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MPF articula liberação de imóveis do Dnit para uso da prefeitura

ter, 22 de agosto de 2017 05:34

Da Redação

Objetivo é reduzir gastos com alugueis de espaços para abrigar as secretarias do município e preservar o patrimônio histórico

Uma tratativa foi enviada ao Ministério Público Federal – MPF –  pela prefeitura, por meio da secretaria de Ação Social, com a finalidade de liberar os imóveis localizados atrás do Palácio dos Ferroviários para serem utilizados pelo município. Segundo a secretária da pasta, Eunice Maria Mendes, a intenção é reduzir gastos. “Somente com o aluguel da Ação Social a prefeitura tem um gasto mensal de R$10 mil”.

Estação foi recuperada em 2005 abriga o centro administrativo da prefeitura

Estação foi recuperada em 2005 abriga o centro administrativo da prefeitura

 

Conforme explica à Gazeta do Triângulo, o documento é uma descrição dos imóveis, que ainda não foram utilizados pela prefeitura. “Hoje o local é do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – Dnit. Tem um processo no MPF desde 2012, agora não deve demorar muito para liberarem os imóveis”.

A parceira é firmada com o Ministério Público Federal para tentar uma cessão desses bens à prefeitura. “É uma forma de preservamos o local, pois serão realizadas reformas e manutenção do patrimônio”, disse. “Queremos conservar a nossa história, a trajetória de vida dos ferroviários que aqui nasceram e trabalharam”, completa.

Companhia Mogiana de Estrada de Ferro

Segundo artigo publicado na revista Vitruvius, de julho de 2010, no ano de 1896 a Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, estendeu o trecho que se iniciava na cidade de Campinas até Araguari. Dez anos depois, em 1906 é iniciada na cidade a construção da Estrada de Ferro Goyaz, destinada a ligar o estado de Goiás ao sudeste do Brasil. Esta conexão das duas linhas ferroviárias fez com que a cidade se tornasse o principal entreposto de cargas e passageiros entre Goiás e São Paulo no início do século XX.

Após a chegada das ferrovias a cidade teve seu maior crescimento econômico e populacional, saltando de 10.000 habitantes em 1890 para 43.000 em 1950, tornando-se uma das poucas cidades do interior do Brasil com mais de 40.000 habitantes na década. A cidade foi o principal centro econômico da região até o início da década de 1950, quando o modal de transporte brasileiro foi gradualmente substituído pelas rodovias. Neste período, emergia a vizinha cidade de Uberlândia, como ponto central do novo transporte rodoviário na região.

Hoje, tenta-se preservar o que resta da memória física do período em que a cidade se beneficiou do transporte ferroviário. Alguns resultados positivos foram alcançados, como o tombamento do conjunto arquitetônico e paisagístico da antiga estação e sede da Estrada de Ferro Goyaz. Entretanto a estação e os trilhos da Companhia Mogiana foram totalmente demolidos.

Em 1954 a Estrada de Ferro Goyaz transfere sua sede para Goiânia, nova capital do estado de Goiás, levando todo o seu grupo de funcionários de média e alta hierarquia da empresa. No ano 1971 a Ferrovia Mogiana é incorporada à Ferrovia Paulista S.A. – FEPASA. Toda a sua estrutura (trilhos na área urbana, vila ferroviária e estação de passageiros) foi demolida.

A estação antiga da Estrada de Ferro Goyaz, (a partir de 1956 integrada à Rede Ferroviária Federal) foi desativada no ano 1973 e uma nova estação foi construída, baseada apenas no transporte de cargas, juntamente com a construção de novos trilhos no limite do perímetro urbano, retirando o sistema ferroviário da região central da cidade.

No ano 2002 o conjunto arquitetônico e paisagístico da antiga estação da Estrada de Ferro Goyaz (composto pela estação de passageiros, escola profissional, hospital, galpões de cargas, oficinas e pátio ferroviário) foi tombado pelo Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – IEPHA. O edifício da estação foi recuperado e entregue em 2005, e hoje abriga a prefeitura de Araguari.

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