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ÉTICA E POLÍTICA: é possível?

qui, 15 de outubro de 2015 08:15

                                     por Adriano Zago

Nosso caráter é o resultado da nossa conduta”. – Aristóteles –

Começo esta reflexão com uma pergunta: ética e política caminham juntas?

A palavra ética origina-se do grego ethos que significa costume, normas de comportamento, práticas morais e tradicionais consideradas valores que regem as condutas humanas de uma determinada sociedade. É um conceito eminentemente ligado ao coletivo, a nação ou a humanidade e está estreitamente vinculado ao sentimento dos povos, ao seu modus vivendi.

Quanto à política, a sua ideia se desdobra em dois conceitos diferentes: “é a vida em comum, as regras de organização dessa vida, os objetivos da comunidade, do bem da coletividade ao qual se aplica como a um propósito final”. Esta é a concepção de Aristóteles que usou pela primeira vez a palavra polis para designar a coletividade, pois o ser humano não vive sozinho.

O outro é o de que a política é a arte de conquistar e de manter o poder. Este é o conceito derivado das interpretações mais correntes da ciência política moderna, pois se diz neutro, tendo em Maquiavel o seu ideólogo. Neste sentido foge de qualquer consideração de natureza ética.

Max Weber chamou de ética da convicção, ou seja, a ética dos princípios morais aceitos em cada sociedade, conforme define no primeiro parágrafo e, na política prevalece a ética da responsabilidade que leva em consideração as consequências das decisões que os grupos ou partidos políticos adotam.

Todavia, é reconhecida a enorme fragilidade partidária brasileira que demanda alianças, acordos, trocas de favores e benefícios – na maioria das vezes não republicanos – nas esferas municipal, estadual e federal. Esta exigência por sua vez cobra um preço muito alto que pode levar a uma instabilidade e, quiçá a uma ingovernabilidade colocando em risco a democracia.

Ademais para ganhar o apoio dos (as) cidadãos (ãs) na conservação e na estabilização do poder, por meios válidos, como propostas plausíveis e discursos comprometidos em prol da comunidade, outros mecanismos também são usados como o fisiologismo, clientelismo, o populismo e, até mesmo a corrupção, têm sido os instrumentos mais vorazes para a conquista e a manutenção do poder. Nesta perspectiva para Luiz Carlos Bresser Pereira, a expressão “ética da responsabilidade” é uma forma mitigada do clássico princípio republicano de Maquiavel de que os “fins justificam os meios”.

Talvez seja por isso que na política a ética parece perder a importância. A impressão é a de que a política não passa de uma disputa entre grupos que anseiam o poder e que influenciam a opinião pública de acordo com seus interesses.

Neste sentido uma pergunta se impõe: a aliança entre a ética e a política é possível? Particularmente, acredito que essa aliança é possível e, sobretudo necessária. Entretanto para isso é indispensável que a classe política e os que exercem cargos eletivos consigam conciliar valores – a ética – com os interesses coletivos – a política -.

Também é condição sine qua non a participação da sociedade em toda a sua extensão na fiscalização do trato com a coisa pública. Creio que essas atitudes possam indicar os caminhos de superação do antagonismo entre ética e política.

A ética deve ser a sustentação moral da política, ou seja, a sua seiva. Ambas são imprescindíveis para a consolidação da democracia e a concretização dos ideais de justiça rumo à construção de uma nação exemplar que quer se tornar uma potência mundial.

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