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Neuropsi – Saiba como tratar uma criança com depressão

qui, 19 de maio de 2016 08:44

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1-Como você diferencia a depressão infantil dos distúrbios de hiperatividade e atenção?

Na criança, é bem fácil diferenciar a hiperatividade da depressão. Criança hiperativa não para quieta se mexe o tempo todo, principalmente os meninos. Entretanto, há um subtipo de hiperatividade que se caracteriza pela desatenção. A criança não é hiperativa fisicamente, mas não consegue focar a atenção, por isso se retrai e vai abandonando as atividades. Muitos a consideram desligada, mas ninguém a considera uma criança triste.

Ao contrário, criança deprimida logo demonstra que não se interessa por nada e não há brincadeira que a faça sentir-se melhor. Fica parada o tempo todo e quer sempre alguém em que confie por perto.

 

2-Crianças deprimidas perdem a iniciativa?

Sim. Elas perdem a iniciativa e deixam de aprender. Na escola, apresentam várias dificuldades de aprendizado e, num primeiro momento, são encaminhadas para a avaliação do oftalmologista, do otorrino, da fonoaudióloga. Passam também por testes específicos para o déficit de atenção e hiperatividade. No passado, o diagnóstico de depressão era feito por exclusão. Hoje se sabe que sintomas como alterações do apetite e do sono, diminuição da atividade física, medo excessivo, duradouro e persistente, são próprios da depressão infantil.
3-Como identificar a depressão infantil?

É preciso estar atento às mudanças no comportamento da criança. Os sintomas depressivos variam de acordo com a faixa etária. Quando as crianças ainda não conseguem expressar claramente seus sentimentos verbalmente, é necessário observar as formas de comunicação pré-verbal, tais como mudanças de comportamento repentino, alterações das expressões faciais ou da postura corporal, produções gráficas, irritabilidade, choro fácil e especialmente perda de interesse por brincar. No âmbito social, a depressão na infância pode afetar especialmente as relações sociais, ou seja, as amizades e a capacidade da criança se relacionar com os outros, podendo chegar até ao isolamento.

 

4-Qual é o inconveniente de não diagnosticar a doença e não iniciar o tratamento precocemente?

Primeiro, a dificuldade de aprendizado é grande. Depois, a criança vai crescer achando que a alegria estampada nas outras pessoas não foi feita para ela e conforma-se com esse referencial. Mais tarde, quando adolescente, estará mais propensa ao uso de drogas, porque irá procurar alguma coisa que alivie esse desconforto permanente. Não é possível que só os outros consigam ser felizes.
5-Como tratar uma criança com depressão?

O reconhecimento das manifestações iniciais da depressão favorece o tratamento, pois possibilita o melhor prognóstico e a prevenção de outros problemas associados. Como a depressão interfere diretamente no desenvolvimento infantil, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado ainda na fase inicial da vida são muito importantes, pois as repercussões da doença são graves e sérias. O tratamento na maioria dos casos envolve a psicoterapia e a orientação familiar, em casos mais graves, a introdução de medicação apropriada pode ser recomendada. Os profissionais que devem ser procurados são incialmente o pediatra, e em seguida a opinião de um especialista em saúde mental como o psiquiatra e o psicólogo infantil.

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