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Jornal Estado de Minas alerta para risco de poços clandestinos em Araguari

qua, 8 de julho de 2015 06:51

Da Redação

Extração volumosa e irregular em aquífero de Araguari, que eleva risco de contaminação por agrotóxicos e de escassez, foi tema da segunda reportagem da série sobre “a guerra da água”

As áreas de aquíferos, que representam um sinal de abundância e tranquilidade, podem estar ameaçadas. É o que mostra a segunda reportagem da série do Estado de Minas sobre a guerra da água, publicada ontem, que aborda a existência de poços artesianos clandestinos em Araguari, possível contaminação por uso de agrotóxicos e confrontos entre produtores rurais devido à falta desse recurso primordial.

Reportagem do Estado de Minas abordou, na edição de segunda-feira,6, riscos causados por poços clandestinos no aquífero de Araguari (CRÉDITO EDÉSIO FERREIRA/ESTADO DE MINAS)

Reportagem do Estado de Minas abordou, na edição de segunda-feira,6, riscos causados por poços clandestinos no aquífero de Araguari
(CRÉDITO EDÉSIO FERREIRA/ESTADO DE MINAS)

 

A equipe do jornal, o principal do estado, apresentou diversos aspectos desta difícil situação. Um dos entrevistados foi o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Alcides Lima de Souza, de 53 anos, que vivia com a família na região do Bom Jardim. Ele contou que num prazo de cinco anos, o nível de água extraída de um poço caiu ao ponto de se tornar inviável a utilização na agricultura familiar, sendo suficiente apenas para consumo doméstico.

Mas em pouco tempo, a água era escassa até para lavar roupas ou cozinhar, e a família teve que abandonar o campo. O sindicalista responsabilizou o agronegócio pelas extrações volumosas e rebaixamento do nível.

Araguari está sobre uma das mais volumosas reservas de água do subsolo brasileiro, o Aquífero Bauru. O abastecimento para os mais de 115 mil habitantes vem dessa fonte, cada vez mais profunda e poluída devido ao excesso de uso, principalmente clandestino. Segundo especialistas, a extração de água do lençol freático também compromete  os córregos.

Em um trecho da reportagem, o hidrogeólogo Adelbani Braz da Silva, que tem pós-doutorado na Colorado School of Mines (Escola de Minas do Colorado), nos EUA, alerta para a crescente escassez. “O uso desse recurso só aumenta e a recarga reduziu com o desmatamento e a urbanização que impedem o amortecimento e infiltração da água da chuva que a terra suga e chega ao aquífero”.

O Serviço Geológico Brasileiro (CPRM) atesta que a situação de Araguari é grave e em seu último relatório, deste ano, destacou que o Aquífero Bauru sofre “interferências na quantidade e na qualidade” da água, devido à forte pressão que recebe na região, destacando como causas a “alta densidade de poços na zona urbana e em localidades agrícolas”.

A Superintendência de Água e Esgoto informou que há pelo menos 90 captações no município sem licenciamento, mas esse número pode ser maior. O estado tem 744 poços cadastrados em Araguari.

Segundo a coordenadora de águas subterrâneas do CPRM em Minas Gerais, Maria Antonieta Alcântara Mourão, o crescente número de poços clandestinos precisa ser combatido. “Araguari é uma das áreas mais sensíveis de Minas Gerais em termos de conflito hídrico pelas águas subterrâneas. Temos notícia de grande número de poços irregulares que não permitem saber qual o volume de recursos extraídos nem ter garantias de que as perfurações não se tornarão fontes de contaminação por agrotóxicos, no campo, e poluentes, na zona urbana,” disse ela à reportagem do jornal Estado de Minas.

Outra dificuldade apontada é a morosidade do estado em liberar outorgas para perfuração dos poços, o que leva muitos produtores a garantirem primeiro a irrigação de suas plantações para só então procurarem a legalização. “Os cafeicultores estavam precisando de água devido à estiagem. Com isso, usaram muito mais água de seus poços e precisaram furar mais. Isso tudo colaborou para que os lençóis baixassem demais. Mas não recomendo a perfuração sem licenciamento,” afirmou o sócio-proprietário da Araguari Poços Artesianos, Alexandre Campos. Segundo ele, o negócio cresceu 20% no ano passado devido à seca prolongada.

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