Avanço do Zika vírus é alerta para prevenção contra mosquito Aedes aegypti
qua, 9 de dezembro de 2015 08:07Da Redação
A conhecida batalha contra o mosquito transmissor da dengue ganha novas proporções com a descoberta de que ele também é vetor da chikungunya e do Zika vírus, ligado ao surto de microcefalia no Nordeste. Os casos suspeitos de bebês com má-formação do cérebro continuam aumentando e chegam a 1.761, um crescimento de 41% em comparação ao último balanço, quando foram registrados 1.248 bebês com suspeita da doença no país.
E o vírus pode estar se espalhando. O que parecia afetar apenas uma região específica começa a causar preocupação em outros estados. Em Campinas, sete casos sob investigação para confirmar ou não a presença do zika vírus são de mães que moram na cidade e em Sumaré (SP), a poucos quilômetros dali. A região teve um caso confirmado de zika vírus este ano, em um homem, o primeiro do estado de SP.
A Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) informou que investiga pelo menos três casos da moléstia, notificada em recém-nascidos nas cidades de Belo Horizonte, Congonhas e Uberlândia.
O vírus foi descoberto em 1947 na floresta de Zika, na África, como explica a coordenadora de Epidemiologia da secretaria de Saúde, Lúcia Hirono. “Os dois vírus são da mesma família. Os sintomas são similares aos da dengue. A febre, mas não tão alta quanto a da dengue, dor muscular, mal estar generalizado, ”afirmou.
Em uma entrevista à Revista Época, o biomédico Rafael França descreveu de forma perturbadora a situação. “O que a gente sabe sobre o zika é o nome, de onde veio e que está aqui.” Ele é pós-doutorando em imunidade e infecções virais pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos e trabalha na Fiocruz de Pernambuco, uma das cinco instituições no país que monitoram o vírus.
A epidemia no Brasil já é a maior do mundo. Antes disso, a doença apareceu com força em 2013, na Polinésia Francesa. Na semana passada, a Polinésia Francesa revelou que 17 crianças nasceram com malformação no sistema nervoso central após o ocorrido. No entanto, a liberação do aborto no país é apontada como hipótese para a pequena incidência.
Até novembro, o limite mínimo da circunferência da cabeça usado para fazer triagem de crianças suspeitas era 33 centímetros. Agora, o governo alterou para 32 centímetros, recomendados pela Organização Mundial de Saúde. Lucia Hirono, que atuou como enfermeira obstetra, não descorda da mudança. “Quando da divulgação dos 33 centímetros achei estranho, porque no acompanhamento, quando fazíamos a medida dos bebês, a suspeita era com 32 centímetros,” disse.
A recomendação das autoridades para as mulheres que pretendem engravidar é esperar. As grávidas são orientadas a utilizar repelente contra o mosquito, a base de icaridina.
O vetor das três doenças, dengue, o Zika e a Chikungunya é o mesmo: o mosquito Aedes aegypti. “Agora não é somente dengue. São três doenças. Mas não podemos nos esquecer que dengue mata. O mosquito não pode procriar e isso depende de todos nós, mantendo o quintal limpo e evitando a presença de criadouros com água parada,” concluiu Lucia Hirono.
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