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Instituto Nefrológico solicita apoio da prefeitura para continuar o atendimento na cidade

sáb, 17 de junho de 2017 05:21

por Stella Vieira

Ano passado 17 clínicas de hemodiálise fecharam no Brasil

O Instituto Nefrológico de Araguari atende a 110 pacientes através do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, as sessões de hemodiálise realizadas por meio do serviço público tem gerado prejuízo, o que causou o fechamento de 17 clínicas no Brasil em 2016. Em Araguari, os responsáveis pela clínica solicitam o apoio da prefeitura para que possam continuar atendendo aos pacientes do município.

Cada sessão de hemodiálise custa R$ 280 e repasse do Governo Federal é de R$ 194

Cada sessão de hemodiálise custa R$ 280 e repasse do Governo Federal é de R$ 194

 

De acordo com Marcos Vinicius de Pádua Neto, diretor do Instituto Nefrológico de Araguari, o valor pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por sessão de hemodiálise está defasado. “O Governo Federal não aumentava o repasse há sete anos, então, o Ministério de Saúde realizou os cálculos e verificou que, para cobrir os gastos, cada sessão de diálise deveria custar R$ 280. Mesmo assim, o governo paga R$ 194 e tivemos épocas de até três meses de atraso para recebermos esse valor. Nessa gestão, estamos recebendo o pagamento em dia”.

Em 2014, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou uma portaria que obriga as clínicas a descartarem o material utilizado em cada sessão de diálise. “Existem países no mundo que descantam esse material, porém, essa portaria aumenta mais ou menos 7% dos gastos da clínica, sem contar a quantidade de lixo que essa medida gera. Esse material poderia ser aproveitado em até 20 vezes, mas a Anvisa impôs mais essa despesa”.

A Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplantes e a Sociedade Brasileira de Nefrologia tentaram recorrer à decisão da Anvisa. “Em maio, os representantes estiveram no Senado, mas as solicitações não foram ouvidas, então, algumas cidades do país, como Natal, São Paulo, Salvador e outras do interior do estado de São Paulo isentaram as clínicas do ISS (Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza) para ajudar a mantê-las”.

O diretor da clínica esteve reunido com o prefeito Marcos Coelho (PMDB) e expôs a situação. “Essa é uma questão de sobrevivência para a clínica e é um valor que não vai pesar para o município. Precisamos cumprir as leis e somos vistoriados pela Anvisa, então, essa é uma das formas de diminuir o nosso prejuízo”.

O diretor ressalta que ano passado, 17 clínicas de hemodiálise fecharam no Brasil e o número de pacientes tem aumentado. “As doenças que levam as pessoas a terem que fazer esse procedimento são diabetes e a hipertensão, que são doenças muito comuns nos dias de hoje, então, o crescimento do número de pacientes é exponencial”.

Atualmente, o Instituto Nefrológico de Araguari atende a 110 pacientes pelo SUS. “Caso a clínica feche, seria muito mais oneroso para a prefeitura ter que transportar esses pacientes para cidades vizinhas. Em Uberlândia, existem pessoas vivendo em hospitais enquanto aguardam vagas em clínicas de hemodiálise e, atualmente, ninguém está expandindo o atendimento, pois, quanto mais pacientes a clínica recebe, maior o prejuízo financeiro”.

Segundo o diretor, um paciente realiza três sessões de diálise por semana, podendo chegar a 14 por mês. “Às vezes, a necessidade do paciente é até maior, mas essa é a quantidade que comportamos hoje. Existem pacientes que fazem sessões todos os dias. Realizamos aproximadamente 1.200 sessões mensalmente e, somente com o descarte de material, precisamos desembolsar quase R$ 12 mil a mais por mês”.

Marcos Vinicius de Pádua  Neto ressalta que a isenção do ISS não cobre os gastos da clínica. “Essa é uma maneira de diminuir nosso prejuízo, mas estamos pedindo o apoio da prefeitura, pois o Governo Federal não está atendendo às demandas e essa é nossa única fonte de renda”.

Cada sessão de hemodiálise dura aproximadamente quatro horas. “Todo o volume de sangue do paciente passa por um filtro, que retira toda a água e sujeira que os rins deveriam filtrar. As pessoas têm em média entre dois e três litros de sangue e, como a velocidade do aparelho é de 300 ml por minuto, são necessárias quatro horas para que todo esse volume passe várias vezes pelo filtro até estar limpo. O paciente que necessita de diálise não consegue urinar, então, essa é a única opção para que sobreviva enquanto não realiza um transplante. Hoje, temos muitos pacientes idosos. Essa é uma questão de vida para nossos pacientes”.

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