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DIREITO E JUSTIÇA – 25 DE JUNHO

qui, 25 de junho de 2026 11:48

Márcio, se não couber, pode tirar as três fotos do final

“Quo Vadis, Domine”? (Para onde vais, Senhor?)

– “Domine, quo vadis”?                       Crucificado de cabeça para baixo.

 

“Quo Vadis, Domine”?

– Quo Vadis, Domine? Ou Domine, quo vadis? Tanto faz, porque em Latim as inversões na frase não modificam o sentido; importa a terminação de cada palavra (desinência) e a sua função gramatical (caso). E aqui, Domine é vocativo (Ó, Senhor…) e não genitivo (Domini). Mas isso é matéria para uma outra ocasião. A expressão, traduzida para o Português, significa “Para (aonde) vais, Senhor”? Também em Português, Senhor pode ficar no início ou no final da frase.

A lenda e o significado:

A fuga e a visão: Fugindo da perseguição aos cristãos, promovida pelo Imperador Nero, no ano de 64 d. C., Pedro (São Pedro, o apóstolo) saiu (ou fugiu) de Roma e estava caminhando pela Via Ápia, quando, no meio do seu caminho, teve uma visão de Jesus Cristo, vindo em direção oposta, dirigindo-se para a cidade.

O diálogo: Espantado, Pedro perguntou a Jesus:  “- Domine, quo vadis”? Jesus teria respondido: “- Romam vado iterum crucifigi”, ou seja, “vou a Roma para ser crucificado de novo”. Eventualmente, acrescentam-se nessas palavras de Jesus: “… porque tu abandonaste o meu povo”.

A coragem: Pedro imediatamente entendeu o sentido e o alcance da mensagem de Jesus, e envergonhou-se da sua atitude medrosa (ou covarde) de fuga do seu destino como responsável maior e direto  pelo seu rebanho cristão, perseguido ferozmente e em formação. Pedro deu meia volta, retornou a Roma, onde foi capturado e crucificado de cabeça para baixo (a seu pedido, porque não se julgava digno de morrer como morrera o Divino Mestre)

 

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A perseguição do Imperador Nero aos cristãos

A perseguição do Imperador Nero aos cristãos ocorreu principalmente como uma manobra política para encobrir a sua própria culpa pelo grande incêndio havido em Roma no ano 64 d. C., que destruiu uma grande parte da cidade. Nero pretendeu aplacar a fúria da população contra si, porque era acusado de ser o causador direto da tragédia. Alguns historiadores afirmam que o Imperador pretendeu “limpar” um grande terreno de casas e construções, a fim de edificar um palácio magnífico e que faria jus à sua pretensa qualidade divina e megalomania artística.

Para se ter uma ideia da extensão e da gravidade do incêndio, basta constatar que a cidade de Roma era dividida em 14 distritos (ou regiões), e o fogo afetou 10 deles; 3 distritos foram completamente reduzidos a cinzas e outros 7 sofreram danos severos, destruindo   2/3 da cidade. Na época de Nero, calcula-se a população de Roma em cerca de 1 (um) milhão de habitantes, sendo ela a cidade mais populosa do mundo.

A hostilidade contra os cristãos, cujo número aumentava dia a dia, intensificou-se porque eles já eram vistos como uma seita suspeita e impopular, recusando-se a cultuar os deuses romanos e  o Imperador como divindade viva e representativa do Estado, além de desprezarem alguns dos valores romanos fundamentais. A perseguição foi extremamente cruel, e o historiador romano Tácito documentou as punições que foram infligidas aos cristãos por ordem de Nero e que incluíram:

Tochas humanas: Cristãos eram cobertos com peles de animais e queimados vivos à noite para iluminarem os jardins imperiais e as ruas da cidade;  Execuções nas arenas: Eram lançados a cães de caça e mortos por outras feras selvagens; Crucificações: Muitos cristãos foram crucificados (inclusive o Apóstolo Paulo) sendo uma forma peculiar dos romanos para degradar, humilhar e torturar o condenado por mais tempo, aplicável especialmente aos criminosos considerados perigosos e de baixo nível.

– Nas mídias sociais, o material de pesquisa é farto e de fácil acesso. As narrativas sobre essa primeira grande perseguição aos cristãos irão depender da fonte e da ideologia de quem queira abordar e analisar o assunto. Fiz apenas uma pesquisa superficial, posto que irei adiante apresentar o meu comentário pessoal e sob censura.

 

  1. S.:

Quo Vadis é um romance histórico, escrito pelo autor polonês Henryk Sienkiewicz, ambientado na Roma Antiga do Século I, durante o reinado do Imperador Nero. A obra narra a história de amor entre um jovem e orgulhoso patrício romano (Marcus Vinicius) e uma mulher cristã (Lígia), em meio às perseguições e conflitos que ocorriam na época.  Já o clássico filme Quo Vadis (1951), produzido pela Metro Goldwyn Mayer – MGM. está disponível para compra (DVD), por exemplo, na Amazon, ou no Mercado Livre, ou pode ser visto em streaming  na Oldflix,  Prime Vídeo e Apple TV.

 

 

Comentário Pessoal:

Pela undécima vez eu hei de repetir: a História é cíclica e se repete, conforme já diziam os Gregos Antigos. Os governantes que não a estudam ou que não aprendem com ela, muita vez, veem-se obrigados a repeti-la, nem sempre da melhor forma possível, arrastando na queda trágica suas nações, povos e países.

Napoleão Bonaparte invadiu a Rússia em 1812, levando atrás de si um enorme exército multinacional estimado em cerca de 600.000 homens. Foi derrotado mais pela política de “terra arrasada”, levada a cabo pelos russos, pela fome, pelas doenças e pelo frio intenso do que mesmo por derrotas em batalhas campais. Voltou para casa com o rabo no meio das pernas, caminhando para o seu fim  em  Waterloo (1815) e o desterro melancólico  na isolada  Ilha de Santa Helena, onde morreu (1821).

Adolf Hitler desconheceu que o seu país, a Alemanha, já fora  derrotada numa funesta e destrutiva guerra de trincheiras (1914/1918), travada em duas frentes simultâneas e que não poderia sair vitorioso em outra, lutando novamente contra o resto do mundo. O território germânico está encravado no meio da Europa, sem uma saída marítima livre, e o país não possui recursos minerais diversificados e essenciais que sustentem um conflito bélico prolongado. Mais uma vez, um governante irresponsável, manipulador e tresloucado (para dizer o mínimo)  insistiu em abrir duas frentes de combate (no Oeste em 1939, e no Leste em 1941), levando ao desastre final da nação,  à divisão do país e à perda irrecuperável de grande parte do território ancestral alemão.

E, na mesma esteira, outros governantes, ditadores ou mandatários eleitos, mas psicopatas, megalômanos, arrogantes e energúmenos, derrotados ou vitoriosos momentaneamente, sacrificaram ao longo dos séculos milhões de pessoas sem medir as consequências: Gêngis Khan (Mongólia), Tamerlão ou Timur (Turcomano) Benito Mussolini (Itália), Josef Stalin (União Soviética), Mao Tsé Tung (China), Pol Pot (Camboja), dentre  muitos outros. Como visto, tudo irá depender da ideologia e do tipo de abordagem que se fizer, mas essas pessoas que eu citei sacrificaram  as vidas de populações inteiras apenas para imporem suas ideias e  métodos de ação.

Todavia, apesar de tantos erros e desatinos, alguns incautos ainda teimem em negar o valor de uma  retrospectiva história, que seria capaz de expor corretamente os fatos e as verdades do passado. A  História, como ciência humana e social, ensina-nos a compreender o presente a partir da realidade das experiências passadas. Ela desenvolve o pensamento crítico, mostrando como sociedades, conflitos e culturas foram construídos e desenvolvidos, servindo como um mapa verdadeiro e preciso para evitar novos e repetitivos erros e valorizar conquistas úteis e de alcance geral.

Mas, o que é uma retrospectiva histórica? Uma retrospectiva histórica é uma revisão cronológica e analítica dos acontecimentos passados sobre um tema, período ou instituição específica. O objetivo é compreender o passado para entender o presente e planejar o futuro, identificando tendências, acertos e erros. Bem, pela própria conceituação do que seja uma retrospectiva histórica, já se vê que a Humanidade não se tem preocupado muito com isso, levando as coisas de qualquer maneira, gerando consequências ruins e comprometendo gerações inteiras.

Tudo isso se contrapõe à verdadeira doutrina de Jesus, que é mansa e pacífica, exatamente o contrário dos que pregam a violência e a força bruta como forma de alterar ou de mudar as coisas em qualquer lugar ou em qualquer época. Não pretendo adentrar no mérito dessas coisas e muito menos elogiar, criticar ou denegrir vultos ou heróis históricos deste ou daquele país. Todavia, seria de bom alvitre perguntar, se já não chegou ou até passou da hora de Jesus retornar a este mundo.

E, por falar em Jesus, é bom recordar que os judeus encontravam-se sob a opressão ferrenha do Império Romano. Culpa deles mesmos, porquanto sempre viveram divididos e polarizados internamente, como se fossem inimigos mortais ao invés de irmãos que compartilhavam a mesma terra, a mesma nação, o mesmo país. Tiveram um país poderoso sob os reinados de Davi e Salomão, recuperando-se parcialmente sob os Irmãos Macabeus, mas durou pouco e afundaram-se definitivamente nas querelas internas.

Como consolo e numa vã esperança,  aguardavam a vinda de um Messias guerreiro, invencível, adepto da violência e da força bruta militar, capaz de expulsar os dominadores fossem eles quais fossem. O Messias já veio na pessoa divina de Jesus; era manso, pacífico, bom, caridoso e solidário. Não foi o líder brutal que esperavam e, por isso, o rejeitaram. Assim corre e transcorre o mundo até hoje, Os valores verdadeiros e humanos não são valorizados ou levados em conta devidamente.

Destarte, pululam ainda hoje as guerras, os morticínios, as atrocidades, os sofrimentos. Até quando? Certamente até que se faça uma retrospectiva histórica autêntica, de boa-fé e capaz de localizar e reconhecer os erros passados. Terá que haver uma disposição real de mudar, mas de mudar para melhor. Enquanto isto não ocorrer, continuaremos a viver num mundo cruel e hipócrita, onde o mais forte sempre haverá de esmagar o mais fraco, buscando o poder pelo poder e não pelo bem-estar das pessoas..

Jesus poderia retornar, não para ser crucificado de novo, mas para dar um  basta definitivo nesta bagunça em que vivemos.  Provavelmente não! Porque não caberia no seu feitio. A Roma de hoje seria o mundo inteiro, que está de cabeça para baixo (como Pedro preferiu ser martirizado) e até capota. Ninguém mais se entende. Os seres humanos comportam-se bem pior do que os bichos que, pelo menos, não negam a Deus e somente matam por necessidade. Pensem nisso com um mínimo de isenção…! Pensem nisso…!

 

Araguari – MG, 25 de junho de 2026.

Rogério Fernal .`.

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