Ficha Técnica – JOGADA DE MESTRE
qua, 15 de abril de 2015 09:22Quinta-feira, 16 de abril de 2015. Marco Polo Del Nero assume a presidência da CBF. Na sede da entidade, o clima é de festa e confraternização. Fora dali, apenas aflição. Contraste que chega a ser compreensível, uma vez que no futebol brasileiro, nem a previsão do tempo revela a direção dos ventos.
Del Nero foi eleito no ano passado, num pleito democrático, porém sem oposição. Ex-presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), rival histórica da CBF, recebeu 44 dos 47 votos. Mas como um homem que sequer era envolvido com o futebol, chegou ao topo de uma das confederações mais ricas do mundo com tamanha aprovação? No universo fictício, encontrei algumas respostas.
Na série norte-americana “House Of Cards”, o ator Kevin Spacey incorpora “Frank Underwood”, um ardiloso político que não encontra limites em sua ambição pelo poder. Numa lição de ciência política que dispensa muitas aulas de cursos de graduação, a produção ganhou a audiência de líderes como Barack Obama e Fernando Henrique Cardoso, mas revela vestígios do caminho do novo presidente da CBF.

Da semelhança com o universo fictício, surge a preocupação com a vida real
Após 18 anos, Del Nero passou pelo Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo até chegar à vice-presidência da FPF, onde se tornaria presidente diante da renúncia de Eduardo José Farah, fragilizado politicamente. Depois disso, bastaram três meses para que a rivalidade histórica entre a CBF e a FPF chegasse ao fim. A amizade com o então presidente Ricardo Teixeira o permitiu indicar José Maria Marin para vice da entidade nacional. Sob escândalos de corrupção, Teixeira se retirou do cargo, deixando a cadeira para Marin, o qual retribuiu o favor levando Del Nero para vice-presidente da confederação. Da dança das cadeiras mais obscura do futebol brasileiro, surgiria o caminho que o levaria ao poder.
Enquanto Marin gastava sua beleza com entrevistas e eventos, Del Nero se incumbia do papel de “massagista de ego” de clubes e federações. Às vésperas das eleições presidenciais da entidade no ano passado, ele ajudou a levar contratos de patrocínio para as 22 federações estaduais, além de dobrar os repasses mensais de R$ 50 mil para R$ 100 mil, afastando qualquer oposição por falta de apoio. Até dirigentes ante Ricardo Teixeira, como Ednaldo Rodrigues, da federação baiana, recuaram e aliaram a situação.
Marco Polo Del Nero não é o “Frank Underwood” brasileiro, mas retrata um pouco da busca incansável pelo poder. A diferença dos dois é que, enquanto um contagia o público no universo fictício, o outro é o novo encarregado de cuidar do nosso futebol. O problema é que nesse caso, a jogada de mestre ocorre longe dos gramados.
Fonte: Folha de S.Paulo
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