Deus está de fora, por Inocêncio Nóbrega
sex, 13 de março de 2015 00:04* Inocêncio Nóbrega
Desta vez deixam Deus de fora, a família em casa e o terço-símbolo, substituído pelas caçarolas e buzinaços. A data 19 de março reedita a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, que teve palco a praça da Sé, em São Paulo. Não contam, agora, com o discurso do deputado paulista Cunha Bueno, nem Leonel Brizola para vaiá-lo. No lugar do governador gaúcho a presidente mineira Dilma Roussef. Adhemar de Barros está muito bem representado por Geraldo Alckmin. Nesse cenário há, entretanto, duas instituições que os motivam, ainda presentes no cotidiano internacional: Departamento de Estado norte-americano, com suficiente “know-how” para agitar a massa alheia, em seu benefício, e Petrobrás, através da famigerada “lava-jato”, força motriz dos protestos de rua. Contrataram, em 1964, o padre irlandês Patrick Peyton, do movimento Cruzada do Rosário pela Família. Sem Guerra Fria, não há outro no mercado. Ele orava com a multidão pela saída de Jango, que no Comício da Central, dia 13, anunciava o controle estatal de cinco refinarias, que não pertenciam à Petrobrás.
As preces foram atendidas, sob a forma do canhonaço de 1º de abril, que perdurou por 21 anos. Hoje, grupos da direita, inconformados com os resultados eleitorais, buscam uma ação golpista, a “la paraguaia”. No fundo, a completa privatização da nossa principal empresa de petróleo, iniciada pela quebra de seu monopólio por FHC, aceita pelos governos seguintes. Bom negócio, que pode gerar altas compensações das concorrentes estrangeiras, uma disfarçada obra de corrupção.
Verdade é que não temos sentimento patriótico. O capitalismo é o que move todos os interesses da nação. O que poderia comover nossos dirigentes, neste mês, seria a bravura do soldado cearense, piauiense e maranhense, nos áridos campos de Jenipapo, município de Campo Maior. a 13 de Março de 1823, onde muitos tombaram mortos, presos e feridos, contra as intenções colonialistas da Coroa portuguesa. Herói, como o corneteiro Manuel Rufino da Luz, que deu o último suspiro soprando esse instrumento, ainda com olhos lacrimejantes, e o rebelde, Lonardo Castelo Branco. Lembranças que não constam das falas oficiais, na pauta oposicionista e nas contas do rosário. A mídia e órgãos de cultura, também ignoram a efeméride. Governo e adversários administram apenas o vazio, um corpo inerme. Nada temos a nos guiar, a não serem as intrigas políticas e os desvarios por dinheiro. No caso, corromper é uma sensação de vida. Nova ditadura, não seria a solução. Prefiro a democracia.
* Jornalista
inocnf@gmail.com
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