquia no período investigado. “Funcionários a mais só aqueles que capinavam, da empresa terceirizada. Eram uns quatro a mais, mas isso não acontecia sempre, era de vez em quando”, afirma o serviços gerais Luciano Gonçalves em seu testemunho. Segundo eles, a única alteração é que na gestão anterior eram realizadas festas de aniversário. “Nas datas comemorativas tínhamos outros produtos, como quitandas e refrigerante”, contam diversas testemunhas.

Conforme explica o presidente e o relator da CLI, a intenção é que a investigação termine antes do recesso do Legislativo no final do ano. O advogado do superintendente investigado preferiu não se pronunciar à imprensa, por falta de conhecimento do caso. Segundo ele informou na audiência, foi contratado pelo cliente ontem pela manhã.

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