Ruptura entre PT e PMDB
qua, 17 de junho de 2015 06:02Gabriel Bocorny Guidotti
Bacharel em Direito e estudante de Jornalismo
Após o encerramento das eleições de 2014, os partidos políticos juntaram os cacos e começaram a pensar nos próximos passos. O PT saiu vitorioso, mas enfraquecido. A unanimidade de outrora não mais se constatou na opinião do cidadão. O outro ente da dobradinha presidencial, o PMDB, decidiu que não quer se queimar no incêndio dos “companheiros”. Desse modo, a situação entre as duas legendas anda em permanente tensão.
Com seu nome hostilizado em congresso do PT realizado no último sábado, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), usou seu Twitter para ameaçar o fim do namoro com o partido de Dilma Rousseff. “Talvez tivesse sido melhor que eles aprovassem no Congresso o fim da aliança e não sei se num congresso do PMDB terão a mesma sorte”, disse. Cunha apontou também que não vai mais se submeter à “humilhação do PT”.
Com ou sem humilhação, os peemedebistas não são santos. Conseguem a façanha de estar no Planalto sem estar. Estrategicamente, fazem Dilma sangrar enquanto pensam nas eleições presidenciais de 2018. O Executivo tem sofrido uma série de derrotas no Congresso. Michel Temer, nesse descaminho, permanece incólume, afinal, não há instituto de pesquisa que avalie a popularidade do vice-presidente. Tudo recai sobre Dilma, que não mostra forças para reagir.
É verdade que a petista colhe os frutos de suas próprias decisões. O partido deixou de atuar para os trabalhadores e passou a acompanhar os interesses dos patrões. Falta identidade, virou mais do mesmo. A medida provisória que alterou regras para a concessão de benefícios trabalhistas constituiu um exemplo de afronta. Em campanha, Dilma garantiu que não mexeria na área. A realidade econômica voltou-se contra a promessa eleitoreira. A presidente falou em vão, o que é muito grave.
Essa discussão entre PT e PMDB prejudica as pessoas comuns. Muitos vetos têm interesse político e não social. Há discordâncias verdadeiras também, algo genuíno da democracia. Resta saber até quando a coalizão vai durar. Enquanto isso, o país está à deriva. Não há voz confiável que dê esperanças de um futuro melhor à nação. Os encargos são muitos, os direitos se esfacelam, os serviços não funcionam. Essa realidade, entretanto, está distante demais para os verborrágicos personagens de terninho. Para mudar alguma coisa, vai levar muito tempo.
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