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DIREITO E JUSTIÇA – 4 DE JUNHO

sáb, 6 de junho de 2026 02:06

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas  — PARTE I:

À esquerda:     Dom Afonso Henriques, o primeiro rei e pai da nação portuguesa.

No centro:       O Condestável (e santo) Nuno Álvares Pereira, herói de Aljubarrota.

À direita:         Camões arriscou sua vida para salvar o manuscrito de Os Lusíadas.

Portugal; o seu legado:

Portugal, proporcionalmente ao seu tamanho geográfico e à sua população, foi o país que mais se expandiu pelo mundo, criando o primeiro império global e mantendo-o por mais tempo do que todas as demais nações. Sobretudo, concedeu ao Brasil a dádiva de manejar uma das mais belas e maravilhosas línguas do mundo, o português, a “última flor do Lácio, inculta e bela”, falada por mais de 260 milhões de pessoas, uma das dez mais faladas e a maior do hemisfério sul do planeta.

Portugal; os seus reis:

–  Portugal existe desde  muito antes da Lusitânia de Viriato, passando pela Braga dos Suevos, conquistado pelos mouros, retomado pelos cristãos; Portugal dos reis D. Afonso Henriques (O Fundador e Conquistador), D. Dinis (O Lavrador), D. João I (O Precursor), D. João II (O Príncipe Perfeito), D. Manuel I (O Venturoso), D. João IV (O Restaurador); D. João V (O Magnânimo), D. João VI (que enganou Napoleão e tanto amou o Brasil), e numerosos outros vultos, sendo que destaco o heroísmo sem par do  Condestável Nuno Álvares Pereira

Portugal; a sua trajetória:

– Portugal das batalhas de São Mamede (1128), de Ourique (1139), dos Atoleiros (1384), de Aljubarrota (1385), de Diu (1509), da infeliz Alcácer-Quibir (1578), das Linhas de Elvas (1659), do Bucaço (1810), de La Lys (1918) e tantas outras, nas quais, ganhando ou perdendo momentaneamente, o país jamais deixou de ser independente ou de recuperar sua liberdade. Muitos indagam e admiram-se: como é que Portugal, ao longo desses mais de 800 anos, conseguiu e pôde resistir e sobreviver às reiteradas e cobiçosas investidas de conquista, primeiro de Castela e depois da Espanha? Respondo-lhes eu:  conseguiu e pôde porque Portugal tem no povo português um patrimônio sem igual no mundo, ao qual jamais faltaram amor à terra, coragem, bravura, orgulho, resiliência e uma fé cristã inabalável no seu sucesso como nação.

 

O dia 10 de junho:

Sobre Portugal:

Portugal é um país localizado no sudoeste da Península Ibérica com uma população aproximada de 10,4 milhões de pessoas e cuja capital é Lisboa. Destaca-se pela alta segurança, rica herança histórica e cultural, clima temperado e uma excelente qualidade de vida. O território português possui uma extensão aproximada de 92.090 Km², compreendendo uma parte continental e dois arquipélagos autônomos: Açores e Madeira.  Faz fronteira terrestre a norte e a leste apenas com a Espanha, e a sul e oeste com o Oceano Atlântico.

Um feriado nacional:

No dia 10 de junho comemora-se o Dia de Portugal de Camões (Luiz Vaz de Camões) e das Comunidades Portuguesas, tendo sido oficializado em reverência à data do falecimento do maior nome da literatura em língua portuguesa (+ 10.06.1580, em Lisboa), autor da monumental epopeia “Os Lusíadas” e de um insuperável número de poemas clássicos (principalmente sonetos), contrapondo-se a uma vida agitada, infeliz no amor e desassistida de bens e do reconhecimento dos seus contemporâneos.

Merecidamente, o dia é marcado por orgulho nacional em Portugal, com eventos oficiais que incluem paradas militares, cerimônias de condecoração lideradas pelo Presidente da República e festivais culturais, tanto no continente e ilhas, quanto em países com forte presença da comunidade lusitana (incluindo o Brasil). Esta data relembra os memoráveis e gloriosos feitos lusitanos, quando, a partir do Século XV (1401 – 1500), valendo-se da sua condição de país debruçado sobre o Oceano Atlântico, os portugueses deliberaram enfrentar o “mar tenebroso e desconhecido”, velejando a toda parte em conquistas, comércio e conversão dos povos do mundo austral.

A expansão do Português:

Formando competentes capitães, pilotos e marinheiros na famosa Escola de Sagres, comandada pelo Infante D. Henrique, os lusos aperfeiçoaram os instrumentos náuticos existentes e inventaram a fabulosa caravela portuguesa, uma nave robusta, resistente e capaz de velejar contra o vento e vencer as tempestades no oceano bravio. Tudo isto — e mais – permitiu a Portugal a proeza inigualável de criar, de fato, o primeiro império territorial e comercial realmente global, levando além a sua língua sui generis, o Português, que se tornou franca (generalizada e de uso comum por todos) e enquanto durou a expansão do império português no decorrer do Século XVI (1501 – 1600).

O Português ansiava por ser conhecido e reconhecido como uma das principais línguas de cultura mundial e quem muito – se não mais – contribuiu para isso, dando-lhe estrutura, forma, regras, vocabulário e vigor foi, sem dúvida alguma, Luiz Vaz de Camões, simplesmente Camões. Rascunhou, elaborou, conferiu ares finais e salvou a nado a maior e mais monumental obra da literatura portuguesa jamais escrita, “Os Lusíadas”, a que me reportarei na Parte II da Coluna DJ, ainda alusiva ao Dia 10 de Junho.

 

Luiz Vaz de Camões (Camões):

Luiz Vaz de Camões (1524 – 1580) é o maior poeta da Língua Portuguesa e o principal expoente do Classicismo. Notabilizou-se pela grandiosidade de sua poesia lírica e por ser o autor da monumental epopeia nacional lusitana, “Os Lusíadas”, que imortalizou os feitos marítimos de Vasco da Gama (1497 – 1499), narrando a História de Portugal desde a sua fundação, entremeada com a mitologia greco-romana, mitos e lenda, verbi gratia “Inês de Castro”, o “Condestável Nuno Álvares Pereira” o “Velho do Restelo”, o “Gigante Adamastor” a “Ilha dos Amores”, e muito mais. Muito mais…!

Camões teria nascido em Lisboa (embora Coimbra, Santarém e Alenquer também disputem a honra de serem o local do seu nascimento) pertencia à pequena nobreza. Estudou em Coimbra, onde adquiriu vasto conhecimento sobre humanidades e mitologia clássica. Teve uma juventude boêmia e rebelde. Após se envolver em brigas e desavenças amorosas na Corte, foi banido e alistou-se como soldado, lutando em Ceuta (Marrocos), e perdeu o olho direito em combate.

Em 1553, partiu para a Índia, viveu na Ásia e na África por cerca de 17 anos, período em que enfrentou naufrágios, batalhas, prisões por dívidas e padeceu de grandes e platônicas paixões. Reza a lenda que, durante um naufrágio nas costas da China, Camões salvou-se a nado e também o manuscrito de “Os Lusíadas”. Dedicou o poema épico ao Rei D. Sebastião, recebendo pequena e insuficiente pensão anual. Faleceu pobre e sem maior reconhecimento dos seus contemporâneos. Hoje, embora tardia, a justiça histórica se faz anualmente a esse gênio ímpar e incompreendido da valorosa estirpe lusófona.

Vejamos dois dos muitos sonetos de Camões:

 

Sete anos de pastor Jacó servia:

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Assim lhe era negada a sua pastora,
Como se não a tivera merecida;

Começou a servir outros sete anos,
Dizendo: Mais servira, se não fora,
Para tão longo amor, tão curta a vida.

 

  1. S.: “Sete anos de pastor Jacó servia” é um soneto que narra a história bíblica (do livro de Gênesis) em que Jacó trabalha durante sete anos para seu tio Labão com o objetivo de casar-se com Raquel, sua filha mais nova e pela qual ele se apaixonara. Todavia, Jacó acaba sendo enganado e recebe como esposa a filha mais velha, Lia, tendo que trabalhar outros sete anos, para que pudesse casar-se finalmente com sua amada.

 

Amor é fogo que arde sem se ver:

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói, e não se sente; ´

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.

 

É um não querer mais que bem querer;

É um andar solitário entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É um cuidar que se ganha em se perder.

 

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor.

É ter com quem nos mata, lealdade.

 

Mas como causar pode seu favor;

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

 

  1. S.: “Amor é fogo que arde sem se ver” é uma das obras mais célebres da Língua Portuguesa. O poema utiliza-se de antíteses e paradoxos numa vã tentativa de definir e compreender o que é o amor, não de uma forma lógica e racional, mas através de suas contradições e dualidades capazes de fazerem coexistir prazeres e sofrimentos. Pois, o amor é um sentimento que escapa à razão humana, unindo sensações de extremo prazer e dor profunda simultaneamente. Somente aquele que o sentiu sabe como é.

 

Araguari – MG, 04 de junho de 2026.

Rogério Fernal .`.

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