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Enem 2017: vários aspectos de inclusão social foram discorridos no primeiro dia de provas

ter, 7 de novembro de 2017 05:49

por Carolina Rodrigues

Desafios para formação de surdos no Brasil foi o tema da redação

O primeiro dia de provas passou e o Enem se tornou, mais uma vez, centro das atenções e alvo de discussões nas redes sociais. Especialmente, quando o Ministério da Educação (MEC) soltou o tema da redação no Facebook, três minutos após o início da prova, “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”.

Por esse tema, poucos esperavam. Lucas Reis, professor de português e literatura, afirma que, apesar de imaginar algo relacionado à inclusão social, o assunto foi uma surpresa; “é um tema muito válido, que segue a tendência social realizada nos exames passados, mas a surpresa para mim e para os alunos foi o afunilamento do tema”.

Lucas Reis também aponta que realmente esperava um tema menos polêmico, devido à mudança da banca de corretores e à decisão do Supremo Tribunal Federal que suspende a regra de zerar a redação caso tenha citações e argumentos que violem os direitos humanos.

No primeiro dia, foram aplicadas as provas de linguagens, ciências humanas e redação

No primeiro dia, foram aplicadas as provas de linguagens, ciências humanas e redação

 

Ministrando há 12 anos, o docente ressalta sua preferência pelos temas escolhidos pelo Enem por serem assuntos que a sociedade precisa discutir e refletir. “O Brasil é um país que não discute inclusão social. Então, abordar questões como educação para surdos, violência contra mulheres, racismo, intolerância religiosa é fundamental”, pontua.

Outros assuntos no decorrer da prova foram escravidão, estrutura política, Palestina, usina hidrelétrica de Belo Monte e proteção às terras indígenas; além disso, Chico Buarque, Clarice Lispector, Racionais MC, Gregório Duvivier, Paulo Leminski, Frida Khalo e James Bond são alguns artistas e personalidades citados nas provas de linguagens e ciências humanas.

“A prova foi cansativa, mas muitos temas interessantes foram abordados, entre eles violência doméstica e o padrão de beleza que a sociedade impõe às mulheres”, reitera a estudante Marília Rodrigues. A expectativa da jovem é que o segundo dia de provas seja melhor, por ser mais adepta às disciplinas de matemática e ciências da natureza.

Em relação à prova ser realizada em dois domingos, tanto o professor quanto a estudante concordam que a mudança é favorável. “Um dia de prova é exaustivo, dois dias seguidos pesam bastante, então, estou gostando da experiência de fazer as provas em dois finais de semana”, afirma Marília Rodrigues.

“Acho muito positivo as provas serem em dois dias, pois evita a fadiga e o cansaço. E a redação ser no primeiro dia também é bom, pois é uma das partes mais tensas do exame; desta forma, os alunos vão um pouco mais tranquilos para a prova no próximo domingo”, finaliza Lucas Reis.

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