Batalhão Mauá comemora 50 anos da chegada do primeiro trem a Brasília
ter, 14 de março de 2017 05:37Por Edmar César
*Escritor e presidente da Academia de Letras e Artes de Araguari
Nesta data histórica de 14 de março, comemoram-se os 50 anos da chegada do primeiro trem à capital da República, na Estação Bernardo Sayão, com a conclusão do trecho ferroviário Pires do Rio – Brasília, do Tronco Principal Sul, com 246 km de extensão, obra realizada pelo 2º Batalhão Ferroviário – Batalhão Mauá.
Após 27 anos de profícuos trabalhos no sul do país, aquela tradicional Unidade do Exército Brasileiro, ao encerrar sua primeira missão ferroviária ligando Mafra a Lages, em Santa Catarina, importante trecho do Tronco Principal Sul, recebeu uma nova missão: integrar Brasília ao sistema ferroviário nacional. Para cumprir tão nobre tarefa, o Batalhão Mauá deixou a cidade de Rio Negro/PR e se instalou na cidade de Araguari, em 1965.

Batalhão Mauá comemora 50 anos da chegada do primeiro trem a Brasília
Tão logo se radicou com seu efetivo em pessoal, material, enfim, com sua logística complexa de uma Unidade militar que por quase três décadas se encontrava na região sul do país, mesmo sem tempo para adaptações deu início, de imediato, ao seu cronograma de trabalho, instalando suas Companhias de Engenharia nas cidades de Araguari, Ipameri, Pires do Rio e em outras localidades próximas ao local das obras.
O prazo recebido para a construção da ligação férrea Pires do Rio a Brasília era pouco menos de um ano e dez meses. A data para a chegada do primeiro trem à Capital da República estava marcada para o dia 14 de março de 1967, véspera da passagem do governo do Marechal Castelo Branco para o Marechal Costa e Silva. Para sua realização foi montada pelo comandante da Unidade, à época, Coronel Ênio Pinheiro dos Santos, uma das maiores operações vistas na engenharia militar: “A operação “ligação Pires do Rio-Brasília” ficará, certamente, registrada nos anais do 2º Batalhão Ferroviário e da Engenharia Militar Brasileira, como uma página audaciosa e brilhante.”
O objetivo de toda a Unidade, civis e militares, era um só: cumprir a missão no prazo determinado. Como era uma guerra e na guerra não há meio termo, ou se ganha ou se perde, todos estavam com os olhos voltados para o km 232, em Bernardo Sayão, apesar das dificuldades enfrentadas conforme nos declarou o Capitão Ruy Tibiletti, um dos militares envolvidos diretamente naquela operação.
Finalmente, no dia 14 de março de 1967, o 2º Batalhão Ferroviário cumprira sua primeira missão ferroviária no Planalto Central Brasileiro, possibilitando, apesar da incessante chuva, a chegada do comboio pelos trilhos da ligação Pires do Rio – Brasília à Estação Bernardo Sayão, no Núcleo Bandeirante. Eram 17h30, quando o Ministro da Viação e Obras Públicas, Marechal Juarez Távora, fez soar naquela região o apito da LC-04, locomotiva Jung, L-420C, juntamente com a Rio Negro e Mafra, locomotivas à vapor número 1 e 2 do Batalhão Mauá, respectivamente, anunciando a chegada dos trilhos que integraram a Capital Federal ao Sistema Ferroviário Nacional.
O jornalista Odilon Neves esteve presente, registrando o histórico evento e transmitindo ao vivo pela então Rádio Cacique de Araguari. Conforme seu relato: “foi uma verdadeira epopeia, nunca participei de uma festa tão bonita igual àquela. Fomos convidados para fazer a cobertura da chegada daquele comboio ferroviário em Brasília. Pelo caminho estava uma chuva danada, era chuva que não parava e ainda havia máquinas trabalhando na ferrovia. Quando chegamos próximo de Brasília, foi uma festa e tanto. Eu estava com uma estação transmissora montada dentro de uma locomotiva e falando: … estamos vivendo a primeira viagem de trem pela Capital do Brasil, construída pelo 2° Batalhão Ferroviário de Araguari… e assim foi.”
Naquela oportunidade, o Batalhão Mauá acabara de confirmar a pujança de sua gente, o valor de suas tradições, sua fé no Brasil.
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Servi no 2o Btl Ferroviário, Batalhão Mauá, quando era sediado em Rio Negro, PR, nos anos de 1959 a 1962.
Servia na 3a. Cia de Construção sediada na região de Taiti.
Entre tantos outros, lá conheci o então Cabo Ruy Tibilleti.
Foi um prazer ler este relatório da chegada dos trilhos em Brasília.
O Btl Mauá sempre se notabilizou pelo esmero, competência e dedicação de seus integrantes.
Sinto-me honrado em ter pertencido à está Unidade Militar.