DIREITO E JUSTIÇA – 7 DE MAIO
qui, 7 de maio de 2026 08:00
Língua Portuguesa; de Todas a Mais Bela!
== PARA USO ESCOLAR ==
Os países lusófonos O poeta Olavo Bilac
O Dia Mundial da Língua Portuguesa – 5 de maio:
– O dia 5 de maio foi oficializado pela CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) em 2009, e pela UNESCO em 2019, como sendo o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Em Portugal, comemora-se também o 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões (falecimento) e das Comunidades Portuguesas; no Brasil, o 5 de novembro, em homenagem ao nascimento de Rui Barbosa, centrado na cultura brasileira.
“Última Flor do Lácio”:
– A Língua Portuguesa é frequentemente descrita como a “última flor do Lácio” (pelo poeta brasileiro Olavo Bilac), o que é uma forma romântica de dizer que ela foi a última das línguas românicas (ou neolatinas) a consolidar-se a partir do Latim vulgar. Hoje, é muito mais do que um legado histórico; é um organismo vivo e em constante expansão mundial. De fato, o Português, com cerca de 260 milhões de falantes (nativos ou como segunda língua) é um dos 10 idiomas mais falados do planeta, sendo a língua mais falada em todo o Hemisfério Sul. É também a língua que mais evolui na África Subsaariana devido ao crescimento demográfico de Angola e Moçambique. Acrescente-se a isto a população do Brasil, em que, de um total estimado atualmente em 215 milhões, 99% ou 213 milhões dos brasileiros falam o Português.
Um Idioma Global:
– O Português não pertence apenas a um ou dois países. Ele é a língua oficial em 9 nações, espalhadas por quatro continentes, através da CPLP, com sua sede em Lisboa. O Português é falado na Europa (Portugal); na América do Sul (Brasil); na África (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial); na Ásia (Timor-Leste e com presença cultural e remanescente em Macau, na China, e em Goa, na Índia. Existem ainda os vários dialetos crioulos e os milhões de falantes do Português em numerosos outros países.
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As principais variantes do Português falado:
As principais variantes do Português falado dividem-se fundamentalmente entre o Português Brasileiro (PB) e o Português Europeu (PE), com o Português de Angola e Moçambique ganhando destaque, cada um deles com suas próprias características de sotaque, vocabulário e gramática.
Nos países lusófonos, o Português oficial convive com outras línguas locais e dialetos crioulos, como na África, na Ásia, e no Brasil, este, com os sotaques regionais em face do território continental do nosso país. Existem ainda dialetos crioulos no Caribe (como o papiamento) e milhões de lusófonos que se espalham, vivem e trabalham pelo mundo (Estados Unidos, França, Reino Unido, Luxemburgo, Paraguai, Austrália, etc.).
Os falares e sotaques do Brasil:
Caipira: interior de São Paulo, sul de Minas Gerais, norte do Paraná, leste/sul de Mato Grosso; Carioca: região metropolitana do Rio de Janeiro; Nordestino: abrange vários Estados como Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte; Nortista: falado na Bacia Amazônica; Gaúcho: principalmente no Rio Grande do Sul; Mineiro (ou mineirês): regiões central e leste de Minas Gerais; Brasiliense (candango): mistura de mineiro, goiano e influências nordestina no Distrito Federal (Brasília – Plano Piloto e Cidades Satélites); Baiano: Bahia, Sergipe e partes de Minas Gerais e Goiás
E você, por acaso, acha que isso engloba ou explica tudo? Ledo engano! Há falares e sotaques sub-regionais, que insistem em sobreviver nos mais diversos, escondidos e longínquos rincões e grotões deste extraordinário país; existem as gírias, lícitas e bandidas, as vogais anasaladas e cantadas do brasileiro, a língua nova, quase incompreensível e cósmica, criada pelo escritor mineiro João Guimarães Rosa, em seu estupendo Grande Sertão, Veredas e muito mais coisas a descobrirem-se neste país-continente, que é o Brasil.
Todavia, eu quero e faço questão de acentuar que nós, brasileiros, falamos Português, a Língua Portuguesa, e não a Língua Brasileira. Usamos uma variante, única, exclusiva, que se criou ao longo dos séculos (do XVI até o presente), misturando-se o linguajar europeu com o dos africanos e dos indígenas. Muitos “gringos” ensaiam palpites e dizem que o “falar brasileiro” (e até os irmãos portugueses admitem isto) é um “Português “hablado” (falado) com açúcar”, ou seja, sonoro, melodioso, vocálico ao extremo, bonito e gostoso de ser ouvido.
Eu não falo e não quero falar e escrever em outro idioma, que não seja o Português. Que assim o diga Olavo Bilac, proclamando algures e alhures a grandeza da Língua Portuguesa. Vejam:.
Língua Portuguesa:
Olavo Bilac
Última Flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura,
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela.
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: “Meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo
O gênio sem ventura e o amor sem brilho.
Análise do soneto “Língua Portuguesa”:
Primeiro Quarteto:
Aqui, o poeta diz que o Português foi a última língua nascida do Latim (a “última flor do Lácio”). Ela é selvagem, bruta, mas linda. Ao surgir, ela brilhou (esplendor), mas enterrou o Latim antigo (sepultura). E é como ouro puro ainda escondido na mina suja, bruto, valioso, sem polimento e que precisa ser minerado e depois limpo e refinado.
Segundo Quarteto:
Bilac declara seu amor pela Língua Portuguesa, ainda rústica e pouco conhecida. Compara o idioma com instrumentos musicais; uma tuba, instrumento enorme, pesado e possante, que faz barulho ruidoso, e com uma lira delicada, sonora e angelical; dois extremos. São extremos que se tocam, que se espiam, que se admiram. A Língua Portuguesa consegue, pois, rugir em tempestade, como faz um trovão (trom) e também embalar e ninar com carinho, saudade e ternura (arrolo). Claro, isto irá certamente depender do uso que lhe der aquele que a maneja ou que souber fazê-lo).
Primeiro Terceto:
Ele ama o frescor selvagem dela, o cheiro de mata virgem e do mar aberto, lembrando as florestas imensas e luxuriantes do Brasil e as grandes e gloriosas viagens de descobrimentos, desbravamentos e conversões de outros povos pelos portugueses através dos oceanos do mundo, navegando nas caravelas inovadoras por eles criadas, fazendo-o com destemor e persistência, “dilatando, a fé, o Império e conquistando as terras viciosas” (conforme está dito em Os Lusíadas – Estrofes I e II).
Segundo terceto:
Fecha o soneto, após ter dito que que ama este idioma rude e doloroso, porque foi nele que ouviu a mãe chamá-lo de “meu filho” e também porque foi nele que Camões, exilado, escreveu sobre sua genialidade sem sorte e seu amor sem brilho. É pessoal e histórico ao mesmo tempo.
Conclusão:
Sem dúvida alguma, , Língua Portuguesa é o mais conhecido e notável soneto de Olavo Bilac, e também um dos mais bonitos da Literatura Luso-Brasileira, que não desmerece ante a grandeza sem igual de um Luiz Vaz de Camões. Bilac declara corajosa e abertamente seu enorme orgulho pela Língua Portuguesa, que ele e nós falamos todo dia aqui no Brasil.
O tema sobre a “nossa” Língua Portuguesa é muito vasto, sendo impossível esgotá-lo em apenas uma Coluna DJ semanal. Por isso, oportunamente, pretendo voltar ao assunto. Porque eu sempre entendi que o maior patrimônio de uma nação, de um povo, de um país é a sua língua materna e, quando um inimigo externo pretende atacar ou destruir essa identidade, começa precisamente por desmerecer, por desmoralizar, por vilipendiar, por vulgarizar ou por esculhambar o seu idioma.
Araguari – MG, 05 de maio de 2026.
Rogério Fernal .`.
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