Copa do Mundo, elo de paz, por João Baptista Herkenhoff
qui, 10 de julho de 2014 00:02* João Baptista Herkenhoff
Em artigo publicado há alguns dias refletimos que a Copa do Mundo contribui para a integração do povo brasileiro. O futebol elimina preconceitos e estabelece uma forma especial de fraternidade. Durante os jogos nós nos sentimos brasileiros, filhos de uma Pátria comum, nós nos reconhecemos como irmãos.
No livro “Dos Pés à Cabeça”, Maurício Murad estudou o futebol, sob a lente da Sociologia, e concluiu que a bola traduz uma ética da igualdade de oportunidades.
José Teixeira Júnior, a partir da colocação de Maurício Murad, acresceu que Carnaval e Futebol são as mais expressivas manifestações da cultura popular no Brasil.
No artigo de hoje desejo falar sobre o papel desempenhado pelo futebol num outro prisma. Não sobre o futebol como senha de integração nacional, mas sim o futebol como um liame entre povos. Ou seja, o futebol une e integra povos.
Aparentemente há uma contradição neste pretendido papel. O futebol não é uma disputa? Os dois times em campo não perseguem a bola? O drible não é lícito? O atacante da seleção A não procura arremessar a bola no fundo da rede da seleção B? Quando o técnico avalia que a retranca é melhor que o ataque e decide por uma reviravolta repentina na estratégia do jogo, tem ele a gentileza de previamente comunicar a mudança ao técnico adversário, ou prefere pegar de surpresa a equipe contrária?
Se a seleção brasileira faz um gol nós pulamos de alegria. Se o atacante da seleção adversa ingressa na pequena área e, de frente, para o goleiro chuta forte, mas a bola bate na trave, nós vibramos de contentamento com o infortúnio alheio. Cada um torce pelas cores do seu país.
Nada disso invalida a tese do futebol fraterno.
Debaixo desse aparente clima de luta, o futebol traduz uma mensagem de paz.
Faça amor, não faça a guerra, decretaram os hippies. Podemos repetir o refrão: dispute a hegemonia no futebol, risque do mapa a guerra.
O futebol tem tanta poesia que até palavras ofensivas ganham outra conotação quando se referem ao esporte das multidões. Uma coisa é dizer de um magistrado: juiz ladrão. Outra coisa é atribuir parcialidade a um juiz de futebol: árbitro ladrão.
O Brasil está de parabéns pelo sucesso desta Copa. Não conquistamos a taça, mas conquistamos a simpatia do mundo. Fomos arquitetos de um grande abraço de continentes. Fomos maestros de um coro universal de vozes pedindo a Paz, nos mais diversos idiomas falados mundo afora: peace (inglês), paix (francês), pace (italiano), frieden (alemão), vrede (holandês), bans (turco), pokój (polonês).
* Juiz de Direito aposentado (ES), professor e escritor.
E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br
CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2197242784380520
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