Mulheres ainda lutam pelo direito a liberdade
sáb, 7 de março de 2015 01:48Inúmeras araguarinas sobrevivem num cenário de horror em seus próprios lares
DA REDAÇÃO – “O dia 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que foi alcançado em diversos países”.
Para a autora da citação, a professora Maria Célia Orlato Selem, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Brasília e doutora em História Cultural pela Universidade de Campinas, o Dia da Mulher comemorado neste domingo não pode tornar-se irrelevante, principalmente, em relação à luta da classe pelos seus direitos.
Apesar dos avanços em relação às conquistas no campo educacional e profissional das brasileiras, a taxa de violência contra elas continua preocupante. Em Araguari, a Delegacia de Proteção à Mulher registra por dia, ao menos um caso de violência.
Temendo o fim do relacionamento, muitas vítimas não procuram ajuda, principalmente, nos casos de dependência econômica, explica a delegada Paula Fernanda de Oliveira.
Nestas situações, em que a vítima não solicita ajuda, a tendência é de que as agressões se tornem ainda mais sérias. “Assim que ocorrer o primeiro ato de violência, a mulher deve procurar a delegacia, porque o agressor não vai parar, podendo culminar em algo mais sério”, reafirma Paula Fernanda. O uso de drogas ou de bebidas alcoólicas continua sendo fator declarado como motivo para a agressão.
A pesquisa do DataSenado sobre violência contra a mulher aponta que 65% das entrevistadas foram agredidas por seu próprio parceiro de relacionamento, ou seja, por marido, companheiro ou namorado. Aproximadamente 40% delas afirmam ter procurado alguma ajuda logo após a primeira agressão. Para as demais, a tendência é buscar ajuda da terceira vez em diante ou não procurar, o que acontece em 32% e 21% dos casos, respectivamente.
No Brasil, entre as políticas de combate a esse tipo de crime, está a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, criada em 2005. A ligação gratuita pode ser feita por qualquer telefone – seja ele móvel ou fixo, particular ou público. A ferramenta funciona 24 horas por dia, de segunda-feira a domingo, inclusive feriados. As atendentes são capacitadas e treinadas para receber a denúncia e realizar o atendimento.
Para a socióloga do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher da Universidade de Brasília, Tânia Mara de Almeida, é preciso que a mulher quebre a barreira e denuncie e que a sociedade esteja atenta a essa questão. Segundo ela, o assunto não se limita ao familiar e sim a um problema público. “É preciso mudar a ideia falsa de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, a sociedade tem sim que meter a colher, não é um problema individual, porque quando alguém sofre uma violência, todos ficam expostos”, aconselha Tânia.
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