Sexta-feira, 13 de Março de 2026 Fazer o Login

Ficha Técnica – Em respeito à voz do aluno cidadão

qua, 9 de novembro de 2016 05:43

Abertura-ficha-tecnica

Algumas verdades titubeiam minhas expectativas e vagam-me com certa indigestão. Não pela desinformação descabida de outrem, mas por não conseguir engolir a fragrância ilusória que exala no meio ambiente. Sim, meus caros. O Palmeiras é campeão nacional, o Tite é meu herói. O Bolsonaro é o Donald Trump brasileiro, ocupação não é invasão e, pasmem, é possível não ser petista e discordar da PEC 241, 55, ou seja lá o que for.

Mensagem na Escola Raul Soares em Araguari

Mensagem na Escola Raul Soares em Araguari

 

Era tempo de Carnaval no Rio de Janeiro. Verão, Sol, praia e todos os serviços que essa época oferece. A um oceano de distância estava Romário. Com uma ansiedade que não cabia em si, ele acertou sua folga com o até então treinador do Barcelona, Johan Cruyff, na condição de que assinalasse dois gols no próximo jogo. Com 20 minutos, a aposta estava cumprida e o baixinho se dirigiu ao banco de reservas – “Professor, meu avião sai em menos de uma hora, preciso sair”.

No verão de 2000, o professor era Antônio Lopes, cuja missão era domar nada mais que o “príncipe e o bobo da corte” juntos. Com a dupla Romário e Edmundo, o Vasco engoliu o Manchester United, campeão europeu sob as lições do lendário Alex Ferguson, em pleno Maracanã. Apesar de instaurar o consenso no ataque cruzmaltino, o trabalho do treinador brasileiro não rendeu o título do torneio, mas lances históricos naquele período.

Em Araguari e Uberlândia, alunos e professores em sintonia muito maior também protagonizam momentos históricos de suas gerações. Eu que sou da época em que o grande traço de cidadania na escola era participar do grêmio escolar ou da comissão de formatura, curvo-me perante tamanha determinação. Uma ocupação legítima, voluntária, organizada e movida por jovens e adolescentes que exercem o direito de cidadão numa oportunidade única de debater as políticas públicas do país.

O que vi nas últimas semanas foi o orgulho transbordado nos olhares de pais, mães, filhos e professores em prol da educação, muitos dos quais sequer calculavam a própria capacidade dos alunos. Água, comida, divisão de funções e aula em praça pública. Mesmo assim, num país onde o endereço da operação policial é a porta de uma escola, melhor tratá-la como massa de manobra. Um agente nocivo à Constituição.

*Em homenagem aos ocupantes das escolas públicas em Uberlândia e Araguari

2 Comentários

  1. Professor disse:

    Meu amigo, acho que seu artigo merece maior pesquisa, esses dados são totalmente falsos.
    Veja quantos são contra e quantos a favor de tal ocupação.
    Em Araguari como você mesmo citou, saiba que menos 10% e a favor das ocupações, mais como sempre os exquerditas omitem dados e tentam fazer revolução de forma porca(queima de pneus como já e conhecido tais atos de protesto)
    Cade a democracia? Cade o direito dos outros alunos?

  2. Cristiane Freitas disse:

    Pj, eu sempre fã de seus artigos!!! Esse não menos. Mas sua mãe estava lá no momento da desocupação pacífica induzida e testemunhou. Entendo, respeito e até apóio a pressão sofrida pela direção da escola pelo Ministério Público (especificamente trato do Raul Soares, onde meu filho estuda e era um dos ocupantes pacífico, que efetivamente contribuiu com a promoção das atividades durante as quase duas semanas em que durou a ocupação. O orgulho que você viu transbordou dos olhos de pouquíssimos pais e mães (sou uma delas) e alguns professores que estiveram apoiando e participando do processo. No mais, além desse pequeno, mas bem pequeno grupo, o que se viu foi um monte de pais aliviados pela “volta às aulas”. Sua preocupação era: as aulas vão ser respostas? E SÓ! Eles merecem sim essa homenagem! Foram valentes em lidar com a frustração de ver seu movimento pacífico e legítimo desmanchado por um banho de água fria autoritário e hipócrita (me refiro às alegações do MP). Foram valentes em aceitar a aparente derrota! Mas indubitavelmente não são mais os mesmos!!! Em menos de duas semanas amadureceram do ponto de vista do conhecimento de mundo, que anos sentados nos bancos da escola não os ensinaram. Fizeram história. Estão fazendo. Foram sábios em silenciar seu manifesto, pq sei que essa luta está apenas suspensa. Ela não acabou! Abraços!

Deixe seu comentário: