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Exposição no Museu do Futebol homenageia história de araguarinas

qui, 14 de maio de 2015 09:01

por P.J. Godoy

Pioneiras do futebol feminino no país ganham acervo por meio de iniciativa

“Nem tudo é pó de arroz, dos frágeis gestos femininos. De vez em quando a botinada aparece, não escapando nem mesmo o juiz. A goleira em posição pouco acadêmica, mas os cabelos são lindos”. Trecho retirado da capa da revista “O Cruzeiro”, de 28 de fevereiro de 1959. As mulheres em questão eram jogadoras araguarinas, pioneiras do futebol feminino no país.

Ex-atletas araguarinas driblaram o conservadorismo para iniciar o futebol feminino no país

Ex-atletas araguarinas driblaram o conservadorismo para iniciar o futebol feminino no país

 

Até estamparem a principal revista ilustrada brasileira, as jovens atletas precisaram suar a camisa e driblar o conservadorismo por onde passaram. Mesmo assim, não houve quem refutasse a curiosidade de testemunhar aquela novidade. Exemplo disso está na primeira partida oficial da modalidade, datada em 19 de dezembro de 1958. Na ocasião, as meninas do Araguari Atlético Clube e Fluminense Futebol Clube mediram forças sob as arquibancadas lotadas.

A notícia passou a ganhar novas proporções e ultrapassou os limites do município. Num amistoso entre Uberlândia e Araguari, as bilheterias do estádio Juca Ribeiro refletiam o avanço. Arrecadação de mais de 120 mil cruzeiros, superior ao público do Uberlândia Esporte Clube e Botafogo (RJ) de Garrincha e companhia.

Cidades como Goiânia, Belo Horizonte e Salvador (BA) também se tornariam palco das partidas. No entanto, quando as atletas receberam um convite para jogar no México, o sucesso foi interrompido por um ofício enviado pela CND (Confederação Nacional de Desportos) a Ney Montes, idealizador do time.

“Decreto-Lei 3.199 de 14 de abril de 1941, proíbe as mulheres brasileiras de praticar esportes incompatíveis com as condições de sua natureza, futebol, futebol de salão, halterofilismo e beisebol”. O veto perdurou até 1979.

Depois de quase 60 anos, essa história está prestes a ganhar um acervo no Museu do Futebol, em São Paulo. A partir do projeto “Visibilidade para o Futebol Feminino”, nomes como Maria, Nilza, Darci, Ormenzinda, Maria da Penha, Neli, Zalfa, Heloísa, Cirlene, Haidê e outros passam a ser reconhecidos na memória do esporte brasileiro.

Além do time de Araguari, diversas conquistas e histórias integram a campanha, que apresenta fotografias, recortes, documentos e conteúdos inéditos da trajetória do futebol feminino. A abertura da exposição ocorre no próximo dia 19, a partir das 10h, no estádio do Pacaembu, em São Paulo.

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